Lançado junto com o Xbox One, em novembro de 2013, Ryse: Son of Rome foi pensado como muito mais do que um título de estreia para o console. Segundo ex-integrantes da Crytek, o projeto seria o primeiro capítulo de uma franquia que passaria por diferentes épocas da história, em uma proposta comparada internamente ao papel que Assassin’s Creed desempenha para a Ubisoft.
Em entrevista à IGN, antigos desenvolvedores do estúdio contaram que a ideia era criar uma série conectada por uma mesma linha narrativa, deixando a Roma Antiga para explorar outros cenários históricos. O objetivo também era produzir jogos mais longos e com maior liberdade do que a campanha de aproximadamente seis horas do primeiro título.
Crytek queria levar a série para novos períodos históricos após Ryse: Son of Rome
Os planos da Crytek iam além de uma sequência ambientada novamente em Roma. A equipe discutia jogos que se passariam em locais como Grécia e Japão, além de outras civilizações marcantes da história. A proposta era usar cada capítulo para mostrar o nascimento, a expansão e o declínio de grandes impérios.
Peter Gornstein, diretor de arte de Ryse: Son of Rome, revelou que tinha especial interesse em desenvolver um jogo inspirado na era dos vikings. Embora esse fosse um dos cenários favoritos dentro do estúdio, nenhuma direção chegou a ser definida oficialmente antes de o projeto perder força.
As sequências também ampliariam a estrutura vista em Ryse: Son of Rome. A intenção era criar mapas mais extensos, oferecer mais opções ao jogador durante a campanha e manter o combate como elemento central da experiência. Os elementos sobrenaturais apresentados no primeiro jogo também continuariam fazendo parte da franquia.
Cortes e impasse impediram a continuidade
Antes mesmo do lançamento, a Crytek precisou reduzir parte da ambição original do projeto. De acordo com os desenvolvedores, as longas jornadas de trabalho para cumprir o prazo de estreia do Xbox One obrigaram a equipe a cortar conteúdos importantes, resultando em uma campanha bem menor do que a planejada inicialmente.
Mesmo assim, a Microsoft demonstrou interesse nas ideias apresentadas para uma sequência. As conversas, porém, acabaram esfriando por causa da propriedade intelectual da franquia.
Segundo os ex-funcionários da Crytek, a empresa não queria vender nem ceder os direitos de Ryse, enquanto a Microsoft não tinha interesse em financiar uma série que não controlava. O impasse nunca foi resolvido e os planos acabaram sendo deixados de lado.
Apesar de o jogo ter vendido abaixo das expectativas e recebido avaliações mistas na época do lançamento, os próprios desenvolvedores afirmam que esses fatores não foram os principais responsáveis pelo desaparecimento da franquia. Sem acordo entre as duas empresas, Ryse: Son of Rome permaneceu como um projeto isolado, sobrevivendo ao longo dos anos graças à retrocompatibilidade no Xbox e à versão para PC lançada em 2014.

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