Sim, Amor Tóxico (A Toxic Love Story) conta uma história real. O documentário da Netflix reconstrói o caso de Michelle Hadley, que ficou presa por 88 dias depois de ser acusada de perseguir o ex-noivo, Ian Diaz, e a nova esposa dele, Angela Connell.
As acusações pareciam sustentadas por uma grande quantidade de mensagens, denúncias e registros digitais. A investigação posterior, porém, mostrou que Michelle havia sido colocada no centro de um esquema elaborado para incriminá-la.
O caso atravessou diferentes processos estaduais e federais. Angela recebeu uma condenação de cinco anos, enquanto Ian, ex-agente federal, foi condenado a dez anos e um mês de prisão.
Quem é Michelle Hadley?
Michelle conheceu Ian Diaz pela internet em 2013. Na época, ele trabalhava como deputy U.S. marshal, função ligada ao serviço federal de segurança dos Estados Unidos.

Os dois ficaram noivos e compraram juntos um imóvel em Anaheim, na Califórnia. Segundo Michelle, ela utilizou parte das próprias economias para pagar a entrada da propriedade.
O relacionamento terminou depois de alguns meses conturbados. Michelle deixou o imóvel, mas continuou ligada financeiramente ao local porque seu nome permanecia nos documentos da propriedade.
No início de 2016, Ian conheceu Angela Connell. Os dois se casaram pouco tempo depois e passaram a morar justamente no imóvel que ainda pertencia parcialmente a Michelle.
Como começaram as acusações?
Angela afirmou que começou a receber mensagens ameaçadoras enviadas por uma pessoa identificada como “Lilithistruth”. Ela e Ian disseram à polícia que Michelle era a responsável.
As mensagens imitavam parcialmente o estilo de dois e-mails antigos que Michelle havia enviado ao ex-noivo. Essa semelhança ajudou a tornar as acusações aparentemente convincentes.

A campanha cresceu com novas denúncias, anúncios falsos e relatos de perseguição. Desconhecidos chegaram a ser direcionados até a residência do casal por meio de publicações feitas na internet.
Em 6 de junho de 2016, Michelle recebeu uma ordem judicial que a proibia de entrar em contato com Angela. Mesmo depois da determinação, as mensagens continuaram.
Em 24 de junho, Michelle foi abordada pela polícia e presa. Ela enfrentou acusações graves e permaneceu detida enquanto aguardava o andamento do processo.
Quanto tempo Michelle ficou presa?
Michelle Hadley permaneceu 88 dias na prisão. Durante esse período, o caso ganhou repercussão na imprensa local, que inicialmente a apresentou como responsável por uma campanha de perseguição.
Ela negou desde o começo ter criado a conta “Lilithistruth” ou enviado as mensagens atribuídas a ela.
As acusações afetaram sua vida pessoal, profissional e financeira. Mesmo depois da libertação, Michelle precisou trabalhar para limpar publicamente seu nome.
Como a versão de Angela começou a desmoronar?
A investigação encontrou inconsistências em diferentes partes da história de Angela. Uma das principais foi a gravidez que ela afirmava estar vivendo.
Ian encontrou um exame adulterado e testes modificados. A polícia também descobriu que outras informações fornecidas por Angela não correspondiam à realidade.
Pessoas que haviam convivido com ela relataram histórias anteriores sobre doenças e empregos que não puderam ser comprovadas. Esses elementos fizeram os investigadores reavaliarem a origem das mensagens.
A possibilidade de Angela ter enviado parte do conteúdo para si mesma ganhou força. Em janeiro de 2017, ela foi presa.
Michelle foi inocentada?
Sim. As acusações contra Michelle foram retiradas, e as autoridades reconheceram publicamente que ela havia sido vítima de um esquema.

Angela posteriormente admitiu crimes como fraude, cárcere privado e apresentação de denúncia falsa. Ela recebeu uma pena de cinco anos.
A condenação de Angela esclareceu parte do caso, mas Michelle continuou afirmando que o papel de Ian não havia sido investigado adequadamente.
Quem era Lilithistruth?
“Lilithistruth” era o nome usado nas contas responsáveis pela campanha de mensagens. Durante meses, a identidade foi atribuída a Michelle.
Uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos encontrou evidências digitais que relacionavam Ian Diaz ao perfil. Uma conversa enviada por uma conta pessoal dele continuava uma troca de mensagens anteriormente conduzida pela identidade falsa.
Para os investigadores, isso demonstrava que Ian conhecia e controlava partes essenciais do esquema. O Departamento de Justiça concluiu que ele e a então esposa trabalharam para se passar por Michelle e produzir evidências contra ela.
Qual foi a participação de Ian Diaz?
Ian Diaz teria usado conhecimentos profissionais e sua posição como agente federal para dar credibilidade às acusações contra Michelle.
Segundo o processo, ele participou da criação de contas falsas, utilizou serviços destinados a dificultar o rastreamento das conexões e apagou registros relacionados às mensagens.
A investigação também apontou que Ian prestou informações falsas durante um depoimento relacionado ao processo civil aberto por Michelle.
Em março de 2023, um júri federal o considerou culpado por:
- conspiração para perseguição virtual;
- perseguição virtual;
- perjúrio;
- obstrução de um procedimento federal.
Em 30 de junho de 2023, Ian recebeu uma pena de 121 meses de prisão, equivalente a dez anos e um mês. Ele também foi desligado do U.S. Marshals Service.
Um tribunal de apelação manteve a condenação em janeiro de 2025.
Angela também foi vítima de Ian?
O documentário levanta essa possibilidade, mas não oferece uma resposta definitiva.
Angela participou das acusações contra Michelle e admitiu crimes no processo estadual. Ao mesmo tempo, os responsáveis pelo filme questionam até que ponto ela também pode ter sido manipulada por Ian durante o relacionamento.
Angela recusou o convite para participar da produção. Ian também não concedeu entrevista.
Por isso, Amor Tóxico evita apresentar uma explicação definitiva sobre a dinâmica entre os dois, sem apagar as responsabilidades reconhecidas judicialmente.
O que aconteceu com Michelle?
Depois de ser inocentada, Michelle abriu um processo contra a cidade de Anaheim e o departamento de polícia local. Ela alegava que os investigadores ignoraram informações que poderiam ter evitado sua prisão.
O processo terminou em abril de 2021 com um acordo de valor não divulgado.
Michelle retomou a carreira, concluiu os estudos e passou a falar publicamente sobre abuso, manipulação e falhas na investigação de denúncias. Ela também se tornou mãe e participa diretamente do documentário da Netflix.
Onde estão Ian e Angela atualmente?
Ian permanece cumprindo a pena federal de dez anos e um mês. A condenação inclui ainda um período de liberdade supervisionada depois da saída da prisão.
Angela cumpriu a pena recebida no processo estadual, deixou a Califórnia e voltou a usar o sobrenome Connell. Informações sobre sua vida atual são limitadas, já que ela não participou do filme.
Como é o documentário?
Amor Tóxico é dirigido por Alexandra Lacey e produzido pela Curious Films. A produção utiliza entrevistas, reportagens, documentos e imagens de câmeras policiais.
A narrativa apresenta as informações aproximadamente na ordem em que se tornaram públicas. Dessa forma, o espectador primeiro conhece as acusações contra Michelle e depois acompanha as contradições que mudaram o rumo do caso.
O documentário tem 1h31 de duração e estreou na Netflix em 22 de julho de 2026.
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