Tópicos
- Como funciona o câmbio de duas marchas da moto elétrica?
- Primeira marcha favorece a aceleração
- Segunda marcha busca maior eficiência
- O que significa trocar de marcha sem perder potência?
- Tecnologia tem origem em sistema usado na MotoGP
- Projeto recebeu financiamento do governo britânico
- Quando a moto elétrica de duas marchas será lançada?
- Uma segunda marcha pode aumentar a autonomia das motos elétricas?
- O câmbio de duas marchas pode se tornar comum nas motos elétricas?
- Fontes
Uma moto elétrica com duas marchas está sendo desenvolvida pela empresa britânica E-Motiv Shift Systems para combinar aceleração mais forte, eficiência energética e trocas de marcha sem interrupção da força transmitida à roda. Batizada de Demo 1, a motocicleta servirá para demonstrar a tecnologia powershift, que será apresentada na EICMA 2026, em Milão, entre 3 e 8 de novembro.
O diferencial está na transmissão. Enquanto a maioria das motocicletas elétricas utiliza uma única relação de marcha, o sistema da E-Motiv oferece duas relações de transmissão e foi projetado para manter a entrega de torque durante a troca. A proposta é favorecer tanto as arrancadas quanto o funcionamento em velocidades mais elevadas.
O projeto ainda está em desenvolvimento. A previsão é concluir o demonstrador em janeiro de 2027, quando deverão começar as primeiras avaliações com a motocicleta. Por enquanto, a empresa não apresentou números que comprovem ganhos de autonomia ou aceleração.

Como funciona o câmbio de duas marchas da moto elétrica?
Os motores elétricos conseguem entregar torque elevado desde baixas rotações e trabalhar em uma faixa relativamente ampla de velocidades. Por isso, a maioria das motos elétricas dispensa caixas de câmbio convencionais e utiliza uma relação fixa de transmissão.
A solução simplifica a mecânica, reduz componentes e evita interrupções provocadas por mudanças de marcha. Entretanto, também exige um compromisso na escolha da relação de transmissão.
Uma relação mais curta favorece a força disponível na roda durante arrancadas e subidas. Já uma relação mais longa permite trabalhar com rotações menores do motor em determinadas velocidades, o que pode melhorar a eficiência em condições específicas.
A E-Motiv pretende oferecer as duas possibilidades em um mesmo conjunto.
Primeira marcha favorece a aceleração
Na primeira relação, a transmissão multiplica mais o torque entregue à roda traseira. Isso pode melhorar a resposta da motocicleta ao acelerar a partir da imobilidade e em situações que exigem maior força, como aclives.
O benefício dependerá da relação escolhida, da potência do motor, do peso da motocicleta e da estratégia de controle eletrônico.
Segunda marcha busca maior eficiência
Quando a velocidade aumenta, a transmissão poderá utilizar uma relação mais longa. Isso permite aos engenheiros escolher uma faixa de funcionamento mais adequada para o motor elétrico em determinados regimes de velocidade e carga.
O resultado esperado é um equilíbrio melhor entre desempenho e consumo de energia. Contudo, duas marchas não garantem automaticamente maior autonomia: perdas mecânicas, peso adicional e eficiência do conjunto também precisam entrar na conta.
O que significa trocar de marcha sem perder potência?
O sistema desenvolvido pela E-Motiv recebe o nome de seamless powershift, expressão utilizada para descrever mudanças de relação sem interrupção perceptível da transmissão de força.
Em uma caixa convencional, a troca de marcha costuma exigir uma breve redução ou interrupção do torque transmitido. Na proposta da empresa britânica, a arquitetura mecânica e o controle da transmissão são projetados para manter a tração durante essa transição.
Isso pode resultar em uma aceleração mais contínua e evitar oscilações bruscas de força sentidas pelo piloto.
A fabricante também afirma que o comportamento das trocas poderá ser ajustado de acordo com o tipo de motocicleta e sua aplicação. Uma moto urbana, por exemplo, pode exigir calibração diferente daquela utilizada em uma motocicleta esportiva.
A solução precisa demonstrar esses benefícios em testes reais, especialmente em relação à suavidade das trocas, durabilidade e eficiência energética.
Tecnologia tem origem em sistema usado na MotoGP
A transmissão elétrica da E-Motiv aproveita conhecimentos desenvolvidos originalmente pela Zeroshift, empresa associada ao desenvolvimento de sistemas de seleção de marchas sem interrupção de torque.
Essa trajetória chegou ao motociclismo de competição em 2015, quando uma geração anterior da tecnologia foi integrada à Aprilia Racing RS-GP, utilizada na MotoGP.
A aplicação em motocicletas elétricas representa uma adaptação do conceito às necessidades de outro tipo de motorização.
Embora as duas aplicações compartilhem princípios de engenharia, isso não significa que o conjunto mecânico da Demo 1 seja idêntico ao utilizado nas motos de corrida. A E-Motiv ainda não divulgou todos os detalhes construtivos de sua nova transmissão elétrica.

Projeto recebeu financiamento do governo britânico
O desenvolvimento da tecnologia contou com um programa de financiamento de 1 milhão de libras, apoiado pela iniciativa governamental Innovate UK.
Entre os participantes do projeto estão a fabricante de motocicletas BSA, a Universidade de Bath e o Institute for Advanced Automotive Propulsion Systems (IAAPS), centro de pesquisa voltado a sistemas de propulsão.
A motocicleta demonstradora foi concebida com participação da consultoria britânica Envisage Group, enquanto a integração do veículo está sendo realizada nas instalações do IAAPS.
O objetivo é avaliar a transmissão em uma motocicleta funcional, verificando como ela responde ao uso real e quais benefícios oferece em comparação com alternativas de relação única.
Quando a moto elétrica de duas marchas será lançada?
A E-Motiv apresentará sua tecnologia na EICMA 2026, entre 3 e 8 de novembro, na Itália. A empresa estará no pavilhão 9, estande S79, acompanhada de parceiros envolvidos no desenvolvimento.
O demonstrador Demo 1 ainda está em construção. Segundo o cronograma divulgado pela fabricante, sua conclusão está prevista para janeiro de 2027, quando poderão ocorrer avaliações agendadas com parceiros e interessados da indústria. Os testes em condições reais estão programados para o primeiro trimestre do ano.
Até 31 de outubro de 2026, não foram anunciados preço, potência definitiva, velocidade máxima, capacidade da bateria ou autonomia homologada para a motocicleta.
Também não existe confirmação de produção comercial nem de lançamento no Brasil. A Demo 1 é, neste momento, uma plataforma de desenvolvimento tecnológico, e não um modelo disponível para compra.
Uma segunda marcha pode aumentar a autonomia das motos elétricas?
Em determinadas condições, sim. Uma transmissão com mais de uma relação pode permitir que o motor elétrico trabalhe em regiões mais eficientes de sua curva de operação, reduzindo o consumo de energia em alguns regimes de uso.
Mas o benefício precisa compensar eventuais perdas mecânicas e o peso acrescentado pela transmissão. Os resultados também variam conforme velocidade, percurso, carga transportada e características do motor.
Na prática, o ganho líquido só poderá ser medido por testes comparativos controlados. Até agora, a E-Motiv não apresentou uma porcentagem pública de aumento de autonomia que permita quantificar a vantagem.
Essa distinção é importante para consumidores. Na escolha de um veículo elétrico, a autonomia real e a eficiência energética costumam ser mais úteis do que promessas isoladas de desempenho. O comparativo de carros elétricos para motoristas de aplicativo do Overdrive mostra como consumo, bateria e utilização diária podem alterar a avaliação de um veículo.
Da mesma forma, a análise dos carros elétricos de até R$ 150 mil considera autonomia homologada e outros critérios para evitar comparações baseadas apenas em números de divulgação.
O câmbio de duas marchas pode se tornar comum nas motos elétricas?
A proposta da E-Motiv oferece uma possibilidade interessante para fabricantes que procuram extrair mais desempenho de motores elétricos sem depender exclusivamente de baterias maiores.
Entretanto, acrescentar uma segunda marcha também significa introduzir novos componentes, desafios de integração, custos de fabricação e possíveis necessidades de manutenção.
A decisão de adotar esse tipo de transmissão dependerá do resultado dos testes e da capacidade de demonstrar vantagens suficientes para justificar a complexidade adicional.
A indústria já enfrenta escolhas semelhantes ao desenvolver veículos elétricos de diferentes categorias. Questões como custo, autonomia e condições de uso também aparecem nas alternativas de financiamento de veículos elétricos e híbridos no Brasil, em que a viabilidade comercial depende de fatores que vão além da tecnologia de propulsão.
Por enquanto, a Demo 1 representa uma tentativa de ampliar as possibilidades de engenharia das motos elétricas. O ponto decisivo virá em 2027, quando os testes deverão mostrar se o câmbio de duas marchas oferece benefícios suficientes para conquistar espaço em modelos de produção.

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