As lutas de Fúria parecem colocar os atores diante de golpes reais, quedas violentas e movimentos típicos de uma disputa profissional de MMA. Nos bastidores, porém, até um soco que dura poucos segundos na tela pode exigir várias gravações, equipamentos especiais e uma união cuidadosa das imagens na pós-produção.
Vinícius Neri, intérprete de Marcelo, explicou que alguns golpes foram divididos em diferentes etapas. A equipe registrava separadamente o movimento do lutador, a reação de quem recebia o ataque e o deslocamento da câmera. Depois, os elementos eram reunidos para produzir a impressão de contato direto.
O trabalho técnico foi acompanhado por meses de preparação física. Antes de assumir o protagonista, Neri quase não tinha experiência recente com artes marciais. Para chegar ao resultado exibido na série, o ator passou a conciliar boxe, musculação, MMA e ensaios de coreografia. MC Cabelinho, que interpreta Júnior Malamute, também mudou a rotina durante as gravações.
Lançada em 29 de julho de 2026, Fúria acompanha um jovem encontrado à beira da morte e sem memória. Acolhido por Toni, um treinador de artes marciais, ele recebe o nome de Marcelo e enxerga no MMA uma oportunidade de recomeçar. O passado, no entanto, começa a reaparecer por meio de lembranças e conexões com uma organização criminosa.
Como os socos de Fúria foram gravados?
Um dos recursos utilizados pela produção foi gravar partes de um mesmo golpe separadamente. De acordo com Vinícius Neri, a construção de um soco podia envolver diferentes tomadas, posteriormente combinadas para que o movimento parecesse contínuo.
Isso permite controlar a distância entre os atores e registrar a reação de maneira mais segura, sem perder a força visual da cena. O movimento da câmera também participa do efeito: a mudança rápida de enquadramento ajuda a esconder o espaço entre o punho e o rosto, enquanto a edição une as diferentes partes da ação.

Neri contou que ficou impressionado com a estrutura necessária para movimentos aparentemente simples. Para o ator, o público vê apenas alguns segundos de ação, mas não imagina o tamanho dos equipamentos e o planejamento exigido durante a filmagem.
A técnica não significa que todas as lutas tenham sido gravadas exatamente da mesma maneira. Cada sequência pode combinar coreografia, atuação, edição e equipamentos diferentes, dependendo do golpe e do efeito desejado.
Uma cadeira ajudou a gravar uma das quedas de Marcelo
Uma das cenas mencionadas por Vinícius Neri mostra Marcelo recebendo um soco e caindo de cabeça no chão. Para registrar o momento, a equipe utilizou uma estrutura que derrubava o ator no instante planejado.

Neri permanecia sentado em uma cadeira conectada ao equipamento. Quando o golpe era encenado, o mecanismo provocava a queda e permitia que a câmera registrasse o movimento com maior controle. O ator descreveu a estrutura como grande e necessária para transmitir ao espectador o impacto do soco.
O resultado depende da combinação entre a reação de Neri, o movimento do adversário, o equipamento e o enquadramento. Na montagem, essas partes formam uma única ação, dando a impressão de que o corpo foi realmente lançado pelo golpe.
Vinícius Neri fazia três treinos por dia
Os efeitos não seriam suficientes caso os atores não soubessem se movimentar como lutadores. Cerca de duas semanas depois de ser aprovado para o papel, Vinícius Neri iniciou uma rotina de três treinos diários. A preparação física mais intensa começou quatro meses e meio antes das filmagens.
Em São Paulo, o ator começava o dia com boxe, seguia para a musculação e encerrava a rotina com uma sessão individual de MMA. Ao chegar ao Rio de Janeiro, acrescentou os ensaios de coreografia das lutas.

Neri também passou por acompanhamento de nutricionista, endocrinologista e fisioterapeuta. Segundo o ator, a alimentação precisava ser mantida em horários determinados, mesmo quando ele estava fora de casa. Durante o primeiro mês da preparação, afirmou ter ganhado cinco quilos de massa magra e perdido três quilos de gordura.
O treinamento prosseguiu durante a gravação. A rotina foi adaptada conforme as necessidades das cenas, já que Marcelo precisava apresentar uma evolução física compatível com sua trajetória dentro da história.
Quem criou as coreografias das lutas de Fúria?
A preparação das sequências contou com Peter Lee Thomas, profissional de artes marciais, atuação e coreografia de combates. Ele foi levado de Los Angeles ao Rio de Janeiro para trabalhar diretamente com o elenco e organizar os movimentos utilizados diante das câmeras.

O trabalho de coreografia determina como cada golpe começa, onde o ator deve posicionar o corpo e qual será a reação do adversário. Tudo precisa ser repetido até que os movimentos possam ser executados no tempo da câmera.
Vinícius Neri também treinou com atletas profissionais da Brazilian Top Team. O contato permitiu observar de perto como lutadores se movimentam, defendem golpes e se comportam durante um combate. De acordo com o ator, alguns dos atletas treinavam para competições do UFC.
A produção ainda colocou atores e lutadores profissionais nas mesmas sequências. Eduardo Moscovis afirmou ter ficado impressionado com o nível de dificuldade dos confrontos, especialmente nos momentos em que integrantes do elenco contracenavam diretamente com atletas.
MC Cabelinho passou sete meses mudando a rotina
MC Cabelinho já tinha experiência com boxe e jiu-jítsu antes de interpretar Júnior Malamute. Mesmo assim, o artista intensificou os treinamentos após aceitar o papel.
Durante sete meses, ele combinou academia, boxe, dieta e ensaios das coreografias. Cabelinho também afirmou que passou a dormir mais cedo e deixou de consumir bebidas alcoólicas no período. Os próprios ensaios das lutas funcionavam como uma atividade cardiovascular, devido à repetição e à intensidade dos movimentos.

Vinícius Neri seguiu uma rotina semelhante. A preparação dos dois ajudou a diferenciar os estilos de Marcelo e Malamute, rivais que ocupam posições opostas dentro da história.
Enquanto Marcelo ainda tenta compreender quem é e aprender a controlar a própria força, Malamute aparece como um lutador mais consciente de sua imagem e de seu espaço no MMA. Essa diferença precisava ser percebida não apenas nos diálogos, mas também na postura e na movimentação dentro do octógono.
Anderson Silva também aparece em Fúria
A aproximação com o MMA não ficou restrita aos treinamentos. A série conta com uma participação especial de Anderson Silva, ex-campeão do UFC, no papel de Till.

A presença do lutador reforça a ligação da produção com o esporte e coloca uma figura conhecida do público ao lado do elenco formado por Vinícius Neri, Fábio Lago, Alice Carvalho, MC Cabelinho, Bianca Comparato, Eduardo Moscovis, Babu Santana e Cláudia Raia.
Ao mesmo tempo, Fúria não apresenta os combates apenas como espetáculo. Eduardo Moscovis explicou que as lutas foram pensadas para movimentar a dramaturgia e mudar as relações entre os personagens, em vez de funcionarem como cenas isoladas.
Bianca Comparato também destacou que o efeito de um soco depende da emoção construída antes do confronto. A rivalidade, a sobrevivência e os conflitos familiares ajudam o público a entender por que cada luta importa para os envolvidos.
As lutas de Fúria são reais?

As lutas são encenadas e coreografadas, embora os atores tenham recebido treinamento de artes marciais para realizar grande parte dos movimentos. Os golpes vistos na tela podem combinar movimentos executados pelo elenco, reações ensaiadas, equipamentos especiais, enquadramentos e pós-produção.
Onde assistir Fúria?
Fúria está disponível exclusivamente na Netflix. Os seis episódios da primeira temporada foram lançados de uma só vez, permitindo assistir à história completa sem esperar por capítulos semanais.
Para encontrar a produção, basta pesquisar por “Fúria” no aplicativo ou no site da Netflix. A disponibilidade depende de uma assinatura ativa do serviço, e não há exibição gratuita oficial nem lançamento confirmado em outras plataformas.
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