O PlayStation 4 ganhou uma implementação experimental do AMD FidelityFX Super Resolution 1, o FSR 1, mais de uma década depois do lançamento do console. O projeto foi criado pelo desenvolvedor conhecido como MultiversalShadow e também inclui um modelo próprio de aprimoramento de imagem capaz de funcionar diretamente no hardware do PS4.
A novidade foi apresentada na comunidade PS4 Homebrew no Reddit. Segundo o responsável, a ideia inicial era disponibilizar o sistema apenas para Windows e Linux, mas os testes acabaram mostrando que tanto o modelo próprio quanto uma implementação inicial do FSR 1 poderiam funcionar no PlayStation 4.
O projeto ainda está em desenvolvimento e não possui uma versão pública para download. Também não se trata de uma atualização oficial da Sony ou da AMD: a tecnologia está sendo desenvolvida para a comunidade homebrew e, portanto, depende de um PS4 compatível com esse tipo de software.
Como o FSR 1 funciona no PS4?
Um dos pontos mais interessantes do projeto é que a implementação foi desenvolvida para funcionar em nível de sistema. Em resposta a usuários da comunidade, MultiversalShadow explicou que não precisa modificar e testar individualmente cada jogo para que o processamento de imagem seja aplicado.
Segundo o desenvolvedor, o recurso pode funcionar em jogos e aplicativos do PS4. Um aplicativo homebrew separado permite escolher em quais títulos o processamento deve ficar ativo.
Isso diferencia a proposta de muitos patches criados para consoles modificados, que precisam ser desenvolvidos especificamente para cada jogo. Neste caso, o objetivo é fazer o tratamento da imagem de maneira mais ampla.
A demonstração chamou atenção principalmente pelo aumento aparente de nitidez. Ainda assim, é importante separar melhoria de imagem de aumento de desempenho: o FSR 1 não é uma tecnologia de geração de quadros e, sozinho, não transforma automaticamente um jogo de 30 FPS em 60 FPS.
O que é o AMD FSR 1?
O FidelityFX Super Resolution 1 foi apresentado pela AMD em 2021 como uma solução de upscaling espacial. Em vez de depender de inteligência artificial ou de informações de quadros anteriores, como acontece em tecnologias mais modernas, o algoritmo trabalha sobre a imagem atual.
A própria documentação da AMD sobre o FSR 1 explica que a tecnologia utiliza dois estágios principais. O primeiro é o EASU, ou Edge-Adaptive Spatial Upsampling, responsável por ampliar a imagem e reconstruir bordas. Depois entra o RCAS, ou Robust Contrast-Adaptive Sharpening, que aplica nitidez adaptativa para recuperar detalhes.
Por ser uma solução espacial e relativamente leve, o FSR 1 possui compatibilidade muito mais ampla do que técnicas modernas baseadas em machine learning. A AMD também disponibilizou o código sob licença MIT e afirma que a tecnologia pode ser portada para diferentes plataformas.
O Game Overdrive já mostrou outras aplicações da tecnologia da empresa. Red Dead Redemption 2 recebeu suporte ao AMD FSR 2.2 no PC, enquanto Ghost of Tsushima: Director’s Cut chegou aos computadores com FSR 3, além de DLSS e XeSS.
FSR 1 pode fazer jogos do PS4 rodarem a 60 FPS?
Não necessariamente. A implementação apresentada por MultiversalShadow é voltada principalmente ao processamento e aprimoramento da imagem. Não existe, até o momento, um benchmark público mostrando que o plugin sozinho consegue dobrar a taxa de quadros de jogos limitados a 30 FPS.
FSR e aumento de FPS podem estar relacionados quando um jogo é renderizado internamente em uma resolução menor e depois reconstruído para a resolução de saída. Nesse cenário, a GPU precisa processar menos pixels e pode utilizar a margem de desempenho para buscar uma taxa de quadros superior.
Isso, porém, depende da maneira como cada jogo trabalha. Um título com limite fixo de 30 FPS não passa automaticamente para 60 FPS apenas porque um filtro de super-resolution foi ativado.
Na comunidade, usuários destacaram o potencial de combinar o sistema com patches não oficiais de 60 FPS no PS4 Pro. São projetos separados: um pode alterar limites de desempenho de determinados jogos, enquanto o FSR atua sobre a imagem exibida.
Projeto também pode ser interessante para o PS4 Pro
O PS4 Pro aparece como um dos candidatos mais interessantes para aproveitar o projeto. Lançado em 2016, o modelo possui uma GPU consideravelmente mais potente do que a encontrada no PS4 original e já utilizava técnicas de reconstrução de imagem em diversos jogos para alcançar resoluções mais altas.
Uma solução de super-resolution funcionando em nível de sistema poderia abrir novas possibilidades para a comunidade de modificações, principalmente em títulos que renderizam abaixo da resolução de saída ou possuem patches de desempenho desenvolvidos por fãs.
Isso não significa que todos os jogos apresentarão resultados melhores. Como o projeto ainda está em fase experimental, qualidade de imagem, estabilidade, compatibilidade e custo de processamento precisam ser avaliados em uma variedade maior de situações.
FSR 1 no PS4 ainda não tem data de lançamento
Apesar da demonstração, MultiversalShadow ainda não disponibilizou o plugin publicamente. O desenvolvedor afirmou que pretende liberar o projeto quando considerar a implementação completamente pronta.
Ele também respondeu a uma pergunta sobre levar ao console algo semelhante ao Lossless Scaling, ferramenta conhecida no PC por oferecer diferentes técnicas de escalonamento e geração de quadros. O desenvolvedor disse estar experimentando possibilidades nessa direção, mas ressaltou que não há garantia de que conseguirá fazer o recurso funcionar.
Por enquanto, portanto, o FSR 1 no PS4 deve ser tratado como um projeto experimental da comunidade homebrew, e não como um novo recurso oficial do console. Mesmo assim, ver uma tecnologia de reconstrução de imagem sendo adaptada ao PlayStation 4 mais de 12 anos após sua estreia mostra como o hardware ainda continua rendendo experiências inesperadas nas mãos da comunidade.
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