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Quem traiu El Mayo foi Joaquín Guzmán López, um dos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán. Em dezembro de 2025, ele admitiu à Justiça dos Estados Unidos que organizou o sequestro de Ismael Zambada García, antigo sócio de seu pai e um dos fundadores do Cartel de Sinaloa. A operação terminou com os dois presos em 25 de julho de 2024, após um voo do México até o Novo México.
A confissão ajuda a esclarecer o principal mistério de A Queda de El Mayo, minissérie documental lançada pela Netflix em 29 de outubro de 2026. Mas a investigação ainda tem uma questão sem resposta definitiva: quanto as autoridades americanas sabiam sobre o plano antes de sua execução?
Como o filho de El Chapo sequestrou El Mayo?
A sequência foi descrita no acordo judicial assinado por Joaquín Guzmán López. Segundo o documento, ele convenceu El Mayo a comparecer a uma reunião em Sinaloa, no México, sob o argumento de que sua presença seria necessária para resolver um desentendimento.
Quando Zambada chegou, Guzmán López o levou para uma sala reservada. O ambiente havia sido preparado: o vidro de uma janela que ia do chão ao teto tinha sido removido. Depois de trancar a porta, Joaquín permitiu que homens armados entrassem pela abertura.

Os participantes da emboscada algemaram El Mayo, cobriram sua cabeça e o carregaram até uma caminhonete. O veículo percorreu entre 10 e 15 minutos até uma pista de pouso, onde um avião aguardava.
Já na aeronave, Zambada foi preso a um assento com abraçadeiras plásticas. Joaquín preparou uma bebida com sedativos, consumiu parte dela e ofereceu outra parte ao traficante. O piloto, seguindo instruções previamente recebidas, conduziu o avião aos Estados Unidos.
A descrição confirmou elementos centrais da versão apresentada pelo próprio El Mayo em agosto de 2024. Na época, por meio de seu advogado Frank Pérez, Zambada afirmou que havia sido levado contra a vontade e negou ter negociado uma entrega voluntária. Seu relato, porém, apresentava a reunião como uma tentativa de resolver conflitos entre lideranças políticas de Sinaloa, detalhe que não aparece da mesma maneira na confissão de Joaquín.
Por que Joaquín Guzmán López traiu o antigo aliado do pai?
O acordo aponta um possível benefício judicial como uma das motivações. Joaquín reconheceu que esperava obter vantagens por sua colaboração com o governo americano, tanto para si quanto para seu irmão Ovidio Guzmán López, que já estava sob custódia dos Estados Unidos.
O interesse pessoal se misturava a uma disputa de poder. Depois da prisão de El Chapo, seus filhos, conhecidos como Los Chapitos, ganharam espaço na liderança do cartel. A relação com a família Zambada, construída ao longo de décadas, passou a conviver com rivalidades internas.
A dimensão familiar é um dos pontos explorados pelo documentário. Em entrevista ao jornal El País, os diretores Darren Foster e Miguel Fernández Flores explicaram que procuraram compreender como uma relação tão próxima terminou em traição. Segundo o advogado Frank Pérez, ouvido pela produção, El Mayo confiava especialmente em Joaquín, considerado seu afilhado.
Para entender o histórico dessa família, o Overdrive também publicou uma reportagem sobre a verdadeira captura de El Chapo e o que o filme da Netflix mudou.
O que a Justiça confirmou e o que continua sem resposta?
É importante distinguir duas partes do processo. Em 1º de dezembro de 2025, Joaquín Guzmán López se declarou culpado de conspiração para o tráfico de drogas e participação em uma organização criminosa continuada. O sequestro foi admitido como uma infração adicional no acordo, considerada para fins de cálculo da pena. Não se tratou, naquela audiência, de uma condenação separada pelo crime de sequestro.
O documento também registra que o governo dos Estados Unidos não solicitou, incentivou, aprovou ou autorizou o sequestro. Joaquín reconheceu que nem ele nem seu irmão receberiam benefícios de colaboração especificamente por essa ação.
Isso não encerrou o debate sobre possíveis contatos anteriores. Uma investigação do Los Angeles Times publicada em julho de 2026 relatou, com base em fontes familiarizadas com a operação, que agentes americanos já mantinham conversas com Guzmán López sobre sua rendição. A reportagem não demonstrou que essas autoridades tenham ordenado o sequestro.
Essa distinção é central para entender A Queda de El Mayo. A Netflix apresenta hipóteses sobre uma traição pessoal, negociações com autoridades e uma possível operação secreta, mas os realizadores reconhecem que não conseguiram estabelecer uma conclusão definitiva sobre todos os envolvidos.
O que aconteceu com El Mayo depois da traição?

A prisão agravou a divisão do Cartel de Sinaloa. De um lado ficaram os Los Chapitos, ligados aos filhos de El Chapo. Do outro, integrantes da facção conhecida como La Mayiza, associada à família e aos aliados de Zambada. A disputa provocou confrontos, mortes e desaparecimentos no estado mexicano de Sinaloa.
Nos Estados Unidos, El Mayo se declarou culpado em agosto de 2025 de crimes relacionados à liderança de uma organização criminosa e à atuação do cartel. Em 20 de julho de 2026, recebeu uma sentença de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Portanto, a identidade do responsável pelo sequestro deixou de ser apenas uma suspeita. O que permanece em discussão é o alcance da colaboração anterior à captura e se outras pessoas conheciam todos os detalhes da operação. É essa parte da história que mantém aberto o mistério investigado pela Netflix.






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