Diretor de Resident Evil 2 diz que jogos atuais assustam demais

Veterano não quer reduzir o horror para todos: ele propõe uma configuração opcional inspirada nos modos de acessibilidade criados para Bayonetta

Resident Evil
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Hideki Kamiya, diretor do Resident Evil 2 original, acredita que os jogos atuais da série assustam mais do que seus próprios desenvolvedores percebem. O veterano defendeu a criação de um modo sem terror em Resident Evil, capaz de reduzir elementos assustadores sem alterar a experiência oferecida aos demais jogadores.

A declaração foi dada em uma entrevista publicada pela VGC em 1º de setembro de 2026. Kamiya afirmou que estava falando sério e que já apresentou a ideia a integrantes das equipes responsáveis pela franquia dentro da Capcom.

Grace Ashcroft em um corredor escuro de Resident Evil Requiem
As partes protagonizadas por Grace concentram os momentos mais assustadores de Resident Evil Requiem — Imagem: Divulgação/Capcom

Por que Hideki Kamiya quer um modo sem terror em Resident Evil?

Kamiya explicou que nunca conseguiu lidar bem com filmes ou jogos de terror. Com o avanço do realismo visual, ele considera que monstros, ambientes e cenas violentas se tornaram intensos demais para pessoas que desejam aproveitar os puzzles e o combate sem enfrentar todo o horror.

O diretor tentou jogar Resident Evil Requiem porque queria acompanhar o retorno de Leon S. Kennedy a Raccoon City. A ligação pessoal não foi suficiente: segundo Kamiya, o jogo ficou assustador demais para que ele continuasse a campanha.

A situação chama atenção porque o próprio desenvolvedor comandou Resident Evil 2, jogo que estabeleceu Leon, Claire Redfield e o Departamento de Polícia de Raccoon City como peças centrais da franquia. O Overdrive já abordou outra participação do diretor ao explicar o mistério de 28 anos escondido em Resident Evil 2.

Kamiya acha que Resident Evil esqueceu como assustar?

Não. A crítica de Kamiya segue a direção contrária: ele acredita que a equipe da Capcom ficou tão acostumada a trabalhar com horror que perdeu a noção de quanto os jogos podem assustar uma pessoa que não consome o gênero regularmente.

O desenvolvedor contou que já falou diretamente com integrantes da equipe e com o produtor Jun Takeuchi. De acordo com seu relato, as respostas indicavam que os próprios criadores não consideravam os jogos tão assustadores quanto ele.

Kamiya trabalhou no primeiro Resident Evil e assumiu a direção da sequência lançada em 1998. Atualmente, ele lidera a Clovers, estúdio envolvido no desenvolvimento da continuação de Okami.

Como funcionaria o modo sem terror em Resident Evil?

A proposta seria uma configuração opcional, sem diminuir o terror do modo tradicional. Kamiya sugeriu mudanças visuais simples, como esconder os rostos dos zumbis, deixar os ambientes mais iluminados e remover a exibição de sangue.

Parte dos exemplos foi apresentada de maneira bem-humorada. Uma das ideias seria colocar sacos de papel na cabeça dos monstros, impedindo que seus rostos aparecessem durante os encontros.

O diretor comparou a sugestão aos recursos de acessibilidade que implementou em Bayonetta. O jogo recebeu o modo Very Easy Automatic para reduzir a exigência técnica do combate, enquanto Bayonetta 3 ganhou uma opção que diminui a nudez exibida durante determinados ataques.

Na visão de Kamiya, o horror poderia receber um controle semelhante. Quem deseja a experiência completa continuaria jogando normalmente, enquanto pessoas mais sensíveis teriam uma versão visualmente menos agressiva.

Resident Evil Requiem já permite reduzir o medo?

Resident Evil Requiem não possui um modo sem terror, mas permite alternar entre primeira e terceira pessoa. A câmera mais afastada reduz parte da imersão e pode tornar os encontros protagonizados por Grace mais suportáveis.

Antes do lançamento, o diretor Koshi Nakanishi explicou que Resident Evil 7 pode ter sido assustador demais para algumas pessoas. A primeira pessoa aumentava a sensação de presença, mas também fez jogadores abandonarem ou evitarem a campanha.

Essa preocupação levou a Capcom a oferecer as duas perspectivas em Requiem. A terceira pessoa coloca a personagem visível entre o jogador e a ameaça, funcionando como uma camada de distanciamento. O Overdrive analisou essa divisão entre medo e ação na review de Resident Evil Requiem.

Grace Ashcroft no trailer oficial de Resident Evil Requiem
Resident Evil Requiem permite alternar a perspectiva durante a campanha — Imagem: Reprodução/Capcom

A Capcom vai criar um modo sem terror?

A Capcom não anunciou um modo sem terror para Resident Evil Requiem nem confirmou que pretende usar a sugestão nos próximos jogos. A proposta representa uma opinião de Hideki Kamiya, e não um recurso em desenvolvimento.

O debate acontece enquanto a empresa prepara projetos com abordagens diferentes. Resident Evil Requiem alterna a tensão das partes de Grace com o combate de Leon, enquanto o remake de Resident Evil Veronica será inteiramente em terceira pessoa.

A cobertura do jogo, incluindo atualizações, guias e análise, está reunida na página de Resident Evil Requiem no Overdrive.

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