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Bob Dylan não precisou de um palco para chamar a atenção nesta quarta-feira (4). Aos 85 anos, o cantor e compositor americano apareceu no Vaticano para uma audiência privada com o papa Leão XIV. Nas fotografias divulgadas pelo Vaticano, o músico surge de moletom preto, com o capuz sobre a cabeça, enquanto cumprimenta o pontífice.
A visita ocorreu no Palácio Apostólico, em Roma, onde Dylan está para uma série de apresentações. O encontro foi breve, mas incluiu uma troca de presentes: Leão XIV entregou um terço ao artista, que retribuiu com um exemplar de Chronicles: Volume One, sua autobiografia publicada originalmente em 2004.

O encontro foi noticiado pelo Vatican News, veículo oficial de comunicação da Santa Sé, e repercutiu na imprensa internacional. A visita também chamou a atenção pela história que os dois compartilham, especialmente no que diz respeito à música, à religião e às críticas às armas nucleares.
Por que Bob Dylan se encontrou com o papa?
Não houve anúncio de projeto ou parceria envolvendo o músico e a Igreja Católica. A audiência foi um encontro pessoal, realizado durante a passagem de Dylan pela Itália. Segundo a Associated Press, o cantor tinha interesse em conversar com o pontífice, e a visita contou com a participação do padre jesuíta Antonio Spadaro e de Andrea Monda, diretor do jornal L’Osservatore Romano.
Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost em Chicago, conhece a obra do músico desde a juventude. Em julho deste ano, inclusive, o papa recorreu a uma composição pouco conhecida de Dylan para escrever sobre um dos assuntos que mais tem abordado em seu pontificado: a paz.
O texto escolhido foi Go Away You Bomb, escrito em 1963, durante a Guerra Fria. A composição é dirigida a uma bomba atômica e critica a capacidade humana de criar e controlar armas de destruição em massa.
Leão XIV citou versos da obra no prefácio do livro Desarmada e desarmante. A paz é um dom, publicado pela editora do Vaticano. O manuscrito de Dylan nunca deu origem a uma gravação oficial do cantor, mas ganhou nova relevância ao ser recuperado pelo pontífice mais de seis décadas depois de sua criação.

Bob Dylan já havia se encontrado com outro papa
Para quem acompanha a carreira do músico, a aproximação com o Vaticano não é inteiramente inédita. Em setembro de 1997, Dylan se apresentou diante de João Paulo II durante o Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Bolonha, na Itália.
Na ocasião, o americano cantou para uma multidão de aproximadamente 300 mil pessoas. Entre as músicas apresentadas estava Knockin’ on Heaven’s Door, uma de suas composições mais conhecidas.

Depois da apresentação, Dylan retirou o chapéu e subiu ao palco para cumprimentar João Paulo II. O pontífice também fez referência a Blowin’ in the Wind, canção lançada pelo músico em 1963 e que se tornou um símbolo dos movimentos pelos direitos civis e contra a guerra.
A religião atravessa diferentes períodos da discografia de Dylan. Criado em uma família judaica, ele se aproximou do cristianismo evangélico no fim da década de 1970. A mudança ficou evidente em álbuns como Slow Train Coming (1979), Saved (1980) e Shot of Love (1981), marcados por letras religiosas e influências do gospel.
Embora tenha se tornado mais reservado sobre suas crenças ao longo dos anos, o cantor nunca abandonou completamente as referências espirituais em suas músicas.
O que Bob Dylan está fazendo na Itália?
O artista está no país para uma nova etapa da Rough and Rowdy Ways Tour. O próximo show está marcado para quinta-feira (5), no Palazzo dello Sport, em Roma. A programação também inclui apresentações em outras cidades italianas.
Uma particularidade dos concertos é a restrição ao uso de celulares para gravações, medida adotada em diferentes apresentações do artista. O objetivo é preservar a experiência ao vivo, sem a presença constante de telas entre o público e o palco.
Vencedor do Nobel de Literatura em 2016, Dylan permanece em atividade mais de seis décadas depois de iniciar sua carreira. Sua obra inclui clássicos como Like a Rolling Stone, The Times They Are A-Changin’ e Mr. Tambourine Man.
Aos 85 anos, o músico continua fazendo apresentações e mantendo a discrição que se tornou uma de suas marcas. Desta vez, porém, bastaram algumas fotografias ao lado do papa para colocá-lo novamente no centro das atenções.

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