Garoto troca carta de Pokémon de R$ 6,4 mil; pai acusa golpe e caso termina com devolução

Rayquaza VMAX #218 com nota PSA 9 voltou ao garoto após o pai acusar outro colecionador de golpe; trader negou fraude e apresentou sua versão

Jogadores de Pokémon TCG negociam e jogam cartas em evento
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Uma troca de cartas de Pokémon que parecia encerrada com um aperto de mãos acabou se transformando em uma disputa pública durante o PokémonXP 2026, em San Francisco. O pai de um garoto acusou outro colecionador de ter se aproveitado do filho em uma negociação envolvendo um Rayquaza VMAX #218 de Evolving Skies com nota PSA 9. O outro lado negou qualquer golpe, apresentou uma versão diferente da negociação e, no fim, a troca foi desfeita.

O detalhe que ajuda a dimensionar o caso é o valor da carta. Dados recentes do mercado colocam um Rayquaza VMAX #218 PSA 9 por volta de US$ 1,2 mil, ou aproximadamente R$ 6,4 mil na cotação de 31 de agosto. Exemplares semelhantes foram negociados nos últimos dias por valores entre aproximadamente US$ 1,1 mil e US$ 1,4 mil.

Cartas de Pokémon TCG reunidas em uma coleção
Cartas de Pokémon podem movimentar milhares de reais no mercado de colecionáveis. Imagem ilustrativa: Erik Mclean/Unsplash

O que aconteceu na troca de cartas do Pokémon XP?

O caso começou a ganhar repercussão em 29 de agosto, quando Eric Bahn publicou no X que seu filho havia sido vítima do que classificou como uma negociação fraudulenta dentro do PokémonXP.

Segundo Bahn, a troca aconteceu na área destinada aos colecionadores no segundo andar do Moscone South. O pai afirmou posteriormente que o filho havia passado anos economizando dinheiro e fazendo outras trocas até chegar à carta que acabou entregando na negociação.

A carta foi identificada pelo próprio Bahn como um Rayquaza VMAX 218/203 de Evolving Skies, encapsulado e avaliado com nota 9 pela PSA. Em outra publicação, ele mostrou o item e explicou o peso que a carta tinha dentro da coleção do garoto.

O PokémonXP aconteceu entre 28 e 30 de agosto no Moscone Center, em San Francisco, junto do Pokémon World Championships 2026. A programação oficial da Pokémon reuniu fãs de videogames, Pokémon TCG, Pokémon GO e outras áreas da franquia.

Moscone Center em San Francisco, local do Pokémon XP 2026
O Moscone Center, em San Francisco, recebeu o PokémonXP e o Mundial de Pokémon de 2026. Foto: Jan Hagelskamp1/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Comunidade se mobilizou para ajudar o garoto

Depois que a história ganhou força nas redes sociais, outros integrantes da comunidade começaram a oferecer cartas e produtos ao garoto. Entre eles estava Pat Flynn, conhecido pelo canal Deep Pocket Monster, que afirmou publicamente que entraria em contato com a família.

Outros colecionadores também ofereceram cartas graduadas e pacotes. Naquele momento, porém, havia apenas a versão apresentada pelo pai sobre o que tinha acontecido durante a negociação.

Isso mudou quando o próprio homem que participou da troca apareceu.

Outro colecionador apareceu e negou ter aplicado um golpe

Em 31 de agosto, um usuário identificado como Paul afirmou ser a pessoa que havia negociado com o garoto. Em uma sequência de publicações no X, ele negou ter roubado ou enganado a criança e se ofereceu para desfazer o negócio.

A versão de Paul traz detalhes que não apareciam no relato inicial. Segundo ele, havia três conjuntos diferentes de cartas disponíveis na mesa, incluindo cartas raras e promocionais da Indonésia e itens em inglês, japonês e chinês.

Paul afirmou que explicava aos interessados que cartas em idiomas diferentes não necessariamente tinham o mesmo preço de suas equivalentes em inglês. De acordo com seu relato, o garoto teria se aproximado por iniciativa própria, discutido valores, negociado o preço e ainda pedido uma carta adicional antes de os dois encerrarem a troca com um aperto de mãos.

Esse relato é a versão de Paul e não pôde ser verificado de forma independente. Da mesma forma, as acusações feitas inicialmente pelo pai também representam a versão apresentada pela família.

Por que o idioma da carta virou parte importante da discussão?

Uma das principais divergências entre os relatos está justamente no valor dos itens entregues em troca.

No mercado de Pokémon TCG, duas cartas aparentemente iguais podem ter preços bastante diferentes dependendo de idioma, edição, número da carta, estado de conservação e empresa responsável pela graduação. Por isso, comparar apenas o personagem estampado ou a aparência da carta pode levar a avaliações muito diferentes.

Paul afirmou posteriormente que a carta entregue por ele durante a negociação era original e em indonésio. As publicações disponíveis, porém, não permitem determinar de forma independente qual era o valor exato desse item naquele momento ou se o garoto compreendeu plenamente essa diferença antes de aceitar a negociação.

Colecionador também explicou por que deixou a mesa

Outro ponto contestado foi a saída de Paul da área de trocas.

O pai havia tentado localizar novamente a pessoa envolvida depois de descobrir o que havia acontecido. Paul afirmou que não saiu do local para evitar a família.

Segundo sua versão, as mesas da área de negociação tinham períodos de aproximadamente duas horas. Depois do fim de seu horário, seria necessário entrar novamente em uma fila. Como a espera estava longa, Paul disse ter decidido sair para almoçar.

Até aqui, portanto, não há nas fontes públicas uma conclusão de autoridades ou da própria Pokémon Company classificando o episódio como fraude. O que existe são duas interpretações conflitantes de uma negociação que acabou sendo cancelada posteriormente.

Garoto recuperou o Rayquaza VMAX

O desfecho aconteceu ainda em 31 de agosto.

Bahn anunciou no X que conseguiu marcar um encontro com Paul e recuperou o Rayquaza VMAX. O pai classificou o encontro como uma situação desagradável, mas comemorou o retorno da carta para o filho.

Paul confirmou que a negociação havia sido cancelada em sua própria atualização. Ele disse que houve uma discussão durante o encontro e afirmou que pediu um pedido de desculpas pelas acusações, mas não recebeu.

Independentemente da divergência sobre quem estava certo na negociação original, existe um ponto em que as duas versões concordam: a troca foi anulada e o Rayquaza voltou para o garoto.

Quanto vale o Rayquaza VMAX envolvido no caso?

O Rayquaza citado por Bahn é uma das versões mais cobiçadas do Pokémon em Sword & Shield — Evolving Skies.

Rayquaza VMAX 218/203 de Pokémon TCG Evolving Skies
Rayquaza VMAX 218/203 de Evolving Skies. Arte: Anesaki Dynamic/The Pokémon Company

A base oficial de Pokémon identifica a carta pelo número 218/203. Ela pertence à expansão Evolving Skies, lançada em 2021, tem 320 pontos de HP e arte de Anesaki Dynamic.

No mercado de colecionáveis, a graduação altera bastante o preço. Dados consultados em 31 de agosto mostram o seguinte cenário:

InformaçãoRayquaza VMAX #218
ExpansãoEvolving Skies
Número218/203
Ano2021
Nota da carta do garotoPSA 9
Valor de mercado PSA 9Cerca de US$ 1.228
Conversão aproximada em 31/08Cerca de R$ 6,4 mil
Vendas recentes de PSA 9Aproximadamente US$ 1.137 a US$ 1.432

A própria PSA registra vendas recentes de exemplares equivalentes nessa faixa. O valor não é fixo: cartas colecionáveis podem subir ou cair rapidamente conforme oferta, procura, estado e momento do mercado.

O que está confirmado e o que ainda é versão das partes

  • Confirmado: houve uma troca envolvendo o filho de Eric Bahn durante o PokémonXP.
  • Confirmado: Bahn identificou a carta entregue pelo filho como um Rayquaza VMAX #218 PSA 9.
  • Confirmado: Paul se apresentou publicamente como a outra pessoa envolvida e ainda estava com o Rayquaza.
  • Confirmado: as partes se encontraram posteriormente e desfizeram a negociação.
  • Em disputa: se o valor e as características das cartas foram suficientemente esclarecidos antes do acordo.
  • Em disputa: se houve intenção de se aproveitar da pouca idade do garoto.
  • Não comprovado: que a carta oferecida por Paul fosse falsa. Ele afirma que era original e produzida na Indonésia.

Essa distinção é importante porque chamar uma negociação de golpe pressupõe elementos que não foram estabelecidos por nenhuma investigação pública conhecida até o momento. O episódio terminou com a anulação voluntária da troca, e não com uma decisão judicial ou conclusão oficial de fraude.

Como evitar problema ao trocar cartas Pokémon de alto valor?

Casos como esse também mostram por que negociações envolvendo cartas de centenas ou milhares de dólares exigem algumas verificações antes da troca.

  • Confira o número exato da carta e a expansão, não apenas o Pokémon retratado.
  • Verifique o idioma da impressão, já que versões de países diferentes podem ter mercados distintos.
  • Para cartas graduadas, consulte o número do certificado diretamente na PSA, CGC ou empresa responsável.
  • Compare vendas concluídas recentemente, e não apenas anúncios ainda disponíveis.
  • Em negociações de alto valor envolvendo crianças, vale ter o acompanhamento de um responsável.
  • Antes de entregar as cartas, deixe claro quais valores cada lado está atribuindo aos itens da troca.

Perguntas rápidas sobre o caso

Qual carta o garoto perdeu na troca?

Um Rayquaza VMAX 218/203 de Evolving Skies com nota PSA 9.

Quanto vale o Rayquaza VMAX PSA 9?

O valor de mercado consultado em 31 de agosto de 2026 fica próximo de US$ 1,2 mil, equivalente a aproximadamente R$ 6,4 mil pela cotação do dia. O preço varia entre negociações.

A carta recebida pelo garoto era falsa?

Não há comprovação de que fosse falsa. Paul afirmou que a carta era original e produzida na Indonésia. O valor exato dela e as condições da negociação não foram verificados de forma independente.

O garoto recuperou o Rayquaza?

Sim. Eric Bahn e Paul confirmaram publicamente que se encontraram e desfizeram a troca em 31 de agosto.

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