Modern Warfare 4 reduz o caos no beta fechado e volta a divertir

A movimentação menos exagerada facilita o retorno ao multiplayer e preserva a boa sensação das armas, embora o matchmaking ainda atrapalhe

Modern Warfare 4
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Depois de me divertir menos do que gostaria com os dois últimos lançamentos da série, encontrei na etapa antecipada da beta de Call of Duty: Modern Warfare 4 o multiplayer mais prazeroso que a franquia apresentou em algum tempo. O jogo continua rápido, mas reduz parte do exagero que vinha transformando cada confronto em uma disputa de movimentos difíceis até de acompanhar.

Essa mudança deixou a experiência mais acessível sem tirar o espaço de quem joga todos os dias e quer dominar cada detalhe. Eu estava há bastante tempo sem entrar em Call of Duty e precisei de poucas partidas para recuperar o ritmo. Ainda assim, a qualidade do gunplay não esconde dois problemas que podem pesar no lançamento: o tempo para matar, conhecido como TTK, e o matchmaking baseado em habilidade.

Mesmo com essas ressalvas, me diverti mais durante o período antecipado da beta do que nos dois Call of Duty anteriores completos. É uma comparação limitada por um teste com conteúdo reduzido, mas também é a melhor primeira impressão que a série me deixou nos últimos anos.

Esta preview considera a etapa de acesso antecipado realizada entre 21 e 25 de agosto de 2026. A Infinity Ward alterou armas, spawns e movimentação para o beta aberto iniciado em 28 de agosto, portanto alguns pontos de equilíbrio podem não permanecer iguais. Por se tratar de uma versão de testes, o texto não atribui nota e segue a metodologia de reviews do Overdrive.

Gameplay do beta de Modern Warfare 4
Modern Warfare 4 oferece partidas divertidas – Imagem: Overdrive/Gregory Felipe

Modern Warfare 4 ainda é rápido, mas encontra um ritmo melhor

Modern Warfare 4 não transforma Call of Duty em um jogo lento. A diferença está na redução da velocidade excessiva e das possibilidades de movimento que faziam os últimos títulos parecerem caóticos até para quem já conhece bem a série.

A movimentação continua fluida, com corridas, deslizes e formas rápidas de atravessar os mapas. Durante o teste, porém, essas ferramentas pareceram complementar o combate em vez de dominar todas as trocas de tiro. Houve menos situações bizarras com jogadores se movimentando de maneira imprevisível enquanto saltavam, deslizavam ou mudavam de direção em uma velocidade difícil de acompanhar.

O resultado é um jogo que ainda exige reflexos, mas oferece mais tempo para entender o espaço, escolher uma rota e reagir ao adversário. Essa pequena redução no ritmo foi suficiente para tornar as partidas menos desgastantes e mais prazerosas, sem remover a identidade acelerada de Call of Duty.

Operadores armados dentro de uma construção no multiplayer de Modern Warfare 4
A movimentação permanece rápida, mas ocupa menos espaço nos confrontos do que nos dois jogos anteriores — Imagem: Divulgação/Activision

Voltar a jogar Call of Duty ficou mais fácil

A melhor qualidade da beta foi permitir que eu voltasse a jogar sem atravessar uma longa fase de readaptação. Call of Duty costuma punir bastante quem passa meses longe, porque mapas, armas e técnicas de movimentação mudam enquanto parte da comunidade continua evoluindo.

Modern Warfare 4 diminuiu essa barreira. Em poucas partidas, eu já conseguia acompanhar os confrontos, contribuir para a equipe e experimentar diferentes abordagens. A movimentação menos frenética parece ter um peso grande nisso, já que o jogo exige menos domínio imediato de combinações exageradas para que o jogador consiga competir.

Isso não significa que veteranos ficaram sem espaço para evoluir. Ainda existem rotas, atalhos, transições de movimento e ajustes de armamento que recompensam dedicação. A própria Infinity Ward definiu como objetivo criar mecânicas intuitivas para quem está retornando, mas com profundidade suficiente para os jogadores que pretendem dominá-las.

Essa combinação pode ajudar Modern Warfare 4 a conversar com dois públicos que nem sempre encontram o mesmo espaço. Quem joga com frequência continuará tendo vantagem pelo conhecimento e pela execução, enquanto jogadores ocasionais ou menos habilidosos não parecem condenados a passar horas apanhando antes de começar a se divertir.

O gunplay funciona, mas o TTK ainda precisa de ajustes

Atirar é uma das partes mais satisfatórias de Modern Warfare 4. As armas respondem bem, apresentam peso e mudam de forma perceptível a maneira de abordar cada confronto. A boa sensação dos disparos foi um dos motivos pelos quais continuei entrando em novas partidas.

Também foi interessante trocar de arma com frequência. Em vez de encontrar uma opção confortável e repetir a mesma abordagem durante toda a sessão, variar o equipamento renovou a dinâmica das partidas e exigiu mudanças no posicionamento, na distância dos confrontos e no nível de agressividade.

O sistema oficial reforça essa liberdade ao reduzir desbloqueios repetidos: um acessório obtido pode ser usado em todas as armas compatíveis. O Artilheiro também recomenda configurações para diferentes distâncias, facilitando os testes sem impedir que cada pessoa monte sua própria classe.

O TTK ainda prejudicou parte dessas trocas. Algumas mortes aconteceram rápido demais e diminuíram a margem de reação, criando momentos em que a boa movimentação e o controle da arma tiveram menos peso do que deveriam. A Infinity Ward reconheceu durante a beta que algumas armas estavam matando acima do ritmo desejado e iniciou ajustes de alcance, dano e multiplicadores.

As correções mostram que o estúdio identificou o problema, mas o equilíbrio do lançamento ainda precisa ser acompanhado. Um TTK mais consistente permitiria que o bom gunplay aparecesse por inteiro, principalmente nos confrontos em que posicionamento e precisão deveriam decidir o resultado.

Gameplay do beta de Modern Warfare 4
O gunplay é satisfatório, apesar de alguns problemas – Imagem: Overdrive/Gregory Felipe

O SBMM continua pesando sobre as partidas casuais

O matchmaking baseado em habilidade continua sendo o ponto que mais ameaça a diversão a longo prazo. A tentativa de aproximar jogadores de desempenho semelhante pode equilibrar resultados, mas também transforma partidas casuais em confrontos nos quais todos parecem obrigados a jogar no limite.

A Activision afirma em sua documentação sobre matchmaking que conexão e tempo de busca recebem prioridade maior, embora habilidade e desempenho recente também participem da formação das salas. A empresa defende que ampliar demais a diferença entre os jogadores aumenta abandonos, principalmente entre os níveis baixo e intermediário.

O objetivo é compreensível, mas o resultado ainda desagrada quem procura partidas menos previsíveis. Quando toda sala tenta reproduzir um ambiente competitivo, sobra pouco espaço para testar uma arma diferente, jogar de maneira mais relaxada ou simplesmente permanecer no multiplayer por diversão.

Modern Warfare 4 precisará de um modo competitivo bem definido para concentrar quem procura esse nível de cobrança. Mesmo assim, separar uma playlist ranqueada não resolverá tudo se as partidas comuns continuarem seguindo uma lógica muito rígida. O melhor cenário seria retirar o peso da habilidade das salas casuais ou, pelo menos, reformular o sistema de maneira profunda.

Pontos fortes e pontos fracos da beta

Pontos fortes

  • Ritmo rápido, mas menos desgastante que o dos dois Call of Duty anteriores;
  • Movimentação mais controlada e com menos situações exageradas;
  • Gunplay satisfatório e armas que favorecem estilos diferentes;
  • Adaptação rápida mesmo depois de um período longe da série;
  • Espaço para jogadores ocasionais sem eliminar a profundidade competitiva.

Pontos fracos

  • TTK ainda inconsistente em parte dos confrontos;
  • SBMM capaz de tornar as partidas casuais cansativas;
  • Equilíbrio sujeito a mudanças significativas até o lançamento.

Modern Warfare 4 deixou uma primeira impressão melhor

A beta não permite afirmar como campanha, DMZ, progressão e suporte pós-lançamento formarão o pacote completo. No multiplayer tradicional, porém, Modern Warfare 4 corrigiu justamente o que mais vinha diminuindo minha vontade de voltar: o excesso de velocidade e a sensação de que era necessário reaprender a jogar depois de qualquer pausa.

O teste antecipado foi mais divertido para mim do que os dois últimos Call of Duty completos. O gunplay sustenta as partidas, a movimentação encontrou uma direção melhor e a entrada parece menos hostil para quem não vive dentro do jogo. TTK e SBMM continuam no caminho, mas agora há uma base que realmente merece ser ajustada.

Quem ainda quiser formar a própria opinião poderá jogar o beta aberto de Modern Warfare 4 gratuitamente até 1º de setembro. O jogo completo será lançado em 23 de outubro de 2026, enquanto o acesso antecipado à campanha começa em 16 de outubro para compradores das edições digitais elegíveis.

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