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A derrota dos republicanos nas eleições americanas ganhou uma tradução bem brasileira nas redes sociais: “fizeram o L”. A hashtag #EUADidTheL, uma mistura de inglês e português que brinca com o gesto associado a Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao primeiro lugar entre os assuntos do momento no X (antigo Twitter) no Brasil nesta quarta-feira (4).
A onda de publicações começou depois de o Partido Democrata vencer as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Os adversários de Donald Trump conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, segundo projeções divulgadas pela Associated Press. No Brasil, o resultado foi recebido por apoiadores de Lula com memes, provocações ao trumpismo e referências à eleição presidencial brasileira de outubro.

O que significa #EUADidTheL?
A leitura pretendida é “os EUA fizeram o L”. A expressão recupera o “faz o L”, que se popularizou nas campanhas de Lula no Brasil, e o transforma em uma piada em inglês. Não é uma declaração de apoio formal de eleitores americanos ao presidente brasileiro. É a maneira encontrada por internautas para comemorar o avanço dos democratas e provocar os aliados de Trump.
A hashtag apareceu no topo do ranking brasileiro do X nos registros das 10h e das 11h de quarta-feira, no horário de Brasília, conforme o monitoramento de tendências da Snaplytics. O termo dividiu espaço com buscas e publicações sobre Texas, democratas e James Talarico, um dos candidatos mais comentados depois da votação.
A brincadeira ultrapassou perfis anônimos. O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), por exemplo, usou #EUADidTheL e #TheBolsonarosEffect em uma publicação na qual relacionou o resultado americano à reeleição de Lula. O comentário foi repercutido pelo Congresso em Foco.
Por que a eleição nos EUA virou motivo de comemoração?
Os americanos foram às urnas na terça-feira (3) para as midterms, as eleições de meio de mandato. A votação não escolheu o presidente, mas renovou a Câmara dos Representantes, parte do Senado e diversos governos estaduais. O resultado foi um revés para o Partido Republicano, de Trump, que perdeu o controle das duas casas do Congresso.
O Texas ajudou a dar dimensão à derrota. O democrata James Talarico venceu Ken Paxton na corrida por uma cadeira do Senado americano, encerrando quase quatro décadas sem uma vitória democrata nesse tipo de disputa no estado. Na eleição para governador, Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott e se tornou a primeira mulher latina eleita para comandar o Texas. As duas vitórias foram registradas pela Associated Press.

A virada se espalhou por outros estados e consolidou a maioria democrata em Washington. Para saber quem ganhou as eleições nos EUA e como fica o governo Trump, o Overdrive detalhou as principais disputas e o que muda no Congresso.
O que Lula e Bolsonaro têm a ver com a hashtag?
A ligação é política e, sobretudo, uma comparação feita nas redes. Lula foi reeleito presidente do Brasil no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Pouco mais de uma semana depois, a oposição a Trump saiu fortalecida das urnas nos Estados Unidos.
Foi essa sequência que alimentou a brincadeira. Nos comentários, apoiadores do presidente brasileiro passaram a comparar as derrotas eleitorais de dois campos políticos que mantêm afinidade ideológica: o bolsonarismo e o trumpismo. Outra hashtag, #TheBolsonarosEffect (“o efeito Bolsonaro”), também ganhou espaço entre os assuntos mais comentados no Brasil.

As postagens, porém, não comprovam que a eleição brasileira tenha influenciado o voto nos Estados Unidos. Os democratas também não são equivalentes ao PT, embora tenham setores progressistas. O “L” da hashtag funciona como símbolo de uma celebração política brasileira, não como descrição literal do que ocorreu nas urnas americanas.
Donald Trump perdeu a Presidência?
Não. Trump continua presidente dos Estados Unidos. A derrota foi de seu partido nas disputas legislativas e estaduais. O novo Congresso, com maiorias democratas, começa seus trabalhos em janeiro de 2027 e poderá ampliar a fiscalização sobre o governo, dificultar votações de projetos e exigir negociações com a Casa Branca.
Enquanto a composição final das cadeiras é concluída, é possível acompanhar os resultados das eleições americanas de 2026 e entender o alcance da derrota republicana. Nas redes brasileiras, por ora, a explicação mais curta continua sendo a mesma que levou a hashtag ao topo das tendências: os EUA “fizeram o L”.

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