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O Nintendo Switch 2 perdeu parte do ritmo que marcou seu primeiro ano nas lojas. A Nintendo informou nesta quinta-feira (5) que vendeu 6,49 milhões de unidades do console entre abril e setembro de 2026, uma queda de 37,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar da desaceleração, o aparelho segue bem à frente do Switch original quando se compara o mesmo estágio de vida das duas plataformas.
O novo balanço financeiro mostra que o Switch 2 já alcançou 26,35 milhões de unidades em todo o mundo. O número considera as vendas acumuladas até 30 de setembro e mantém a plataforma à frente tanto de seu antecessor quanto do PlayStation 5 em períodos equivalentes após o lançamento.
A queda, portanto, não significa que o console esteja vendendo mal. Ela revela uma mudança de ritmo depois de uma estreia excepcional, em um mercado no qual a Nintendo passou a cobrar mais caro pelo hardware e precisa convencer novos consumidores a fazer a troca de geração.
Por que as vendas do Nintendo Switch 2 caíram 37%?
A explicação começa pela base de comparação. Entre abril e setembro de 2025, o Switch 2 vendeu 10,36 milhões de unidades. Naquele semestre, o console chegou às lojas em junho, impulsionado por anos de expectativa e pelos consumidores que aguardavam o sucessor do primeiro Switch.
No mesmo intervalo de 2026, foram 6,49 milhões de unidades, ou 3,87 milhões a menos. Apenas entre julho e setembro, a Nintendo registrou 2,67 milhões de consoles, abaixo dos 3,82 milhões contabilizados de abril a junho.
Os números aparecem no relatório financeiro oficial divulgado pela Nintendo. A empresa utiliza o conceito de sell-in, que contabiliza unidades destinadas ao varejo e vendas feitas por seus canais diretos. Não se trata exclusivamente de consoles comprados pelo consumidor final nas lojas.
| Indicador | Abr.–set. 2025 | Abr.–set. 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Switch 2 (consoles) | 10,36 milhões | 6,49 milhões | -37,4% |
| Switch 2 (jogos) | 20,62 milhões | 24,49 milhões | +18,8% |
| Switch original (consoles) | 1,89 milhão | 1,27 milhão | -32,7% |
A desaceleração já fazia parte das projeções da companhia. Em maio, a Nintendo havia alertado que o segundo ano do Switch 2 provavelmente teria vendas inferiores às do primeiro. Além do efeito da estreia, a empresa considerava os reajustes de preço e a disponibilidade de estoques, que permitiu a muitos consumidores comprar o aparelho logo no lançamento.
No Brasil, o preço sugerido do console subiu para R$ 4.599,90 em setembro. O Overdrive já analisou se o catálogo anunciado pela Nintendo justifica o novo valor cobrado pelo Switch 2.
Switch 2 ainda vende mais rápido que o primeiro Nintendo Switch
Mesmo com a queda no semestre, a vantagem construída pelo Switch 2 continua expressiva. De acordo com uma comparação publicada pelo site Video Games Chronicle (VGC), o novo aparelho está mais de 6 milhões de unidades à frente do Switch original e do PS5 quando os números são alinhados pelo tempo decorrido desde o lançamento de cada console.
Há uma ressalva nessa comparação: tanto o primeiro Switch quanto o PS5 enfrentaram restrições de estoque em seus primeiros meses, enquanto o Switch 2 teve uma distribuição mais ampla desde a estreia.
O Switch 2 encerrou seu primeiro ano fiscal, em março de 2026, com 19,86 milhões de unidades. Agora, o acumulado mundial é de 26,35 milhões. A Nintendo mantém a previsão de vender mais 16,5 milhões de consoles durante o exercício fiscal que termina em março de 2027, sem alterar a meta após a divulgação do novo balanço.
O primeiro Switch, por sua vez, continua ampliando uma marca histórica. Mesmo próximo de completar uma década, vendeu mais 1,27 milhão de unidades no semestre e chegou a 157,20 milhões desde seu lançamento em 2017. O resultado o aproxima dos 160 milhões atribuídos ao PlayStation 2, recordista entre os consoles.
O desempenho das plataformas também ajuda a explicar como o mercado de consoles se dividiu entre Nintendo e Sony nos últimos anos.
Jogos crescem 18,8% e ajudam a Nintendo a compensar a queda
Enquanto o hardware perdeu força, os jogos tiveram um semestre melhor. Foram 24,49 milhões de unidades de software para Switch 2 entre abril e setembro, crescimento de 18,8% sobre os 20,62 milhões do mesmo período de 2025.
Entre os lançamentos que contribuíram para o resultado estão Splatoon Raiders, com 2,42 milhões de unidades, Star Fox, com 1,17 milhão, e Fire Emblem: Fortune’s Weave, com 1,34 milhão. Mario Kart World, lançado em 2025, acrescentou outras 1,78 milhão de cópias no semestre.
O Switch original também mantém uma biblioteca comercialmente relevante. Seus jogos venderam 65,73 milhões de unidades no período, alta de 6,8%, impulsionados por títulos como Tomodachi Life: Living the Dream e Rhythm Heaven Groove.

Esse movimento aparece nos resultados financeiros. Apesar da queda de 12,1% na receita total, o lucro operacional da Nintendo cresceu 49,1%, chegando a 216,5 bilhões de ienes. A companhia atribuiu o avanço à participação maior dos jogos nas vendas e a um reembolso de tarifas dos Estados Unidos contabilizado no primeiro trimestre.
Zelda e novos exclusivos serão decisivos para o fim do ano
O próximo desafio será sustentar a procura pelo Switch 2 durante a temporada de fim de ano, tradicionalmente importante para a indústria de videogames. A Nintendo aposta em lançamentos próprios e em uma biblioteca mais ampla para alcançar os consumidores que ainda permanecem na geração anterior.
Um dos principais jogos dessa estratégia é The Legend of Zelda: Ocarina of Time, remake do clássico de Nintendo 64 que chega justamente nesta quinta-feira (5), exclusivamente para Switch 2. O título estreia após uma recepção bastante positiva da crítica, com nota 96 no Metacritic, conforme mostrou o Overdrive.

O calendário também prevê Pikmin 4 – Nintendo Switch 2 Edition + Dandori Academy em novembro, Xenoblade Chronicles 3 – Nintendo Switch 2 Edition em dezembro e Metroid Ravenous em janeiro de 2027.
Ao VGC, o analista Serkan Toto, da consultoria Kantan Games, avaliou que Ocarina of Time terá um papel importante no desempenho da Nintendo até o encerramento do exercício fiscal. Para ele, o remake pode vender mais do que parte do mercado espera.
O desafio não é apenas lançar jogos capazes de atrair atenção. A Nintendo precisa mostrar aos donos do primeiro Switch que há motivos suficientes para investir em um aparelho mais caro, especialmente agora que o impulso inicial de vendas ficou para trás.

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