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Smart Sampa: nova falha expôs 17 mil câmeras sem senha

Reportagem identificou acesso a transmissões ao vivo por cinco dias; administração municipal nega exposição pública e afirma que vai investigar o caso

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Uma nova falha de segurança no Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, permitiu o acesso sem senha a transmissões de aproximadamente 17 mil câmeras de empresas parceiras. A vulnerabilidade foi revelada nesta terça-feira (3) pelo UOL, que conseguiu visualizar imagens ao vivo durante cinco dias.

É a segunda exposição de grande escala revelada no programa em menos de um mês. Em 20 de outubro, outra investigação havia identificado informações que possibilitavam acessar mais de 58 mil câmeras.

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Os links associados ao episódio mais recente foram desativados em 30 de outubro. A Prefeitura de São Paulo contesta a denúncia de exposição pública e afirma que o material chegou à reportagem por meio de um vazamento ilegal de informações de uma auditoria interna.

Central de monitoramento do Smart Sampa, com operadores e telas exibindo imagens de câmeras de São Paulo
Central de monitoramento do Smart Sampa, na cidade de São Paulo. Foto: Prefeitura de São Paulo/Divulgação (arquivo).

O que aconteceu com as 17 mil câmeras do Smart Sampa?

De acordo com a investigação do jornalista Artur Rodrigues, do UOL, as transmissões estavam hospedadas na Monuv, empresa que oferece serviços de armazenamento e transmissão de imagens de câmeras de segurança na nuvem.

Os equipamentos pertenciam a empresas privadas integradas ao programa municipal. A reportagem conseguiu abrir transmissões ao vivo sem informar usuário, senha ou outro mecanismo de autenticação.

Entre as imagens acessíveis estavam ruas próximas às residências de autoridades brasileiras e entradas de clubes tradicionais da capital paulista. Isso permitia observar a movimentação de pessoas e veículos em locais específicos.

Para confirmar que as transmissões correspondiam a imagens reais e atualizadas, a equipe do UOL realizou testes presenciais diante de câmeras na região dos Campos Elíseos, no centro de São Paulo.

O acesso permaneceu possível durante cinco dias, segundo a reportagem. Os links foram desativados na sexta-feira, 30 de outubro, após os questionamentos enviados à Prefeitura, à Sentinelx e à Monuv.

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Como funcionava a nova falha de segurança?

A segunda vulnerabilidade tinha uma origem diferente da exposição identificada em outubro.

Segundo uma fonte de cibersegurança ouvida pelo UOL, arquivos relacionados ao código de um site ligado à Sentinelx, fornecedora da tecnologia do Smart Sampa, revelavam informações sobre serviços utilizados pela plataforma.

Esses dados possibilitavam obter informações cadastrais de empresas parceiras, documentos e endereços completos de transmissões de vídeo.

O principal problema relatado era a ausência de uma verificação adequada de autorização para determinados acessos.

O que é uma falha IDOR?

Uma das vulnerabilidades mencionadas pelos especialistas é conhecida como IDOR, sigla para Insecure Direct Object Reference, ou referência direta insegura a objeto.

Ela ocorre quando um sistema permite consultar informações ou recursos que deveriam estar protegidos sem verificar corretamente se o usuário tem autorização para acessá-los.

Em uma plataforma de monitoramento, problemas desse tipo podem comprometer a separação entre informações de diferentes usuários, organizações ou equipamentos.

A identificação dessa categoria de falha não comprova, por si só, que criminosos tenham explorado o sistema ou armazenado as imagens.

Smart Sampa já havia exposto 58 mil câmeras em outubro

O novo episódio acontece apenas duas semanas depois da primeira denúncia de grande escala.

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Em 20 de outubro de 2026, o UOL revelou que informações sigilosas do Smart Sampa haviam permanecido disponíveis em um repositório público durante aproximadamente 11 meses.

O material incluía 181 credenciais de acesso, dados cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança e informações que permitiam visualizar imagens de mais de 58 mil câmeras.

Entre os equipamentos potencialmente acessíveis estavam câmeras instaladas em ruas, escolas, creches e unidades de saúde.

Na ocasião, a Prefeitura reconheceu um vazamento ilegal de dados, mas negou a existência de vulnerabilidades estruturais na plataforma. A administração informou que um servidor foi afastado e passou a ser investigado.

Os números de 58 mil e 17 mil câmeras se referem a episódios diferentes. Não há informação suficiente para afirmar que representam 75 mil equipamentos distintos, pois os conjuntos podem apresentar sobreposição.

O que diz a Prefeitura de São Paulo?

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana apresentou uma versão diferente para a origem das informações utilizadas na nova denúncia.

Segundo a administração municipal, a relação de links fazia parte de uma planilha elaborada pela PRODAM durante um trabalho de análise de segurança iniciado em 20 de outubro, a pedido do prefeito Ricardo Nunes.

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A Prefeitura afirma que a lista não esteve publicamente disponível na internet e que o envio do arquivo à imprensa ocorreu de maneira ilegal.

O município também declarou que o Smart Sampa continua funcionando regularmente e que não encontrou evidências de ataques externos.

A gestão acrescentou que suas mais de 20 mil câmeras próprias não estavam incluídas na planilha mencionada na reportagem.

Sobre os equipamentos particulares, a Secretaria afirmou que as empresas parceiras possuem infraestrutura tecnológica própria e são responsáveis pela administração e proteção de seus ambientes.

A Prefeitura anunciou que adotará medidas administrativas e legais para investigar o caso.

O que dizem a Sentinelx e a Monuv?

A Sentinelx é responsável pela plataforma tecnológica utilizada pelo Smart Sampa. Segundo o UOL, a empresa não respondeu aos questionamentos enviados antes da publicação da reportagem.

Já a Monuv informou manter controles de acesso, autenticação e proteção de informações e transmissões, seguindo práticas de segurança da informação.

A empresa explicou que, na integração com programas públicos, as imagens são compartilhadas por clientes e parceiros autorizados.

No caso do Smart Sampa, a Monuv afirmou que os mecanismos de acesso às câmeras integradas seguem as especificações de segurança definidas pelo próprio programa municipal.

Agente de segurança operando computador na central de monitoramento do Smart Sampa
O Smart Sampa integra câmeras públicas e privadas para monitoramento da capital paulista. Foto: Prefeitura de São Paulo/Divulgação (arquivo).

Quais são os riscos para a privacidade das pessoas?

O acesso não autorizado a câmeras de segurança pode revelar muito mais do que imagens isoladas de uma rua.

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Quando transmissões são acompanhadas continuamente, existe o risco de identificar rotinas de deslocamento, horários de entrada e saída de imóveis e padrões de movimentação de pessoas.

O impacto depende da localização e da finalidade de cada câmera, além do período durante o qual as imagens podem ser consultadas.

A reportagem também descreve a possibilidade de acesso a dados cadastrais e documentos de parceiros. Esse aspecto exige atenção à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) estabelece que incidentes confirmados envolvendo dados pessoais e capazes de causar risco ou dano relevante devem ser comunicados à autoridade e aos titulares, conforme os critérios legais.

A divulgação de uma vulnerabilidade, entretanto, não significa automaticamente que todos os usuários tiveram seus dados pessoais roubados ou que terceiros armazenaram as transmissões.

Conselho de Direitos Humanos pediu suspensão do Smart Sampa

As denúncias anteriores já haviam provocado uma reação do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Em 28 de outubro, o órgão pediu a suspensão do programa diante das preocupações com a proteção de dados e com os mecanismos de acesso às câmeras.

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O conselho também cobrou medidas de segurança, auditoria independente e providências para a proteção das pessoas potencialmente afetadas.

O pedido foi noticiado pela Agência Brasil. A solicitação de suspensão não representa, por si só, uma determinação judicial de interrupção do programa.

A falha no Smart Sampa já foi corrigida?

Os links associados à nova denúncia foram retirados do ar em 30 de outubro, de acordo com o UOL.

Isso indica que o acesso identificado pela reportagem foi interrompido, mas não permite concluir que todas as possíveis vulnerabilidades da plataforma tenham sido eliminadas.

A Prefeitura informou que a PRODAM realiza análises de segurança e que o consórcio responsável pelo programa também contratou uma empresa independente para avaliar o sistema.

Até a divulgação da denúncia, não havia confirmação pública suficiente para estabelecer que todos os problemas de autorização e proteção de dados mencionados nas investigações estivessem definitivamente corrigidos.

O que fazer se sua câmera está integrada ao Smart Sampa?

Empresas e responsáveis por equipamentos de videomonitoramento conveniados ao programa podem solicitar aos fornecedores informações sobre a participação de suas câmeras no conjunto afetado.

Também é recomendável verificar os controles de acesso, revisar as permissões concedidas a terceiros e confirmar se os mecanismos de compartilhamento das transmissões foram atualizados.

Para moradores e pessoas que circulam em áreas monitoradas, não existe, nas informações divulgadas até agora, uma ferramenta oficial que permita consultar individualmente se foram filmados pelas câmeras envolvidas.

O ponto ainda sem resposta definitiva é a extensão da exposição. A desativação dos links e a continuidade da operação do Smart Sampa não substituem uma análise independente sobre o alcance dos incidentes e os controles de segurança do programa.

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