Ken Kutaragi, conhecido como o “pai do PlayStation”, defendeu a transição da Sony para jogos exclusivamente digitais em novos lançamentos a partir de 2028. Em entrevista ao Video Games Chronicle (VGC), publicada nesta sexta-feira (16), o criador dos três primeiros PlayStation afirmou que entende a insatisfação dos jogadores, mas considera pouco razoável, economicamente, manter a produção de discos.
Tópicos
- O que Ken Kutaragi disse sobre o fim dos discos?
- A Sony vai acabar com os jogos em disco quando?
- Se 80% das vendas já são digitais, por que os jogadores reclamam?
- Comprar um jogo digital é o mesmo que possuir um disco?
- O que muda para quem tem PS5 com leitor ou PS5 Pro?
- Quanto isso pesa no bolso do brasileiro?
- Ken Kutaragi ainda trabalha na Sony?
- Perguntas frequentes sobre o fim dos discos no PlayStation
- O PS5 vai perder o leitor de discos em 2028?
- Poderei comprar jogos físicos usados depois de 2028?
- Os novos jogos de 2028 terão apenas a PlayStation Store como opção?
- Ken Kutaragi anunciou que o PS6 não terá leitor?
- Fontes
O comentário reacende uma discussão que vai além do gosto por colecionar caixas: quem compra um jogo deve poder revendê-lo, emprestá-lo ou preservá-lo para o futuro? A declaração também pede um esclarecimento importante: Kutaragi deixou a Sony em 2007 e não anunciou nenhuma mudança adicional no PS5.
O que Ken Kutaragi disse sobre o fim dos discos?
Kutaragi conversou com o VGC durante o evento Game Republic New Horizons, realizado em Middlesbrough, no Reino Unido. Ele comparou a situação atual à época do PS2 e do PS3, quando as funções de rede existiam, mas ainda não eram usadas por tanta gente.
Na avaliação do engenheiro, o disco físico se tornou uma representação da sensação de possuir um jogo. Ele reconheceu esse apego, comparou a evolução dos consoles à de aparelhos permanentemente conectados, como smartphones, e sugeriu que a reação do público também envolve uma mudança de percepção.
“Talvez seja uma questão de mentalidade.”
A frase, em tradução do inglês, resume apenas parte do argumento. Kutaragi também disse compreender por que alguns jogadores estão contrariados e apontou a viabilidade econômica como justificativa para abandonar a infraestrutura de distribuição física. Ele não afirmou que as preocupações com acesso e propriedade digital são inexistentes.
A Sony vai acabar com os jogos em disco quando?
A decisão não surgiu agora. Em 1º de julho de 2026, a Sony anunciou oficialmente que deixará de produzir discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Isso vale para lançamentos destinados aos consoles da marca, que passarão a ser distribuídos em formato digital pela PlayStation Store e por revendedores parceiros.
- Até dezembro de 2027: novos títulos ainda poderão chegar ao mercado em mídia física.
- A partir de janeiro de 2028: os novos lançamentos não terão produção em disco, segundo o comunicado da Sony.
- Jogos lançados antes da mudança: os discos existentes não serão afetados pelo anúncio.
O comunicado oficial, publicado em português, fala no fim da fabricação de mídias para novos jogos. Não determina o desligamento dos leitores de disco do PS5. O Overdrive já mostrou que a mudança começou a ser mencionada em embalagens do console.
Se 80% das vendas já são digitais, por que os jogadores reclamam?
Existe uma razão comercial para a aposta da Sony. Segundo dados da companhia citados pela Reuters, os downloads representaram cerca de 80% das vendas de jogos completos no ano fiscal de 2025. Produzir, transportar e estocar discos gera despesas que não existem da mesma forma na distribuição digital.
Mas a estatística mostra como os jogos foram comprados, não que todos os consumidores desejam perder a alternativa física. Mesmo quem faz a maior parte das compras na loja digital pode recorrer aos discos para encontrar preços menores, comprar usados ou emprestar um título.
Essa é a distinção central do debate. Na análise do Overdrive sobre quem ganha com o fim das mídias físicas, mostramos que eliminar uma forma de distribuição também muda o poder de escolha do consumidor. A Sony não divulgou, no anúncio de julho, quanto espera economizar com a medida.
Comprar um jogo digital é o mesmo que possuir um disco?
Não em todos os aspectos. Nos Termos de Serviço da PlayStation para o Brasil, a seção 10 estabelece que conteúdos digitais são licenciados para uso pessoal, com restrições de transferência e revenda. A plataforma também deixa claro que palavras como “comprar” e “possuir” não equivalem à transferência dos direitos de propriedade intelectual sobre o conteúdo.
Isso não significa que qualquer compra digital deixará de funcionar, nem que um disco garanta acesso eterno. Comprar uma cópia física tampouco transfere direitos autorais sobre o jogo; há games físicos que exigem downloads, atualizações ou conexão com servidores. A diferença prática é que uma cópia física compatível ainda pode circular no mercado de usados e ser emprestada; a licença digital comum da PlayStation não oferece a mesma liberdade de transferência.

O que muda para quem tem PS5 com leitor ou PS5 Pro?
O PS5 não vai parar de ler discos em 2028. Quem já possui jogos físicos compatíveis poderá continuar usando essa biblioteca. A Sony ensina em sua página de suporte que o disco deve permanecer no leitor durante a execução do game.
Nos modelos compatíveis do PS5 Edição Digital e no PS5 Pro, é possível utilizar uma unidade de disco vendida separadamente; a empresa mantém um guia de instalação para os modelos CFI-2000/7000. O anúncio de 2028 não estabelece que essas unidades deixarão de funcionar. Também não informa o destino comercial do acessório no longo prazo.
Para quem está escolhendo um console, o ponto decisivo não é apenas a data de 2028, mas o tamanho da coleção física e a frequência de compra e revenda. O Overdrive fez uma comparação do custo entre o PS5 Slim Digital e o modelo com leitor após dez jogos.
Quanto isso pesa no bolso do brasileiro?
Os preços sugeridos pela Sony, divulgados para o Brasil com vigência a partir de 2 de abril de 2026, ajudam a ilustrar a decisão: R$ 5.099,90 para o PS5 com leitor e R$ 4.599,90 para a Edição Digital, diferença de R$ 500. São valores de tabela anunciados pela fabricante, não uma cotação das ofertas de hoje.
O modelo com leitor custa mais inicialmente, mas pode permitir economia com jogos usados e revenda de títulos terminados. O digital simplifica as compras e dispensa o manuseio de discos, porém mantém o consumidor dentro das condições de licenciamento e das formas de distribuição disponíveis na plataforma.
O argumento de Kutaragi, portanto, é economicamente compreensível para a empresa. Já para quem joga, conveniência digital e liberdade de escolha não são exatamente a mesma coisa.
Ken Kutaragi ainda trabalha na Sony?
Não. Kutaragi esteve à frente da criação dos três primeiros consoles PlayStation e deixou a companhia em 2007. Segundo o VGC, atualmente atua à frente da Ascent Robotics e da Cyber AI Entertainment. Suas observações refletem a experiência e a visão do ex-executivo, mas não são uma nova manifestação oficial da Sony.

Perguntas frequentes sobre o fim dos discos no PlayStation
O PS5 vai perder o leitor de discos em 2028?
Não. A Sony anunciou o fim da produção de discos de novos jogos, não a desativação do leitor. Discos compatíveis de títulos anteriores continuarão funcionando.
Poderei comprar jogos físicos usados depois de 2028?
Sim. A decisão não proíbe a revenda de cópias físicas existentes. A oferta dependerá do mercado de usados e dos estoques disponíveis.
Os novos jogos de 2028 terão apenas a PlayStation Store como opção?
Não necessariamente. A Sony afirma que revendedores parceiros também poderão vender os novos títulos, mas apenas em formatos digitais. Os métodos específicos não foram detalhados no anúncio.
Ken Kutaragi anunciou que o PS6 não terá leitor?
Não. Ele comentou a transição digital e seus efeitos. A entrevista não constitui anúncio de características de um futuro console.
Fontes
- Video Games Chronicle — entrevista original com Ken Kutaragi, 16 de outubro de 2026.
- PlayStation Blog Brasil — anúncio oficial de 1º de julho de 2026.
- Reuters — participação dos downloads nas vendas de jogos completos.
- PlayStation — Termos de Serviço brasileiros, seção 10.
- PlayStation Blog Brasil — preços sugeridos dos consoles em 2026.

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