Vinte e três ex-funcionários da Rockstar participam de uma ação trabalhista que contesta as demissões realizadas enquanto parte do grupo trabalhava em Grand Theft Auto VI. A audiência começou em Glasgow na quinta-feira (10), com os profissionais alegando que foram dispensados por atividade sindical. A Rockstar nega e afirma que as demissões ocorreram por quebra de confidencialidade.
O caso envolve trabalhadores ligados à Rockstar North e é representado pelo Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB). Ao todo, 34 profissionais no Reino Unido e no Canadá foram dispensados em 30 de outubro de 2025. O sindicato afirma que 31 deles estavam ligados à organização sindical; na audiência atual, 23 ex-funcionários aparecem como reclamantes.
A disputa chega a uma fase decisiva a pouco mais de dois meses do lançamento de Grand Theft Auto VI, marcado para 19 de novembro. O Overdrive mantém ainda uma página dedicada à Rockstar Games com a cobertura mais recente do estúdio.

Por que os ex-funcionários da Rockstar contestam as demissões?
Os trabalhadores afirmam que as dispensas foram motivadas pela participação em atividades sindicais e que a Rockstar não seguiu um processo disciplinar adequado. O IWGB acusa a empresa de atingir funcionários envolvidos na organização sindical, além de negar a eles oportunidade de defesa e direito de recorrer da decisão.
Entre as alegações que serão analisadas está a de blacklisting, prática que envolve identificar trabalhadores por sua atividade sindical para posteriormente discriminá-los. Em junho, a Rockstar tentou retirar esse ponto da ação, mas o tribunal permitiu que a acusação continuasse até a audiência final.
Essa decisão preliminar não concluiu que a Rockstar praticou blacklisting. Ela apenas manteve o tema dentro do processo para que os argumentos e as provas das duas partes sejam analisados durante a audiência.
Os reclamantes também dizem que um integrante do servidor utilizado pelos trabalhadores teria repassado informações das conversas à administração da empresa por mais de um ano. Eles sustentam que o espaço era destinado à organização sindical e negam que tenham vazado informações confidenciais de GTA 6.
O que a Rockstar diz sobre as demissões?
A Rockstar apresenta uma versão diferente. Na abertura do caso, a empresa afirmou que os funcionários foram dispensados por má conduta grave relacionada ao compartilhamento de informações confidenciais, e não por participação em sindicato.
O centro da defesa é um canal privado no Discord chamado internamente de “Room C”. De acordo com os argumentos apresentados pela companhia e relatados durante a audiência, mais de 300 pessoas teriam acesso ao espaço, incluindo ex-funcionários, profissionais de empresas concorrentes e um jornalista.
A Rockstar sustenta que integrantes do grupo discutiram informações sobre recursos de jogos e sobre o estágio de desenvolvimento de GTA 6. A empresa também citou mensagens com críticas e insultos dirigidos a gestores e à Take-Two. Os ex-funcionários contestam essa interpretação e afirmam que as conversas foram retiradas do contexto de um espaço sindical.
O histórico de segurança ajuda a explicar por que confidencialidade virou um dos principais argumentos da empresa. GTA 6 já foi alvo de diferentes incidentes, reunidos pelo Overdrive no histórico dos grandes vazamentos do jogo. Em agosto, a própria Take-Two também recorreu à Justiça dos Estados Unidos para tentar identificar responsáveis por outro vazamento, caso separado da atual disputa trabalhista.

A audiência no Glasgow Employment Tribunal começou em 10 de setembro e está prevista para continuar até meados de outubro. Os trabalhadores buscam uma decisão que considere as demissões injustas e pedem reintegração ou compensação. A Rockstar informou que rejeita as acusações e pretende defender as dispensas durante o processo.
O julgamento acontece pouco antes da estreia de GTA 6. A Rockstar mantém o lançamento marcado para 19 de novembro de 2026, com versões confirmadas para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.



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