A quinta-feira (10) resumiu bem o momento da PlayStation. De madrugada, Hideo Kojima contou que a Sony avisou em junho que cancelaria Physint e que o jogo só sobreviveu porque a Xbox aceitou assumir a publicação. Ao meio-dia, caíram as análises de Marvel’s Wolverine, a maior aposta exclusiva do PS5 em 2026, e a média no Metacritic ficou na casa dos 78, a pior de um jogo da Insomniac desde que o estúdio foi comprado pela Sony, em 2019.
Nenhuma das duas notícias ameaça o posto do PS5. O console chegou a 95,3 milhões de unidades vendidas até 30 de junho de 2026. A Microsoft não divulga quantos Xbox Series X|S vendeu, mas as estimativas de mercado giram em torno de 35 milhões. É uma liderança folgada, construída numa geração que pouca gente deve lembrar com saudade.
O PS5 nasceu no meio da pandemia e passou boa parte da vida com uma lista curta de jogos que só rodam nele. A Sony gastou fortunas com jogos como serviço que não vingaram e fechou estúdios queridos pelos fãs, um histórico que já coloca em xeque o comando de Hermen Hulst nos estúdios da PlayStation. O console, que a essa altura deveria estar mais barato, custa hoje mais do que no dia do lançamento. Para entender como uma empresa tropeça tanto e ainda termina tão à frente, é preciso olhar também para o outro lado da disputa.
O PS5 ganhou com folga, mas sem festa
Em vendas, a vantagem da Sony é difícil de contestar. No fim de novembro de 2025, as estimativas da VGChartz davam ao PS5 71,6% das vendas somadas dele com o Xbox Series X|S. Os números oficiais da Sony, que contam as unidades enviadas ao varejo, mostram um console que passou dos 19 milhões por ano fiscal no auge e que chegou a 95,3 milhões em junho de 2026.
| Ano fiscal da Sony | Período | PS5 vendidos | Total acumulado |
|---|---|---|---|
| 2020 | nov/2020 a mar/2021 | 7,8 milhões | 7,8 milhões |
| 2021 | abr/2021 a mar/2022 | 11,5 milhões | 19,3 milhões |
| 2022 | abr/2022 a mar/2023 | 19,1 milhões | 38,4 milhões |
| 2023 | abr/2023 a mar/2024 | 20,8 milhões | 59,2 milhões |
| 2024 | abr/2024 a mar/2025 | 18,5 milhões | 77,7 milhões |
| 2025 | abr/2025 a mar/2026 | 16 milhões | 93,7 milhões |
| 2026 (1º trimestre) | abr/2026 a jun/2026 | 1,6 milhão | 95,3 milhões |
Vendas do PS5 por ano fiscal. Fonte: relatórios financeiros da Sony (unidades enviadas ao varejo)
A curva, porém, nunca repetiu o fôlego do antecessor. O PS5 está 4,9 milhões de unidades atrás do PS4 no mesmo ponto do ciclo, e o PS4 ainda contou com cortes de preço ao longo da vida. Entre janeiro e março de 2026, a Sony teve o pior trimestre da história do console, com 1,5 milhão de unidades. Entre abril e junho, foram 1,6 milhão, queda de 36% sobre o mesmo período de 2025.
A Nintendo ocupa o espaço que sobra. O Switch 2 passou de 23,68 milhões de unidades em pouco mais de um ano e foi o console mais vendido dos Estados Unidos em 2026 até maio, em unidades e em faturamento, segundo a Circana. A liderança da Sony vale para a briga direta com a Xbox. Nas lojas, o momento é do Switch 2, e o Overdrive já fez a conta para saber se o console da Nintendo vale os R$ 4.599,90 cobrados no Brasil.
A geração demorou a começar
O PS5 chegou às lojas em novembro de 2020, com a pandemia em curso e falta de chips no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, custava US$ 499,99 com leitor de disco. No Brasil, depois do corte do IPI, saiu por R$ 4.699. Conseguir um aparelho em 2021 exigia paciência com estoques que sumiam em minutos, e o segundo ano fiscal do console fechou em 11,5 milhões de unidades, bem abaixo do que a Sony venderia quando a produção se normalizou.
A escassez empurrou a Sony para o caminho mais seguro. Horizon Forbidden West e God of War Ragnarok, os dois maiores lançamentos da casa em 2022, também saíram para PS4, onde estava a maior parte dos jogadores. A decisão fazia sentido comercial, só que tirou do PS5 a chance de mostrar cedo o que tinha de diferente.
E o que ele tinha de diferente estava mais no controle e no armazenamento do que na tela. O DualSense, com gatilhos adaptáveis e vibração detalhada, e o SSD, que praticamente acabou com as telas de carregamento, foram as mudanças que o jogador sente na prática. Nos gráficos, o salto sobre um PS4 Pro existe, mas raramente foi do tipo que faz alguém aposentar o console antigo no dia seguinte.
O preço dos jogos subiu junto. Demon’s Souls, remake lançado com o PS5, custava US$ 69,99 nos EUA e ajudou a transformar os US$ 70 no novo padrão dos jogos AAA. Uma fatia visível do catálogo próprio também olhou para trás: The Last of Us Part I refez em 2022 um jogo de 2013, The Last of Us Part II Remastered voltou em 2024 com um jogo de 2020, e Horizon Zero Dawn Remastered repetiu a receita no mesmo ano. Em fevereiro de 2026, a Sony ainda revelou um remake da trilogia grega de God of War. A Naughty Dog chega ao sexto ano do PS5 sem ter lançado um jogo inédito para o console.
Pouca coisa só existe no PS5
Durante a maior parte da geração, a Sony levou seus jogos para o PC. A estratégia começou com Horizon Zero Dawn em 2020 e virou rotina com God of War, Marvel’s Spider-Man, The Last of Us Part I e Ghost of Tsushima. Somada aos jogos de outras empresas que saem em todas as plataformas, essa política deixou curta a lista do que só dá para jogar no console. Em fevereiro de 2026, um levantamento da Game Rant encontrou apenas nove títulos disponíveis exclusivamente no PS5.
Houve jogo muito bom nesse meio tempo. Astro Bot ganhou o prêmio de Jogo do Ano no The Game Awards 2024. Returnal e Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão mostraram cedo o que o hardware sabia fazer, Ghost of Yōtei foi um dos destaques de 2025 e Saros, da Housemarque, saiu em abril de 2026 com média 88 no Metacritic. O problema está no ritmo. Entre um grande lançamento próprio e outro, quem comprou o PS5 pelos exclusivos passou longos períodos jogando o que também estava no Xbox e no PC.
Em 2026, a Sony mudou de ideia. A Bloomberg revelou em março que a empresa tinha desistido de levar Ghost of Yōtei e outros jogos internos ao PC. Em maio, Hermen Hulst confirmou aos funcionários que os jogos narrativos para um jogador feitos pelos estúdios da PlayStation voltam a ser exclusivos. Os jogos como serviço seguem saindo em outras plataformas.

O primeiro grande teste dessa fase teve recepção morna. Marvel’s Wolverine chega em 15 de setembro com notas bem abaixo das que a Insomniac recebeu pelos jogos do Homem-Aranha. Era justamente o lançamento que deveria provar que a volta aos exclusivos vale a aposta.
A aposta em jogos como serviço saiu cara
Enquanto boa parte do público pedia mais jogos single player, a PlayStation anunciou em 2022 a meta de ter pelo menos dez jogos como serviço no ar até 2026. O sucesso de Helldivers 2, em 2024, parecia dar razão à estratégia. Concord mostrou o risco: o jogo de tiro da Firewalk Studios foi lançado em 23 de agosto de 2024 e teve os servidores desligados em 6 de setembro, com reembolso para quem comprou. Em outubro, a Sony fechou a Firewalk e também a Neon Koi, estúdio de jogos mobile, numa decisão que afetou 210 pessoas.
Os cortes não pararam ali. Em janeiro de 2025, a empresa cancelou projetos de jogos como serviço da Bend Studio e da Bluepoint Games, que trabalhava num multiplayer de God of War. Pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 2026, a Sony anunciou o fechamento da própria Bluepoint, responsável pelos remakes de Demon’s Souls e Shadow of the Colossus. Cerca de 70 pessoas perderam o emprego, e o estúdio não lançou nenhum jogo completo depois de ser comprado, em 2021.

A conta mais alta veio da Bungie, adquirida por US$ 3,6 bilhões em 2022. No ano fiscal encerrado em março de 2026, a Sony registrou 120,1 bilhões de ienes em perdas por desvalorização ligadas ao estúdio, cerca de US$ 765 milhões. Marathon, lançado em 5 de março de 2026, foi bem recebido pela crítica, mas a própria Sony admitiu que o jogo não atingiu as metas de vendas e de jogadores. Em junho, a empresa demitiu a maior parte da equipe de Destiny.
A ressaca chegou até a Guerrilla. Segundo a Bloomberg, o estúdio começou em junho a refazer Horizon Hunters Gathering, cooperativo online anunciado em fevereiro, para tirar os elementos de jogo como serviço depois de testes com retorno negativo.
Um console que encareceu com a idade
Por décadas, videogame seguiu uma regra simples: fica mais barato com o tempo. Segundo o Kotaku, um PlayStation costumava custar cerca de metade do preço de lançamento quando chegava à metade da geração. O PS5 fez a curva andar para o lado contrário.

Nos Estados Unidos, o modelo com leitor de disco passou de US$ 499,99 para US$ 549,99 em agosto de 2025 e chegou a US$ 649,99 em abril de 2026. A Edição Digital foi para US$ 599,99, e o PS5 Pro, para US$ 899,99. No fim de agosto, o Pro seguia com esse preço na loja oficial da Sony nos EUA, mesmo esgotado em parte do varejo americano. No Brasil, o reajuste de abril levou o PS5 com leitor de disco de R$ 4.499,90 para R$ 5.099,90, acima dos R$ 4.699 cobrados no lançamento, e o PS5 Pro para R$ 7.499,90. Para quem está na dúvida entre os modelos, o Overdrive tem um comparativo entre PS5 e PS5 Pro.
A Sony citou pressões da economia global. Na avaliação de analistas, o que pesa é a memória: a demanda de data centers de inteligência artificial fez disparar o preço dos chips de RAM, e Piers Harding-Rolls, da Ampere Analysis, afirmou que a Sony operava com acordos de preço fixo com fornecedores que expiraram.
O efeito apareceu nas lojas. Em maio de 2026, as vendas de PS5 nos Estados Unidos caíram 58% em unidades na comparação anual, e o hardware da PlayStation teve o pior mês de maio desde 2000, quando só o primeiro PlayStation estava à venda, segundo a Circana. O preço médio pago por um PS5 no mês chegou a US$ 672.
A Xbox está em situação pior. Desde 1º de agosto, o Xbox Series X com leitor de disco custa US$ 799,99 nos Estados Unidos, e a Microsoft avisou que os preços de memória e armazenamento para consoles subiram mais de 2,5 vezes e podem dobrar de novo até o segundo semestre de 2027. Em maio, antes desse reajuste, o Xbox já tinha registrado o pior mês de maio de sua história em unidades vendidas no país. O Overdrive detalhou os novos preços do Xbox Series X|S.
A Xbox saiu da briga antes do fim
Se a Sony errou tanto e ainda lidera com folga, boa parte da explicação está na Microsoft. Sob Phil Spencer, a Xbox colocou o Game Pass no centro da estratégia e, a partir de 2024, começou a lançar seus jogos em consoles concorrentes. Forza Horizon 5 e Gears of War: Reloaded chegaram ao PS5 em 2025. Em 28 de julho de 2026, Halo: Campaign Evolved virou a primeira campanha principal de Halo lançada num console da Sony, depois de 25 anos de exclusividade. O Overdrive analisou o remake e comparou como ele roda no PS5 e no Xbox.

Para o consumidor, a mensagem foi fácil de entender. Se os jogos da Xbox chegariam ao PS5 cedo ou tarde, e o PS5 já recebia praticamente todo o resto, o motivo para comprar um Series X|S encolheu. As estimativas de mercado mostram as vendas do console da Microsoft despencando a partir de 2024.
Spencer anunciou a aposentadoria em fevereiro de 2026, depois de 38 anos na Microsoft, e Asha Sharma assumiu a divisão. Vinda da área de inteligência artificial da empresa, a nova CEO abriu a gestão com um diagnóstico duro em memorando: a Xbox gastou US$ 20 bilhões em cinco anos, sem contar a compra da Activision Blizzard, enquanto a receita encolheu quase meio bilhão de dólares no período. Em julho, veio o anúncio de cerca de 3.200 demissões, perto de 20% da equipe, e a saída de estúdios como Double Fine, Compulsion Games, Undead Labs e Ninja Theory do grupo.
A estratégia também deu meia-volta. No Xbox Games Showcase de junho, Sharma anunciou que Gears of War: E-Day, marcado para 6 de outubro, e Clockwork Revolution, previsto para 2027, serão exclusivos dos consoles Xbox, com versão para PC. A empresa avisou que essa exclusividade não tem prazo para acabar. Em entrevista, a executiva disse que a Xbox é a segunda maior publicadora do mundo e precisa de alcance, mas que uma plataforma precisa de conteúdo exclusivo. A mudança faz sentido, só que chega tarde para esta geração. Com o Series X a US$ 799,99, é difícil imaginar uma virada de vendas antes do próximo console.
O lucro da Sony está na PlayStation Store
Se o hardware perdeu força, o caixa da PlayStation não sentiu. No ano fiscal encerrado em março de 2026, a divisão de games da Sony teve lucro operacional recorde de 463,3 bilhões de ienes, cerca de US$ 2,9 bilhões e alta de 12%, mesmo com a baixa contábil da Bungie. No trimestre seguinte, com menos PS5 vendidos, o lucro subiu 37%, ajudado por reembolsos de tarifas nos Estados Unidos e pelo câmbio.
A razão aparece nos documentos da própria empresa. Jogos e serviços de rede já respondem por mais de dois terços da receita da divisão, e a Sony afirma que a base de jogadores somada de PS4 e PS5 reduziu a dependência do ciclo de hardware. Grandes franquias com jogos como serviço e lançamentos anuais formam boa parte da receita da PlayStation Store. A PlayStation Network teve média de 125 milhões de usuários ativos por mês no trimestre encerrado em junho, e 82% das compras de jogos foram digitais.
Essa base explica boa parte da liderança. O PS5 herdou do PS4 uma multidão de jogadores com amigos, troféus e bibliotecas digitais presos à mesma conta. Esse público continuou gastando dentro do ecossistema mesmo nos anos de poucos lançamentos próprios, e trocar de marca ficou caro e trabalhoso para quem já tinha anos de compras na PSN.
A mesma lógica aparece em decisões que irritaram parte dos jogadores. Em 1º de julho, a Sony anunciou que novos jogos lançados a partir de janeiro de 2028 não terão mais versão em disco, o que motivou até um boicote organizado por jogadores, o PSBlackout. GTA 6, o lançamento mais aguardado da década, terá edição física sem disco, e a caixa vendida nas lojas traz apenas um código para download.

GTA 6, PS6 e o que ainda pode mudar
GTA 6 chega em 19 de novembro de 2026 para PS5 e Xbox Series X|S, sem versão para PC anunciada, e deve ser o maior empurrão de vendas de console do ano. Faltam 4,7 milhões de unidades para o PS5 alcançar os 100 milhões, e a Sony já avisou que vai planejar a produção do console no atual ano fiscal conforme a quantidade de memória que conseguir comprar a preços razoáveis. Quem ainda vai escolher onde jogar pode conferir o guia do Overdrive sobre qual console comprar para GTA 6.
O PS6 ainda não tem data. Em fevereiro, a Bloomberg informou que a Sony considera adiar o lançamento para 2028 ou 2029 por causa da crise da memória. Se isso se confirmar, será o maior intervalo entre duas gerações de PlayStation, e a empresa vai precisar de jogos para segurar o PS5 por mais tempo. O próximo grande teste dos estúdios internos é God of War Laufey, marcado para 16 de fevereiro de 2027.
A volta dos exclusivos é a principal carta da Sony para esse período, mas o caso Physint mostra que a empresa também está escolhendo onde não quer gastar. O jogo de espionagem de Kojima, anunciado com festa num State of Play em 2024, agora vai sair pela Xbox. O Overdrive detalhou por que a Sony cancelou Physint e como a Xbox assumiu o projeto.

A geração do PS5 termina com a Sony no topo e pouca coisa marcante pelo caminho. O console vendeu muito e rendeu à divisão o maior lucro de sua história, enquanto a Xbox praticamente abandonou a disputa por hardware. Faltou o que costumava definir um PlayStation: uma sequência de jogos que só existem ali e que convencem alguém a comprar o aparelho. Pelas decisões de 2026, a Sony sabe disso. O desafio é chegar ao PS6 com esses jogos prontos.
Perguntas frequentes
Quantos PS5 foram vendidos?
Até 30 de junho de 2026, a Sony vendeu 95,3 milhões de unidades do PS5 no mundo, considerando os aparelhos enviados ao varejo. Só entre abril e junho de 2026 foram 1,6 milhão.
Quantos Xbox Series X|S foram vendidos?
A Microsoft não divulga o número oficial. Estimativas da VGChartz apontavam cerca de 34,1 milhões de unidades no fim de 2025, e outros levantamentos colocam o total acima de 35 milhões no início de 2026.
O PS5 já vendeu mais que o PS4?
Ainda não. O PS5 está 4,9 milhões de unidades atrás do PS4 na mesma fase da vida, e o PS4 terminou a carreira com cerca de 117 milhões de unidades.
Por que o PS5 tem poucos exclusivos?
Durante a maior parte da geração, a Sony lançou seus jogos também para PS4 e, depois, para PC, além de investir em remasters e em jogos como serviço multiplataforma. Em maio de 2026, a empresa confirmou que seus jogos narrativos para um jogador voltam a ser exclusivos do PlayStation.
Por que o PS5 ficou mais caro?
A Sony aumentou os preços em vários mercados em 2025 e fez um novo reajuste global em abril de 2026, que incluiu o Brasil. O principal fator apontado por analistas é o custo dos chips de memória, que disparou com a demanda de data centers de inteligência artificial.
Quando o PS6 será lançado?
A Sony não anunciou data. Segundo a Bloomberg, a empresa considera lançar o PS6 em 2028 ou 2029 por causa da alta no preço da memória.
A Sony vai parar de vender jogos em disco?
Para lançamentos novos, sim. A partir de janeiro de 2028, novos jogos de PlayStation serão vendidos apenas em formato digital. Jogos lançados em disco antes dessa data não são afetados.



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