Poucas séries mudaram tanto sem abandonar a própria fantasia central quanto Hitman. Desde 2000, o Agente 47 invade hotéis, festas, hospitais e mansões usando disfarces, rotinas previsíveis e objetos banais para transformar cada missão em um problema aberto.
A execução nem sempre foi limpa. A franquia passou por controles duros, coletâneas pouco caprichadas, uma tentativa controversa de apostar em fases lineares e dois spin-offs mobile que desmontaram sua fórmula. Depois, a IO Interactive encontrou no formato de sandbox o melhor caminho para o personagem.
Este ranking organiza 12 jogos e coleções de Hitman do pior ao melhor, considerando as notas destacadas no Metacritic. Como a pontuação pode mudar conforme a plataforma, foi usado o resultado que posiciona cada lançamento no levantamento. Isso explica casos como Hitman 2: Silent Assassin, que recebeu 87 no PC e notas menores nos consoles.
12. Hitman HD Enhanced Collection: 69
A pior colocação pertence a uma coletânea formada por dois jogos que, separadamente, têm muito mais importância para a série. Lançada em 2019 para PS4 e Xbox One, Hitman HD Enhanced Collection reúne Blood Money e Absolution com resolução 4K, melhorias de iluminação, texturas, controles e taxa de quadros.

O pacote colocou dois capítulos de gerações diferentes na mesma caixa, mas o preço cobrado pesou contra a recepção. As melhorias técnicas também não foram suficientes para transformar a coleção na edição definitiva que os jogadores esperavam.
A ironia é que o conjunto mistura um dos títulos mais respeitados da fase clássica com o capítulo que mais dividiu o público. Era uma combinação curiosa. O remaster em si, porém, ficou marcado como uma oportunidade perdida.
11. Hitman HD Trilogy: 71
Seis anos antes, a franquia já havia recebido outra coletânea. Hitman HD Trilogy reuniu Silent Assassin, Contracts e Blood Money no PS3 e Xbox 360, com melhorias de resolução e suporte completo a troféus e conquistas.
O conteúdo era forte. Os três jogos acompanham o período em que a IO Interactive começou a transformar as ideias ainda ásperas de Codename 47 em uma fórmula mais aberta e reconhecível. A avaliação da coletânea, porém, ficou abaixo das notas individuais de seus integrantes.
Hoje, o pacote funciona melhor como documento de uma fase específica da série do que como a forma ideal de conhecê-la.
10. Hitman: Codename 47: 73
O primeiro Hitman já tinha disfarces, contratos internacionais, armas escondidas e diferentes caminhos até os alvos. Também possuía controles duros, picos de dificuldade e trechos que pareciam pertencer a um jogo de tiro pouco preparado para tiroteios.

Lançado exclusivamente para PC em 2000, Codename 47 apresentou o assassino geneticamente modificado que escapa da instalação onde foi criado e passa a trabalhar para a ICA. As missões levam o personagem por Hong Kong, Colômbia, Budapeste e Roterdã enquanto a campanha revela a ligação entre seus alvos.
A nota 73 traduz bem o resultado. A estreia encontrou uma ideia forte antes de descobrir como executá-la. Ainda assim, estabeleceu o uso de roupas roubadas, mortes silenciosas e ambientes semiabertos que sustentariam toda a série.
9. Hitman: Sniper: 76
Hitman: Sniper retira o Agente 47 dos corredores e o mantém atrás de uma mira. O jogo mobile, lançado em 2015 para Android e iOS, apresenta um complexo em Montenegro observado à distância.
A movimentação livre desaparece, mas parte do raciocínio de Hitman continua ali. Atirar diretamente no alvo costuma ser a solução menos interessante. O jogador pode quebrar uma proteção de vidro, disparar alarmes para mudar rotas ou acionar elementos do cenário para produzir uma morte aparentemente acidental.
A limitação a uma mesma região deixa as partidas repetitivas depois que as rotas dos personagens são memorizadas. Ainda assim, a adaptação conseguiu preservar o lado de quebra-cabeça da série em partidas curtas para celular.
8. Hitman: Contracts: 80
Contracts é o capítulo mais sombrio da série clássica. A campanha acompanha um Agente 47 ferido, revivendo missões durante uma sequência de flashbacks enquanto tenta permanecer vivo.

Parte dessas lembranças revisita contratos do primeiro jogo com gráficos e sistemas atualizados. Existem fases inéditas, mas a reutilização de conteúdo impediu que o terceiro título parecesse uma evolução do tamanho esperado.
A atmosfera pesada, a trilha de Jesper Kyd e o tratamento visual deram personalidade ao conjunto. A edição de PS2 chegou a 80 no Metacritic, enquanto PC e Xbox ficaram com 74 e 78, respectivamente.
7. Hitman GO: 81
Hitman GO poderia ter virado uma imitação simplificada da franquia para celular. Em vez disso, a Square Enix Montréal converteu cada missão em um tabuleiro de movimentos por turnos.

O Agente 47 e seus inimigos parecem pequenas peças de maquete. Cada deslocamento precisa considerar as linhas de patrulha, os pontos de distração e a posição dos guardas. Ser visto geralmente significa perder, então a solução depende de estudar a rede antes de mover o personagem.
A direção visual limpa e as regras fáceis de entender deram identidade ao spin-off. Ele se afasta do controle direto e dos grandes cenários, mas mantém a ideia de observar uma situação, reconhecer padrões e executar um plano sem desperdício.
6. Hitman: Blood Money: 83
Blood Money é o jogo que definiu a imagem clássica do Agente 47 para uma geração. Lançado em 2006, ampliou a liberdade das missões e incluiu sistemas que faziam cada erro acompanhar o jogador por mais tempo.

O nível de notoriedade aumentava quando testemunhas escapavam ou câmeras registravam o assassino. Uma execução limpa preservava seu anonimato, enquanto uma operação desastrosa tornava mais fácil reconhecê-lo nos contratos seguintes. O dinheiro recebido também podia ser usado em melhorias de armas ou subornos.
As possibilidades de assassinato ganharam mais espaço e humor. Acidentes, venenos, quedas e armadilhas passaram a competir com o disparo direto. O resultado recebeu 83 no PS2 e conquistou um público que ainda trata Blood Money como uma das referências da franquia.
5. Hitman: Absolution: 83
Absolution empata com Blood Money na nota, mas ocupa uma posição acima no levantamento. Tecnicamente, o jogo de 2012 modernizou animações, cenários e apresentação. Também introduziu o Instinto, recurso usado para identificar inimigos e elementos relevantes.

O conflito estava na estrutura. Em vários momentos, as grandes áreas abertas deram lugar a sequências mais dirigidas, com rotas estreitas e foco maior na narrativa. O jogo queria ser mais acessível, mas acabou reduzindo justamente o espaço para improvisação que diferenciava Hitman.
A recepção foi positiva fora da comparação direta com seus antecessores. Dentro da série, virou o capítulo usado para explicar o que a IO Interactive precisaria recuperar no projeto seguinte. O próprio desenvolvimento de Hitman de 2016 buscou combinar a acessibilidade de Absolution com os mapas abertos de Blood Money.
4. Hitman 2: 84
Hitman 2, de 2018, não tentou desmontar o formato lançado dois anos antes. A IO Interactive preferiu aumentar os mapas, acrescentar ferramentas e remover o lançamento episódico.

O jogo levou o Agente 47 a locais como Miami, Mumbai, Vermont e uma ilha no Atlântico Norte. Reflexos em espelhos podiam denunciar o personagem, vegetações serviam como esconderijo e a maleta voltou a permitir o transporte discreto de armas grandes.
Também foram incluídos os modos Sniper Assassin e Ghost Mode. O primeiro apostava em contratos de longa distância, enquanto o segundo colocava dois jogadores em uma disputa paralela para eliminar alvos. O multiplayer foi posteriormente desativado, mas a campanha permaneceu como uma expansão segura do novo Hitman.
3. Hitman: 85
O Hitman de 2016 devolveu à franquia aquilo que havia sido reduzido em Absolution: mapas amplos, alvos cercados por rotinas e liberdade para preparar soluções absurdas.

Paris, Sapienza, Marrakesh, Bangkok, Colorado e Hokkaido funcionavam como ambientes independentes. Cada local podia ser repetido para liberar novos pontos de entrada, equipamentos e oportunidades de assassinato. Uma primeira partida servia quase como reconhecimento; as seguintes exploravam caminhos já observados.
O formato episódico gerou resistência no começo, mas combinou com a repetição. Havia tempo para desmontar um mapa antes da chegada do próximo. A edição completa alcançou 85 no Xbox One, com 84 no PS4 e 83 no PC.
2. Hitman 2: Silent Assassin: 87
Silent Assassin corrigiu boa parte dos problemas que tornavam o primeiro jogo difícil de recomendar. As missões ficaram mais focadas, os segmentos de ação perderam espaço e a furtividade passou a conduzir a campanha inteira.
A sequência introduziu a classificação que vai de Silent Assassin a Mass Murderer. Concluir contratos sem ser descoberto e sem acumular mortes desnecessárias rendia recompensas, incentivando planejamento em vez de força bruta.

Também chegaram a visão em primeira pessoa, os golpes não letais e mais alternativas dentro das fases. A versão de PC recebeu 87 no Metacritic, a maior nota do jogo entre as plataformas.
O segundo lugar mostra o tamanho do salto. Codename 47 apresentou a ideia; Silent Assassin provou que ela poderia sustentar uma franquia.
1. Hitman 3: 87
Hitman 3 fecha a trilogia World of Assassination sem tratar o terceiro capítulo como um simples pacote de mapas. Dubai explora a verticalidade de um arranha-céu, Dartmoor coloca 47 dentro de um mistério de assassinato e Berlim remove a estrutura tradicional para fazer o agente caçar seus próprios perseguidores.
A jogabilidade preserva os sistemas dos dois anteriores, mas as missões mudam o contexto em que eles são usados. O resultado é uma campanha mais segura para experimentar com a fórmula sem afastar o jogador daquilo que funciona.

A versão para PC e Xbox Series X chegou a 87 no Metacritic. PS4 e PS5 receberam 84, enquanto a versão em nuvem do Switch ficou bem abaixo, com 70. A diferença mostra por que a plataforma precisa ser considerada em qualquer ranking baseado no agregador.
Em 2023, o jogo foi renomeado para Hitman: World of Assassination e passou a concentrar também o conteúdo dos dois capítulos anteriores. Dessa forma, o primeiro colocado virou a principal porta de entrada para toda a trilogia moderna.

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