Tópicos
- Quem ganhou as eleições nos EUA em 2026?
- Donald Trump ganhou ou perdeu as eleições?
- Como ficaram as eleições nos Estados Unidos? Veja as disputas decisivas
- Por que os democratas venceram?
- O que muda para o governo Donald Trump agora?
- Quem é o presidente dos Estados Unidos em 2026?
- Onde acompanhar o resultado completo das eleições dos EUA?
A eleição que Donald Trump tentou transformar em um teste de força de seu segundo mandato terminou com uma derrota expressiva para o Partido Republicano. Os democratas venceram as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos em 2026 e conquistaram o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado. O resultado foi confirmado pelas projeções da Associated Press e pela cobertura da Reuters na madrugada desta quarta-feira (4).
A vitória da oposição não significa, porém, que os Estados Unidos tenham escolhido outro presidente. Donald Trump continua à frente da Casa Branca. A votação de terça-feira, 3 de novembro, foi legislativa e estadual, não presidencial. Os americanos só voltarão a eleger um presidente em 2028.
A diferença é decisiva: Trump permanece no cargo, mas enfrentará, a partir de janeiro de 2027, um Congresso controlado pelos adversários. Isso pode comprometer a aprovação de projetos, aumentar a fiscalização sobre o governo e obrigar a Casa Branca a negociar com os democratas.
Quem ganhou as eleições nos EUA em 2026?
O Partido Democrata foi o vencedor da disputa pelo Congresso dos Estados Unidos. Os democratas conseguiram a maioria nas duas casas legislativas, encerrando o controle republicano que deu suporte ao governo Trump durante os dois primeiros anos de seu segundo mandato.
| Disputa de 2026 | Resultado | O que significa |
|---|---|---|
| Câmara dos Representantes | Maioria democrata projetada | Os democratas passam a controlar a pauta e as principais comissões da Câmara. |
| Senado | Maioria democrata projetada | A oposição passa a comandar a Casa que vota indicações presidenciais e participa da aprovação de leis. |
| Presidência dos EUA | Não estava em disputa | Donald Trump continua presidente; não houve eleição presidencial em 2026. |
Os americanos escolheram os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara e disputaram 35 vagas no Senado, entre eleições regulares e especiais. A Câmara exige 218 assentos para a maioria em sua composição completa. Já o Senado tem 100 integrantes, e a formação da maioria depende também dos senadores cujos mandatos não estavam em disputa neste ano.
Embora o controle das duas casas já tenha sido projetado, a contagem de votos em algumas disputas continuava na manhã de quarta-feira. Por isso, o número final de cadeiras de cada partido ainda pode mudar. Uma projeção jornalística de vencedor também não deve ser confundida com a certificação oficial dos resultados por autoridades eleitorais.
Donald Trump ganhou ou perdeu as eleições?
Trump sofreu uma derrota política, mas não perdeu a Presidência. Ele não era candidato nas eleições de 2026. Quem estava nas urnas eram candidatos ao Congresso, governos estaduais e outros cargos. Ainda assim, o presidente participou intensamente da campanha republicana e pediu aos eleitores que tratassem a votação como se o nome dele estivesse na cédula.
O resultado teve o efeito contrário ao desejado pela Casa Branca. Em estados considerados redutos conservadores e em distritos que haviam votado em Trump em 2024, candidatos democratas derrotaram republicanos. A Reuters registrou avanços democratas em diferentes regiões, enquanto a AP apontou a recuperação de distritos legislativos antes controlados por republicanos.
Na noite eleitoral, Trump afirmou nas redes sociais que não estava pessoalmente na disputa. Depois, sinalizou disposição para negociar com os democratas, embora tenha indicado que poderá vetar projetos com os quais não concorde. A postura não muda o alcance do resultado: pela primeira vez em seu atual mandato, os adversários terão maioria nas duas casas do Congresso.
Como ficaram as eleições nos Estados Unidos? Veja as disputas decisivas
O tamanho da virada fica mais claro quando se observa o mapa do Senado. Na Carolina do Norte, o democrata Roy Cooper conquistou uma cadeira antes republicana. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, e rompeu uma longa sequência de vitórias republicanas nas eleições senatoriais do estado.
Outros resultados surpreenderam pela força histórica dos republicanos nessas regiões. No Kansas, o democrata Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall; o estado não elegia um democrata ao Senado havia quase um século. Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou Darline Graham, outra candidata respaldada por Trump.
A oposição também conquistou cadeiras em Ohio, Iowa e Maine. Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown voltou a vencer uma eleição para a Casa. No Maine, Troy Jackson superou a republicana Susan Collins, encerrando sua longa trajetória no Senado. Já em Michigan, Abdul El-Sayed venceu uma disputa por uma cadeira democrata e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado americano, segundo a Reuters.
Houve ainda uma virada importante nos governos estaduais: a democrata Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott no Texas. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms venceu a disputa pelo governo estadual. Esses resultados não entram na conta de cadeiras do Congresso, mas reforçam a dimensão nacional do revés republicano.

Por que os democratas venceram?
O custo de vida foi um dos principais temas da campanha, ao lado das críticas à guerra com o Irã e de questionamentos sobre a condução do governo federal. Os democratas procuraram associar a alta de preços e as dificuldades econômicas às escolhas da administração Trump, incluindo sua política de tarifas comerciais. Os republicanos concentraram parte da campanha em temas culturais e na defesa da agenda do presidente.
Pesquisas de saída realizadas pela SSRS para um grupo de veículos americanos, entre eles a Associated Press, ajudam a dimensionar o descontentamento. Segundo os dados apresentados pela Reuters, 70% dos eleitores entrevistados disseram querer um Congresso que exercesse maior controle sobre o presidente. O levantamento também identificou forte insatisfação com os rumos do país.
Esses indicadores não explicam isoladamente todas as derrotas republicanas, mas ajudam a entender por que a mudança de voto alcançou desde áreas urbanas até regiões conservadoras nas quais Trump havia obtido margens expressivas dois anos antes.
O que muda para o governo Donald Trump agora?
O novo Congresso começa seus trabalhos em janeiro de 2027. Até lá, Trump continua presidente e os mandatos dos parlamentares atuais seguem as regras de transição previstas na Constituição americana.
Com a maioria na Câmara, os democratas poderão conduzir comissões, estabelecer prioridades legislativas e intensificar investigações sobre o governo. No Senado, terão influência decisiva sobre a análise de indicações presidenciais que exigem aprovação parlamentar, inclusive eventuais nomeações para a Suprema Corte.
Isso não significa que o presidente tenha perdido todos os seus poderes. Trump ainda poderá exercer as atribuições constitucionais da Presidência e vetar projetos. Mas a negociação com a oposição deverá se tornar parte central da agenda de Washington. Sem acordo entre os poderes, propostas sobre impostos, gastos públicos e outras questões poderão enfrentar maior resistência.
O novo equilíbrio político também interessa ao Brasil, embora não permita prever sozinho a direção do dólar ou das taxas de juros. O Overdrive já explicou como as eleições americanas podem afetar o dólar, os juros e a Selic. O efeito concreto dependerá de decisões econômicas posteriores e da reação dos mercados.
Quem é o presidente dos Estados Unidos em 2026?
Donald Trump é o atual presidente dos Estados Unidos. Ele assumiu seu segundo mandato em 20 de janeiro de 2025, depois de vencer a eleição presidencial de 2024. Seu vice-presidente é JD Vance. A vitória democrata no Congresso em novembro de 2026 não substitui nenhum dos dois.
Os mandatos presidenciais americanos têm quatro anos. Assim, a próxima eleição para escolher o presidente dos Estados Unidos será realizada em novembro de 2028, com posse do vencedor prevista para janeiro de 2029. Trump já foi eleito presidente duas vezes, em 2016 e 2024, e a 22ª Emenda da Constituição dos EUA proíbe que alguém seja eleito para a Presidência mais de duas vezes.
Se a dúvida for se houve um novo presidente eleito nos Estados Unidos em 2026, a resposta é não. O que mudou foi o controle do Poder Legislativo.
Onde acompanhar o resultado completo das eleições dos EUA?
O número final de assentos poderá ser ajustado conforme terminarem as contagens locais e os resultados forem certificados. Para conferir a evolução das disputas, o leitor pode acompanhar a cobertura eleitoral da Associated Press e as atualizações da Reuters.
Para entender por que os americanos votaram novamente apenas dois anos depois de escolher o presidente, veja o que são as midterms e como funcionam as eleições de meio de mandato. O Overdrive também detalhou a diferença entre projeções jornalísticas, apuração e resultados oficiais.
Atualizado na manhã de 4 de novembro de 2026 (horário de Brasília). As maiorias da Câmara e do Senado foram projetadas por veículos especializados; disputas individuais ainda podem ter votos em contagem, e os resultados oficiais dependem dos procedimentos de cada estado.

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