Sleeping Dogs 2 ainda não existe oficialmente, mas a esperança de uma sequência não morreu completamente. Mais de uma década depois do lançamento do cultuado jogo de mundo aberto, um dos designers do original acredita que a franquia ainda poderia voltar — embora fosse necessário quase tudo dar certo ao mesmo tempo.
Alastair Cornish, que trabalhou em Sleeping Dogs antes de seguir carreira como vice-presidente de design da Splash Damage, disse que no desenvolvimento de jogos é melhor “nunca dizer nunca”. Segundo ele, uma eventual continuação exigiria uma espécie de “alinhamento planetário” entre equipe, orçamento, tecnologia e planejamento.
E a declaração chega em um momento curioso para a franquia. Enquanto não existe um novo jogo anunciado, o ator Simu Liu, de Shang-Chi, continua tentando tirar do papel uma adaptação cinematográfica de Sleeping Dogs — e já deixou claro que seu sonho seria usar o filme como primeiro passo para levar a série de volta aos videogames.

Sleeping Dogs 2 ainda pode acontecer?
Pode, mas não há uma sequência em desenvolvimento atualmente.
Em entrevista ao FRVR, Alastair Cornish explicou que ficou decepcionado quando os planos para Sleeping Dogs 2 foram abandonados. Ao mesmo tempo, o designer disse entender por que isso aconteceu.
A United Front Games operava em Vancouver, onde custos de estúdio, salários e a disputa por profissionais entre diferentes desenvolvedoras tornavam produções desse tamanho especialmente caras.
Para Cornish, portanto, não bastaria simplesmente reunir uma equipe e decidir fazer Sleeping Dogs 2. Um novo projeto teria de ser construído com muito mais cuidado em relação aos gastos.
“Nunca diga nunca no desenvolvimento de jogos. Acho que poderia acontecer, mas seria necessário um pouco de alinhamento planetário.”Alastair Cornish, designer de Sleeping Dogs
Na prática, isso significaria encontrar profissionais apaixonados pela franquia, capazes de assumir diferentes funções e, principalmente, extremamente cuidadosos na escolha de onde colocar o orçamento.
Cornish também acredita que a equipe precisaria reconhecer rapidamente quando uma ideia não está funcionando, em vez de continuar gastando dinheiro simplesmente porque aquele recurso fazia parte do planejamento inicial.
Sleeping Dogs 2 chegou a existir antes de ser cancelado
A possibilidade de uma continuação não nasceu agora. Depois do lançamento de Sleeping Dogs em 2012, uma sequência chegou a ser planejada pela United Front Games, mas o projeto acabou cancelado ainda em seus estágios iniciais.
A desenvolvedora posteriormente tentou manter o universo vivo por meio de Triad Wars, um spin-off online. O projeto chegou a passar por testes, mas também foi cancelado.
Segundo Cornish, abandonar a continuação tradicional para perseguir outro mercado com Triad Wars acabou sendo um grande erro.
A United Front Games fecharia definitivamente em 2016, tornando qualquer retorno ainda mais complicado.
Atualmente, a Square Enix ainda comercializa Sleeping Dogs: Definitive Edition, versão remasterizada que reúne o jogo original e seus conteúdos adicionais.

Um novo Sleeping Dogs não precisaria ter um mapa gigantesco
Talvez a parte mais interessante da entrevista não seja nem a possibilidade de Sleeping Dogs 2. Cornish também fez uma crítica direta a uma tendência que marcou durante anos os jogos de mundo aberto: a obsessão por produzir mapas cada vez maiores.
Segundo o designer, existiu uma espécie de corrida armamentista na indústria para descobrir quem conseguiria criar o maior mundo possível.
O problema é que tamanho não significa necessariamente conteúdo melhor. Alguns jogos, na visão de Cornish, acabam preenchendo seus mapas com atividades praticamente idênticas, colecionáveis e tarefas criadas apenas para justificar o espaço disponível.
Ele acredita que essa corrida finalmente perdeu força e que os estúdios estão voltando a produzir mundos mais concentrados.
É uma discussão especialmente atual justamente quando jogos como GTA 6 voltam a colocar o tamanho do mapa no centro da conversa. Relatos recentes indicam que o mapa de GTA 6 poderá ser aproximadamente duas vezes maior que o de GTA 5, embora a Rockstar ainda não tenha divulgado uma área oficial em quilômetros quadrados.
O próprio Overdrive também reuniu os 10 melhores jogos de mundo aberto para jogar em 2026, mostrando que alguns dos exemplos mais marcantes do gênero conquistaram jogadores não apenas pelo tamanho, mas pela maneira como usam seus mundos.
O mapa de Sleeping Dogs precisava fazer sentido para Wei Shen
É justamente aí que Cornish acredita que Sleeping Dogs acertou. O mundo aberto não existia apenas para permitir que o jogador dirigisse de uma missão para outra.
Wei Shen era um policial infiltrado nas Tríades de Hong Kong, e boa parte das atividades paralelas estava conectada à vida dupla do personagem, às gangues, às ruas e à cultura daquele universo. O resultado era um mapa comparativamente mais contido que muitos de seus concorrentes, mas extremamente reconhecível.
Mercados noturnos, ruas tomadas por letreiros de neon, corridas ilegais, academias de artes marciais, pequenas atividades e bairros muito diferentes ajudavam Hong Kong a parecer um lugar específico, e não apenas um grande espaço cheio de ícones.
Essa filosofia também aparece em alguns dos títulos que o Overdrive selecionou entre os jogos de mundo aberto que quebram as regras do gênero: às vezes, retirar sistemas ou diminuir a quantidade de conteúdo torna a exploração mais interessante.

Sleeping Dogs ainda é lembrado como alternativa a GTA
O jogo nunca alcançou a escala comercial de Grand Theft Auto, mas construiu uma reputação que sobreviveu muito além de sua geração.
Sleeping Dogs combinava direção, perseguições e liberdade de mundo aberto com um sistema de combate corpo a corpo muito mais elaborado que o encontrado na maioria dos jogos urbanos da época.
Em vez de tentar simplesmente copiar GTA, o título aproveitou referências de filmes policiais e de artes marciais de Hong Kong para criar uma identidade própria.
Por isso, Sleeping Dogs ainda aparece com frequência em listas de jogos recomendados para quem procura algo semelhante à franquia da Rockstar. O próprio Overdrive incluiu o título entre os 20 jogos de mundo aberto para jogar enquanto GTA 6 não chega.
E esse paralelo pode ficar ainda mais interessante nos próximos meses. Enquanto Sleeping Dogs continua sendo lembrado por sua cidade mais compacta, GTA 6 aposta em uma quantidade enorme de atividades paralelas, incluindo academia, mergulho, paraquedismo, basquete, corridas e passeios de barco.
Simu Liu também quer ajudar Sleeping Dogs a voltar
Há ainda outro elemento que torna o momento atual da franquia diferente dos últimos anos: Simu Liu está trabalhando ativamente para levar Sleeping Dogs ao cinema.
Em agosto de 2026, o ator informou nas redes sociais que o projeto está avançando, já possui diretor e produtora e encontrou o que ele chamou de um caminho real para sair do papel.
O obstáculo atual está justamente nas negociações envolvendo a Square Enix.
A informação foi repercutida pela Complex. O cineasta Timo Tjahjanto, conhecido por produções de ação como Nobody 2, está ligado à direção. Mais importante para os jogadores é que Liu nunca escondeu que seu objetivo vai além do cinema.
Quando revelou que estava tentando ressuscitar o projeto em 2025, o ator disse que o sonho sempre foi simples: primeiro fazer o filme e, depois, conseguir um novo jogo de Sleeping Dogs.
Isso não significa que Liu esteja produzindo Sleeping Dogs 2 ou que a Square Enix tenha planos de aprovar uma sequência. Mas existe hoje algo que a franquia não teve durante muito tempo: uma figura conhecida de Hollywood tentando demonstrar comercialmente que ainda existe público para esse universo.
Fontes: FRVR, VGC, Complex e Square Enix.


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