Diablo IV já era um jogo muito forte por conta própria. Em 2023, a Blizzard conseguiu entregar um action RPG robusto, com um mundo marcante, ótima ambientação e uma base de combate que prendia fácil por muitas horas. Por isso, antes de falar da expansão, vale deixar claro: a avaliação aqui olha para Vessel of Hatred como um conteúdo adicional, não como reavaliação do game base.
E, nesse recorte, a expansão funciona. Ela amplia o universo de forma interessante, traz uma nova região muito boa de explorar e acerta bastante com a chegada da classe Natispirito. Ao mesmo tempo, não consegue manter sempre o mesmo nível do jogo principal e deixa a sensação de que algumas partes poderiam ter sido melhor lapidadas.
Nahantu é o grande acerto da expansão
A melhor novidade de Vessel of Hatred está em Nahantu. A nova região não entra no mapa só para aumentar o tamanho do mundo. Ela tem identidade própria, clima diferente e uma presença bem forte dentro da experiência.
Explorar Nahantu é interessante porque a área consegue preservar a essência de Diablo IV e, ao mesmo tempo, apresentar uma atmosfera distinta do que o jogador tinha encontrado até então. Existe um peso próprio na ambientação, na cultura local e na forma como a lore da região se encaixa dentro do universo do jogo.

Esse é o tipo de expansão territorial que realmente acrescenta algo. Não parece apenas mais um pedaço de mapa. Parece um lugar com personalidade.
Natispirito é uma adição muito bem-vinda
Outro ponto alto da DLC é o Natispirito. Mesmo jogando a campanha principal da expansão com outra classe, dá para perceber rápido que a novidade foi pensada com bastante cuidado.
Depois de terminar a jornada principal, a experiência com o Natispirito mostrou uma classe muito agradável de usar, com identidade própria e ferramentas que a diferenciam bem do restante do elenco. Em vez de soar como acréscimo protocolar, ela realmente aumenta a variedade do jogo.
Esse é um dos acertos mais claros da expansão. O Natispirito não só se encaixa bem em Diablo IV, como também tem personalidade suficiente para justificar sua chegada como um dos grandes chamarizes do pacote.
A expansão nem sempre mantém o mesmo ritmo do jogo base
Embora a base continue muito boa, Vessel of Hatred tem momentos em que o ritmo cai. Em certos trechos, a sensação é de que o desafio se alonga mais do que deveria, repetindo estruturas ou insistindo em uma cadência menos envolvente do que a do jogo principal.
Isso não chega a comprometer a expansão inteira, mas pesa na percepção geral. O jogo base soube conduzir melhor sua progressão e passar a sensação de jornada mais redonda. Aqui, há partes em que o conteúdo parece esticar sem o mesmo impacto.
Os checkpoints poderiam ser melhor distribuídos
Um detalhe que incomoda mais do que deveria está no sistema de checkpoints. Em alguns momentos, morrer significa voltar demais e repetir deslocamentos desnecessários, o que atrapalha o fluxo da exploração e do combate.

Não é um problema constante o tempo todo, mas aparece o suficiente para ser notado. Em um ARPG desse porte, uma distribuição mais cuidadosa desses pontos de retorno teria ajudado bastante a deixar a experiência mais fluida.
Nem todos os chefes têm o mesmo peso
As boss battles do jogo base subiram bem a régua de expectativa, então era natural esperar algo forte da expansão também. Vessel of Hatred até entrega confrontos importantes que funcionam bem, mas nem todos mantêm o mesmo impacto.
Existem lutas boas aqui, só que parte dos chefes acaba ficando abaixo do que o restante do pacote sugere. Não chega a haver combate ruim de verdade, mas alguns encontros deixam a impressão de que poderiam ser mais memoráveis, mais intensos ou mais bem construídos.

Para uma expansão de Diablo, esse é um ponto que acaba pesando bastante na avaliação final.





