Grand Theft Auto quase ganhou um capítulo ambientado no Japão durante a geração do PlayStation 2. Mais de duas décadas depois, novos detalhes ajudam a montar uma imagem bem mais clara de como seria o chamado GTA: Tokyo, um projeto que chegou a ser discutido seriamente pela Rockstar, mas nunca entrou em produção.
Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar North e veterano de jogos como GTA III, Vice City e San Andreas, revelou que Tóquio foi a localização internacional que mais avançou entre as ideias estudadas pela empresa. O plano era manter boa parte da fórmula de Grand Theft Auto III, acrescentando elementos próprios da ambientação japonesa.
Entre eles estavam espadas de samurai. Vermeij também citou a cultura japonesa de corridas de rua como um dos caminhos que poderiam ter diferenciado a experiência.

Como seria GTA: Tokyo?
Em entrevista ao Thunderpick, Vermeij explicou que a ideia partia principalmente do escritório da Rockstar em Nova York.
A proposta não era reconstruir completamente Grand Theft Auto. Na visão discutida internamente, GTA: Tokyo seria essencialmente um jogo no estilo de GTA III transportado para Tóquio.
As diferenças surgiriam da própria cidade e da cultura local. Segundo o ex-diretor técnico, katanas teriam uma presença importante. Ele também acredita que o cenário abriria espaço para explorar a conhecida cultura de corridas de rua japonesa.
Isso coloca GTA: Tokyo em um momento bastante específico da história da Rockstar. GTA III havia acabado de transformar a série ao levar Liberty City para um mundo aberto totalmente tridimensional, enquanto Vice City e San Andreas ainda consolidariam aquela fórmula durante a geração do PS2.
O Overdrive possui um especial com todos os jogos de GTA e a evolução completa da franquia.
Rockstar queria que um estúdio japonês fizesse o jogo
Talvez o detalhe mais curioso esteja na forma como o projeto seria desenvolvido.
A Rockstar North não produziria GTA: Tokyo sozinha. O plano era entregar tecnologia, ferramentas e código da empresa para um estúdio localizado no Japão, que então construiria sua própria versão do jogo.
Vermeij comparou a ideia ao modelo adotado em Bully. A Rockstar Vancouver recebeu tecnologia utilizada pela companhia e desenvolveu o projeto de maneira relativamente independente.
No caso de GTA: Tokyo, contar com desenvolvedores japoneses também teria uma função criativa. A Rockstar acreditava que uma equipe local conseguiria reproduzir melhor referências culturais, ambientes e comportamentos japoneses.
A intenção era criar um jogo capaz de funcionar primeiro naquele mercado e depois levá-lo ao público ocidental.
GTA: Tokyo não chegou a entrar em produção
Apesar de a história de GTA: Tokyo circular há anos, a nova entrevista também ajuda a definir até onde o projeto realmente chegou.
Não houve uma versão praticamente pronta de GTA ambientada no Japão.
Vermeij afirma que os contratos com o estúdio japonês nunca foram assinados. Como consequência, o projeto não atingiu a etapa de produção.
Sam Houser chegou a visitar a Rockstar North e conversar sobre a ideia, enquanto o produtor Leslie Benzies teria participado mais diretamente das discussões. Mesmo assim, o desenvolvimento propriamente dito não começou.
Isso é particularmente importante porque referências encontradas em arquivos vazados de GTA V em 2023 foram interpretadas como evidência de um projeto chamado Tokyo para PS2.
Uma investigação publicada pelo Time Extension em 2024 confirmou com antigos funcionários da Rockstar que Tóquio realmente esteve entre as cidades avaliadas. O novo relato de Vermeij indica, porém, que essas referências internas não devem ser confundidas com um jogo que já estivesse em produção avançada.
A Take-Two chegou a registrar GTA: Tokyo
Existe ainda uma evidência pública bastante antiga de que o nome foi considerado seriamente.
A Take-Two Interactive, dona da Rockstar Games, registrou a marca GTA: TOKYO nos Estados Unidos em 21 de dezembro de 2003.
O registro, disponível nos arquivos oficiais do United States Patent and Trademark Office, descrevia a marca para uso em jogos de computador e cartuchos.
Na mesma época, a empresa também protegeu nomes como GTA: Bogota e GTA: Sin City. Um registro de marca isoladamente não confirma que determinado jogo entrou em desenvolvimento, mas, no caso de Tóquio, ele agora se soma aos relatos de diferentes ex-funcionários.
Rio de Janeiro também entrou nas discussões da Rockstar
Tóquio não era a única possibilidade internacional.
Vermeij afirma que equipes da Rockstar discutiram ideias para Grand Theft Auto em Rio de Janeiro, Moscou, Istambul, Londres e Paris.
| Local considerado | O que sabemos |
|---|---|
| Tóquio | Era a ideia internacional mais séria e chegou ao estágio de conversas com um estúdio japonês |
| Rio de Janeiro | Rockstar North discutiu internamente possibilidades para a cidade |
| Moscou | Foi considerada como possível ambientação |
| Istambul | Também apareceu nas discussões da equipe |
| Londres | A franquia já havia visitado a cidade nos jogos 2D, mas uma nova versão foi considerada |
| Paris | Outra localização europeia discutida pela Rockstar |
Entre todas elas, Vermeij coloca Tóquio como a proposta que chegou mais perto de avançar.
Yakuza não seria continuação direta de GTA III
A presença da Yakuza em GTA III torna fácil imaginar que o grupo seria a ponte narrativa entre Liberty City e o Japão. Vermeij, no entanto, descartou essa interpretação.
Segundo ele, não existia um plano de transportar personagens ou histórias da Yakuza de GTA III para GTA: Tokyo.
A facção fazia parte de Liberty City porque a Rockstar havia reaproveitado diversas gangues dos primeiros jogos de Grand Theft Auto ao transformar a série em 3D.
O interesse em Tóquio nasceu da própria cidade e da possibilidade de produzir um GTA culturalmente diferente, não da necessidade de continuar aquele núcleo narrativo.
Por que GTA: Tokyo foi cancelado?
A resposta mais objetiva é contratual: o acordo necessário para iniciar o projeto nunca foi assinado.
Relatos anteriores também apontam dificuldades práticas. Reproduzir Tóquio exigiria pesquisa extensa, conhecimento local e uma maneira de adaptar a sátira típica de GTA para uma cultura muito diferente daquela retratada nos jogos americanos.
Uma fonte ouvida pelo Time Extension em 2024 afirmou que enviar equipes por longos períodos para mapear a cidade e encontrar o tom adequado para a sátira japonesa estavam entre os obstáculos discutidos.
A Rockstar acabou permanecendo com localidades ligadas à identidade histórica da franquia.
GTA continua voltando aos Estados Unidos
A decisão tomada na época ajuda a explicar o caminho seguido por Grand Theft Auto nas décadas seguintes.
Liberty City, Vice City e Los Santos continuaram funcionando como versões ficcionais de grandes centros americanos. A próxima grande produção também segue esse padrão.

Grand Theft Auto VI retorna a Vice City e amplia o cenário para o estado fictício de Leonida. O jogo será lançado em 19 de novembro de 2026 para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
É uma trajetória bem diferente daquela que GTA poderia ter seguido após GTA III. Caso o acordo japonês tivesse avançado, um jogo ambientado em Tóquio poderia ter colocado a franquia em uma rota internacional justamente durante o período em que ela estabelecia sua identidade moderna.
Para quem acompanha os bastidores da Rockstar, o Overdrive também reuniu recentemente as descobertas dos 192 GB de arquivos antigos de GTA que começaram a circular em setembro. Esse material é um caso separado da nova entrevista sobre GTA: Tokyo.
Perguntas frequentes sobre GTA: Tokyo
GTA: Tokyo realmente existiu?
O projeto foi realmente discutido pela Rockstar e a Take-Two chegou a registrar a marca GTA: TOKYO. Ex-funcionários também confirmaram os planos. Entretanto, segundo Obbe Vermeij, o jogo nunca chegou à produção porque os contratos necessários não foram assinados.
GTA: Tokyo seria lançado para PS2?
Referências encontradas em antigos arquivos internos associaram o projeto ao PlayStation 2, o console em que GTA III, Vice City e San Andreas tiveram suas versões originais mais conhecidas.
Como seria GTA: Tokyo?
Segundo Vermeij, seria um jogo baseado na fórmula de GTA III ambientado em Tóquio. Espadas de samurai fariam parte das novas ideias e a cultura japonesa de corridas de rua era vista como uma possibilidade interessante para o cenário.
Quem desenvolveria GTA: Tokyo?
A intenção era que um estúdio japonês recebesse tecnologia e código da Rockstar e desenvolvesse o jogo localmente. O nome desse estúdio não foi divulgado na entrevista.
Por que GTA: Tokyo foi cancelado?
O acordo não avançou até a assinatura dos contratos. Relatos anteriores também apontam dificuldades de logística, pesquisa e adaptação da sátira de GTA à cultura japonesa.
A Rockstar considerou um GTA no Brasil?
Sim. Obbe Vermeij afirmou que Rio de Janeiro estava entre as cidades discutidas internamente, ao lado de Moscou, Istambul, Londres e Paris. Tóquio, porém, foi descrita por ele como a proposta internacional que avançou mais.

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