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O óbvio precisa ser dito: Assassin’s Creed II deve ser o próximo remake da Ubisoft

Black Flag Resynced mostrou que existe público para a volta dos clássicos, e nenhum jogo da série tem um caso mais forte que a estreia de Ezio Auditore

O óbvio precisa ser dito: Assassin’s Creed II deve ser o próximo remake da Ubisoft
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O sucesso de Assassin’s Creed Black Flag Resynced praticamente escreveu a próxima reunião de planejamento da Ubisoft. O remake alcançou 94% de aprovação no OpenCritic, ultrapassou 2 milhões de cópias vendidas e confirmou algo que a empresa provavelmente já sabia: existe um público enorme disposto a voltar aos melhores capítulos da série.

A pergunta agora é qual jogo deve receber esse tratamento. Há espaço para defender o primeiro Assassin’s Creed, Unity, Brotherhood ou até títulos menos lembrados. Ainda assim, a resposta mais segura está parada na frente de todo mundo desde 2009.

Assassin’s Creed II deveria ser o próximo remake da Ubisoft.

Yves Guillemot já afirmou que alguns dos jogos antigos da franquia possuem mundos que continuam “extremamente ricos”. Poucos encaixam melhor nessa descrição do que a Itália renascentista de Ezio Auditore.

The Ezio Collection preserva o jogo, mas não substitui um remake

Assassin’s Creed II já voltou uma vez. Em 2016, a Ubisoft lançou The Ezio Collection para PS4 e Xbox One, reunindo o segundo jogo, Brotherhood e Revelations com melhorias visuais e todo o conteúdo adicional das campanhas. A coletânea chegou ao Nintendo Switch em 2022.

Foi uma boa maneira de manter a trilogia acessível. Só que um remaster não resolve os pontos em que Assassin’s Creed II mais envelheceu.

A estrutura, as animações, o comportamento dos inimigos e os sistemas continuam presos à base lançada no PS3 e no Xbox 360. Houve ajustes gráficos, mas o projeto permaneceu essencialmente o mesmo. A coletânea também carregou três jogos de uma vez, sem dar a nenhum deles uma reconstrução comparável ao trabalho feito em Black Flag Resynced.

A diferença importa. O remake de Black Flag atualizou o parkour, reorganizou a exploração do mapa e refez partes do combate. A Ubisoft não colocou apenas texturas melhores sobre o Caribe de Edward Kenway. Ela revisou como o jogador se move e luta naquele espaço.

Assassin’s Creed II precisa exatamente disso.

Florença e Veneza ainda estão entre os melhores mapas da série

A campanha de Ezio passa por Florença, Veneza, Monteriggioni, San Gimignano, Forlì e pelo Vaticano. São cidades menores que os mapas gigantes dos capítulos recentes, mas construídas para parkour, perseguições e assassinatos urbanos.

Esse desenho continua forte. O que pesa é a execução técnica.

Um remake poderia reconstruir os telhados de Florença com transições de movimento mais suaves, reduzir os saltos enviados para a direção errada e dar mais precisão às descidas. Veneza se beneficiaria de multidões mais densas, canais mais vivos e interiores que façam parte das rotas de infiltração.

O material original já oferece missões de perseguição, tumbas, esconderijos templários, contratos e alvos inseridos em pontos históricos. O jogo também permite contratar ladrões, cortesãs e mercenários para distrair guardas ou abrir caminhos. Não faltam sistemas para trabalhar. Falta atualizar como eles conversam entre si.

Assassin’s Creed II vendeu mais de 9 milhões de cópias em seus primeiros seis meses e deu origem a duas sequências diretas protagonizadas por Ezio. The Ezio Collection manteve essa saga disponível, mas sem reconstruir sua base.

Ezio ainda é o protagonista mais fácil de vender

Edward Kenway sustentou Black Flag Resynced porque sua história continua funcionando. Ezio oferece uma vantagem parecida, talvez maior.

Assassin’s Creed II acompanha o personagem desde a juventude irresponsável em Florença até sua entrada na Irmandade. A execução de sua família cria o impulso inicial, mas a campanha cresce para uma história sobre vingança, maturidade e o conflito entre Assassinos e Templários.

A relação com Leonardo da Vinci também entrega momentos que a Ubisoft poderia ampliar. No jogo original, Leonardo traduz páginas do Códice, desenvolve equipamentos e coloca Ezio em contato com invenções como a máquina voadora. Um remake teria espaço para aprofundar essa amizade sem alterar o rumo principal.

Há ainda Desmond Miles, Lucy, Rebecca e Shaun. A história no presente voltou a ser discutida por jogadores durante anos, em parte porque os capítulos seguintes nunca encontraram um substituto tão eficiente para aquela equipe. Reconstruir Assassin’s Creed II significaria recuperar uma fase em que o Animus e a trama contemporânea ainda pareciam parte central da série.

O tamanho do projeto é o verdadeiro problema

Refazer Assassin’s Creed II sozinho já seria caro. Refazer toda a trilogia de Ezio no mesmo nível de Black Flag Resynced seria muito maior.

Brotherhood leva a história para Roma, adiciona o recrutamento de Assassinos e expande os conflitos contra os Bórgia. Revelations muda o cenário para Constantinopla e encerra as jornadas de Ezio e Altaïr. Os três jogos formam uma história contínua, mas não precisam ser reconstruídos ao mesmo tempo.

A decisão mais inteligente seria começar por Assassin’s Creed II e tratar Brotherhood como uma possível continuação. Isso permitiria à Ubisoft concentrar recursos na Itália renascentista e evitar que o projeto vire uma coletânea enorme, cara e irregular.

Black Flag era uma escolha fácil porque Edward, os navios e o Caribe ainda tinham apelo. Assassin’s Creed II segue a mesma lógica com uma vantagem: ele é o jogo que transformou Assassin’s Creed em uma das maiores séries da Ubisoft.

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