Hideo Kojima relativiza IA após críticas por vídeo gerado para a Prada

Diretor de Death Stranding apareceu em peça gerada por inteligência artificial e disse que humanos ainda precisam estar no centro da criação artística

Hideo Kojima relativiza IA após críticas por vídeo gerado para a Prada
TÓPICOS

Hideo Kojima voltou a falar sobre inteligência artificial após receber críticas por aparecer em um vídeo gerado por IA para a Prada. O diretor de Death Stranding e criador de Metal Gear participou de uma peça de 90 segundos do Prada Mode ao lado do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn.

No vídeo, Kojima e Refn aparecem chegando de nave espacial ao Chelsea Hotel, em Nova York, depois de um pouso forçado em um planeta e uma fuga de uma criatura alienígena. A peça chamou atenção nas redes sociais, mas também gerou reação negativa de parte dos fãs, que criticaram o uso de IA generativa em uma obra ligada a artistas conhecidos.

Kojima diz que IA ainda não substitui a arte humana

Em entrevista ao The Washington Post, Kojima disse que “não tem interesse” em IA como substituta da criação artística. Segundo ele, a arte está ligada à vida humana, e uma inteligência artificial ainda não chegaria a esse ponto no tempo que ele acredita acompanhar.

“A arte é vida. Mas, daqui a 50, 100 anos, não sei. Talvez a IA possa criar arte, mas enquanto eu viver, não acho que a verei. Não me interessa”, afirmou Kojima.
Kojima.

O diretor também defendeu que a tecnologia pode encontrar bons usos, desde que humanos continuem participando do processo criativo. Ainda segundo o jornal, Kojima comparou a IA a uma espécie de “faxineira” para tarefas criativas, mas destacou que pessoas precisam permanecer na sala onde a arte é feita.

Fala recente contrasta com comentários anteriores

A repercussão do vídeo também fez antigos comentários de Kojima sobre IA voltarem à tona. Em entrevistas anteriores, o diretor já havia demonstrado interesse em usar a tecnologia em sistemas de gameplay, especialmente para criar comportamentos mais dinâmicos.

Em dezembro, ele disse à CNN que achava mais interessante aplicar IA em sistemas de controle do que na criação visual. A ideia seria permitir inimigos capazes de reagir às ações, padrões e experiências do jogador, criando uma jogabilidade mais profunda.

Kojima também já havia dito à Wired Japan que enxergava um futuro no qual poderia criar “em conjunto com a IA”, chegando a chamar a tecnologia de “amiga” em um contexto de aumento de eficiência.

As falas mostram que o diretor não rejeita completamente a tecnologia. A diferença parece estar no uso. Kojima demonstra interesse em IA como ferramenta de apoio, especialmente em sistemas e processos, mas agora tenta se afastar da ideia de que a tecnologia possa ocupar o lugar da criação artística humana.

Participação em vídeo da Prada gerou críticas

A reação dos fãs veio justamente porque Kojima é visto como um autor muito ligado à expressão pessoal, à direção cinematográfica e à defesa de novas formas de criação em games. Por isso, sua presença em uma peça gerada por IA causou estranhamento em parte do público.

Nas redes sociais, alguns fãs criticaram o teaser e questionaram por que Kojima aceitaria participar de um projeto com esse tipo de tecnologia. Até o momento, ele não comentou diretamente a reação negativa ao vídeo da Prada.


Games no seu e-mail

Grátis, toda semana: lançamentos, análises e as promoções que valem a pena.

Leia também

Games 1.029 matérias

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios.

Ainda sem comentários. Puxe o primeiro assunto.

Mais de Games

Ver mais

Reviews recentes

Todas as reviews

Explore o Overdrive