A Odisseia pode deixar uma consequência bastante previsível em quem gosta de games: a vontade de passar mais algumas horas navegando pela Grécia. Para isso, poucos jogos oferecem um mapa tão convidativo quanto Assassin’s Creed Odyssey, RPG da Ubisoft ambientado durante a Guerra do Peloponeso.
Antes de deixar Cefalônia, porém, o jogo obriga o jogador a tomar uma decisão permanente: Kassandra ou Alexios? Para uma primeira campanha, a melhor escolha é Kassandra.
Os dois personagens acessam as mesmas armas, habilidades, armaduras, romances e decisões importantes. A vantagem de Kassandra está na interpretação de Melissanthi Mahut, no encaixe com os personagens secundários e em seu papel na história oficial de Assassin’s Creed.
Kassandra e Alexios jogam da mesma forma
Escolher Kassandra não altera o combate, a exploração ou a progressão. Ela pode usar espadas, lanças, arcos e armaduras exatamente como Alexios. As árvores de habilidades também são iguais, assim como as opções de diálogo e os caminhos disponíveis nas missões.
Não existem áreas, equipamentos ou capítulos principais exclusivos para um dos protagonistas. A escolha muda quem ocupa o centro da campanha e quem assume outro papel decisivo na história.

O ponto mais perceptível está na voz. Kassandra costuma soar mais natural em conversas dramáticas, provocações e situações cômicas. Alexios possui uma interpretação mais carregada, próxima do guerreiro musculoso e espalhafatoso dos antigos filmes de espada e sandália.
Esse exagero pode funcionar para quem pretende tomar decisões agressivas e transformar o personagem em uma força bruta. Durante uma campanha tão longa, porém, a maior variedade de Kassandra pesa bastante.
Kassandra é a protagonista oficial de Odyssey
Kassandra ocupa o papel de protagonista na romantização oficial de Assassin’s Creed Odyssey. Alexios também faz parte da história, mas aparece em outra posição dentro do conflito familiar que conduz a campanha.

Jogar como Alexios continua sendo uma opção válida. O próprio jogo adapta os acontecimentos à escolha feita pelo jogador e permite concluir toda a aventura com ele. Quem procura a versão alinhada à continuidade oficial da franquia, entretanto, deve selecionar Kassandra.
A escolha também favorece a dinâmica com personagens como Barnabás, Phoibe, Sócrates e Heródoto. Kassandra alterna ironia e seriedade sem parecer que está declamando cada fala diante de um exército espartano.
Assassin’s Creed Odyssey adapta A Odisseia?
Apesar do nome, Assassin’s Creed Odyssey não adapta diretamente A Odisseia, poema atribuído a Homero e levado novamente ao cinema. O jogador não controla Odisseu nem acompanha sua viagem de retorno a Ítaca.
A conexão está na estrutura de uma longa jornada pela Grécia, com travessias marítimas, ilhas, cidades, conflitos familiares e encontros com figuras ligadas à mitologia. O jogo usa esse imaginário para contar uma história própria dentro da franquia Assassin’s Creed.

Quem chegou ao game por causa do filme encontrará uma Grécia feita para ser explorada com calma. Há batalhas navais, ruínas, templos, ilhas e missões espalhadas por um mapa enorme. É outra história, mas compartilha o mesmo gosto por viagens demoradas e problemas encontrados no caminho.
Para começar essa jornada, fique com Kassandra. Alexios não perde conteúdo nem habilidades, porém ela sustenta melhor as dezenas de horas de diálogos e ocupa o lugar de protagonista na história oficial.
Kassandra existiu na mitologia grega?

O nome Kassandra também aparece na mitologia grega, mas a personagem de Assassin’s Creed Odyssey não adapta essa figura diretamente.
Nas lendas, Cassandra era filha do rei Príamo e da rainha Hécuba, de Troia. Ela recebeu de Apolo o dom de prever o futuro, mas foi condenada a nunca ser acreditada. Suas profecias anteciparam acontecimentos ligados à queda da cidade e ao destino de seus habitantes.
A Kassandra da Ubisoft tem outra origem. Ela é uma mercenária espartana criada para a história de Odyssey, ligada à família de Leônidas e ao conflito contra o Culto do Kosmos. O jogo aproveita um nome conhecido da tradição grega, mas constrói uma heroína própria.
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