Um novo jailbreak ampliou consideravelmente o número de consoles PlayStation 5 que podem executar código não autorizado. Batizada de Relapse, a exploração funciona tanto no PS5 convencional quanto no PS5 Pro, desde que o aparelho esteja em uma versão compatível do software do sistema.
De acordo com o repositório oficial do Relapse no GitHub, a cadeia de exploits oferece suporte aos firmwares 7.00 até 13.60. Na prática, isso amplia bastante a quantidade de consoles vulneráveis em comparação com métodos anteriores e, principalmente, coloca unidades do PS5 Pro dentro da janela de compatibilidade.
Isso não significa, porém, que qualquer PS5 possa ser desbloqueado. Consoles que já receberam versões posteriores, como os firmwares 14.00 e 14.10, ficam fora da faixa anunciada pelos responsáveis pelo projeto.

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O que é o jailbreak Relapse do PS5?
Relapse é uma cadeia de exploits criada para contornar determinadas proteções de segurança do sistema operacional do PlayStation 5. Em vez de ser um firmware alternativo instalado permanentemente no aparelho, o método explora vulnerabilidades enquanto o sistema está funcionando.
A cadeia começa em componentes utilizados pelo console para processar conteúdo da web e avança até uma vulnerabilidade no kernel, uma das partes mais protegidas e importantes do sistema operacional.
Quando essa sequência funciona, o software obtém privilégios que normalmente não ficam disponíveis para o usuário. Isso abre caminho para a execução de programas desenvolvidos pela comunidade, conhecidos como homebrews e payloads.
Como funciona o novo jailbreak do PS5?
O funcionamento do Relapse pode ser resumido em três etapas. Não é necessário entrar nos procedimentos de instalação para entender por que a descoberta é importante.
1. A exploração começa em componentes do navegador
A primeira parte do Relapse utiliza vulnerabilidades relacionadas ao JavaScriptCore, mecanismo responsável por processar JavaScript.
Segundo a documentação técnica publicada pelos desenvolvedores, essa etapa combina vazamentos de informações da memória com uma incompatibilidade envolvendo objetos para provocar corrupção de memória.
Essa primeira falha serve como uma porta de entrada. Sozinha, contudo, ela ainda não entrega acesso total ao sistema do PlayStation 5.
2. A cadeia consegue chegar ao kernel
Depois da primeira etapa, o Relapse combina outro vazamento de endereço com uma vulnerabilidade do tipo use-after-free relacionada ao recurso aio_multi_wait.
O objetivo dessa segunda fase é alcançar acesso de leitura e escrita no kernel.
O kernel funciona como uma das camadas centrais do sistema operacional. Ele controla processos, memória, comunicação com o hardware e diversas permissões. Conseguir alterar informações nessa região permite contornar restrições que normalmente impedem a execução de programas não autorizados.
3. O console consegue executar outros programas
Com o acesso obtido pela cadeia de exploits, desenvolvedores podem executar código que não foi assinado oficialmente pela Sony.
É a partir desse ponto que entram ferramentas de homebrew, emuladores, modificações e diferentes payloads desenvolvidos pela comunidade.
O Relapse, portanto, não deve ser confundido com um pacote que instala automaticamente todos esses recursos. Ele funciona principalmente como a porta de entrada que torna esse tipo de desenvolvimento possível.
Quais versões do PS5 são compatíveis com o Relapse?
Os responsáveis pelo projeto indicam oficialmente suporte do firmware 7.00 ao 13.60.
| Console ou firmware | Compatibilidade com Relapse |
|---|---|
| PS5 com firmware 7.00 a 13.60 | Compatível |
| PS5 Digital Edition com firmware 7.00 a 13.60 | Compatível |
| PS5 Slim com firmware dentro da faixa suportada | Compatível |
| PS5 Pro com firmware até 13.60 | Compatível dentro da faixa anunciada |
| Firmware 14.00 | Fora da faixa suportada |
| Firmware 14.10 | Fora da faixa suportada |
Isso explica por que a versão instalada é mais importante do que simplesmente saber qual modelo do console está sendo utilizado.
O Overdrive já detalhou as mudanças da atualização 26.06-14.00.00 do PS5. Como a versão 14.00 já está acima do limite 13.60 informado pelo Relapse, consoles atualizados para ela ficam fora da janela atual do jailbreak.
O jailbreak também funciona no PS5 Pro?
Sim. Esse é justamente um dos pontos que fizeram o Relapse ganhar atenção.
O PS5 Pro chegou ao mercado anos depois do PS5 original. Como métodos anteriores costumavam depender de versões muito antigas do software, encontrar um PS5 Pro com firmware vulnerável era uma barreira considerável.
Ao ampliar a compatibilidade até o firmware 13.60, o Relapse passa a atingir também unidades do console mais potente da Sony.

A compatibilidade, no entanto, não significa que todo PS5 Pro disponível atualmente possa usar o jailbreak. Se a unidade já tiver recebido um firmware posterior ao 13.60, ela está fora da faixa anunciada pelo projeto.
Para entender as diferenças de hardware entre os modelos, o Overdrive também tem um comparativo completo entre PS5 e PS5 Pro.
Como saber qual firmware está instalado no PS5?
A própria Sony explica que a versão instalada pode ser consultada pelo menu Configurações > Sistema > Software do sistema > Informações do console.
A página de suporte oficial do PlayStation detalha onde a informação aparece e também orienta usuários sobre atualizações do software do sistema.
A Sony recomenda manter o PS5 atualizado com a versão mais recente, principalmente por questões de segurança, estabilidade e compatibilidade com jogos e serviços.
O jailbreak do PS5 é permanente?
Não. O Relapse não equivale à instalação de um firmware customizado permanente.
A cadeia de exploits atua enquanto o sistema está em execução. Depois de um desligamento ou reinicialização completa, o estado obtido pelo jailbreak não permanece como uma alteração definitiva do software oficial.
Esse funcionamento também ajuda a explicar por que novas atualizações são tão importantes na disputa entre pesquisadores de segurança e fabricantes de consoles: vulnerabilidades exploráveis em uma determinada versão podem deixar de existir nas versões seguintes.
O que um PS5 com jailbreak consegue fazer?
Um jailbreak abre caminho para softwares que normalmente não seriam autorizados a rodar pelo sistema oficial. Entre os usos comuns da comunidade de homebrew estão:
- Aplicativos desenvolvidos pela própria comunidade;
- Emuladores;
- Ferramentas de pesquisa e desenvolvimento;
- Mods e alterações experimentais em jogos;
- Utilitários para acessar e estudar partes do sistema;
- Payloads que adicionam funções não oferecidas pelo firmware oficial.
As possibilidades não dependem apenas do jailbreak. É preciso que cada ferramenta tenha suporte ao firmware e ao ambiente correspondente.
Também é importante separar homebrew e pesquisa de segurança de pirataria. Os próprios responsáveis pelo Relapse afirmam que o projeto é destinado a fins educacionais e de pesquisa e não endossa pirataria, acesso não autorizado ou uso indevido de dispositivos comerciais.
Quais são os riscos do jailbreak?
Nem mesmo os criadores do Relapse tratam a exploração como totalmente estável.
Na documentação oficial, a equipe informa que a etapa relacionada ao navegador pode exigir várias tentativas e que a exploração do kernel pode fazer o console travar ou provocar um kernel panic.
Os desenvolvedores também alertam para riscos de instabilidade, perda de dados e penalidades relacionadas à conta.
A Sony faz alertas semelhantes sobre consoles modificados. Na página oficial do software do sistema do PS5, a empresa afirma que consoles alterados podem apresentar problemas na instalação de atualizações oficiais e que modificações podem afetar a garantia e o acesso a serviços de reparo.
Vale a pena deixar o PS5 sem atualizar para usar jailbreak?
Para a maioria dos jogadores interessados apenas em usar normalmente o console, ficar deliberadamente preso a um firmware antigo envolve desvantagens importantes.
Jogos recentes podem exigir versões mais novas do software do sistema. Funções online, correções de segurança, melhorias de estabilidade e serviços da PlayStation Network também são desenvolvidos considerando os firmwares atuais.
Quem usa o PS5 principalmente para lançamentos, multiplayer ou PlayStation Plus pode acabar sacrificando parte da experiência ao manter o console offline ou sem as atualizações mais recentes.
O PS Plus de outubro de 2026, por exemplo, continua dependendo da infraestrutura online e da conta PlayStation para resgate e utilização dos títulos incluídos no serviço.
A atualização 14.10 bloqueou o Relapse?
É importante não confundir correlação com confirmação.
A atualização 26.06-14.10.00 contém correções de segurança, além de melhorias de desempenho e estabilidade. Entretanto, não há uma confirmação pública da Sony atribuindo especificamente essa atualização ao Relapse.
Além disso, a cadeia anunciada pelo projeto já tem como limite o firmware 13.60. Isso significa que versões 14.xx estão fora da compatibilidade informada independentemente da motivação específica de cada atualização da Sony.
Por que o Relapse é importante para a cena do PS5?
A principal novidade não é uma função isolada. O que muda é a quantidade de consoles potencialmente compatíveis.
Jailbreaks anteriores normalmente exigiam firmwares muito antigos, tornando necessário encontrar aparelhos que estivessem sem atualização havia bastante tempo.
Chegar ao firmware 13.60 reduz essa barreira e, principalmente, inclui unidades do PS5 Pro na discussão. Isso cria uma base maior para o desenvolvimento de homebrew e para pesquisas sobre a segurança do hardware atual da Sony.

Ao mesmo tempo, a situação mostra como a janela de um jailbreak pode mudar rapidamente. O software oficial do PS5 continua recebendo correções de segurança e novas versões, enquanto pesquisadores procuram novas vulnerabilidades.
Perguntas frequentes
Qual firmware do PS5 funciona com o Relapse?
O projeto anuncia suporte aos firmwares do PS5 entre 7.00 e 13.60.
Relapse funciona no PS5 Pro?
Sim. Unidades do PS5 Pro que estejam dentro da faixa de firmware compatível podem ser atingidas pela cadeia de exploits.
O firmware 14.00 funciona com o Relapse?
Não. A faixa oficialmente anunciada termina no firmware 13.60.
O firmware 14.10 funciona com o jailbreak?
Não com a versão atual do Relapse. O firmware 14.10 é posterior ao limite 13.60 divulgado pelo projeto.
O jailbreak fica instalado para sempre?
Não. O Relapse não instala um firmware customizado permanente e o estado obtido pela exploração não permanece da mesma forma após uma reinicialização completa.
Jailbreak significa que qualquer programa funciona no PS5?
Não. Cada homebrew, payload ou ferramenta precisa ser compatível com o ambiente e com a versão utilizada.
Existe risco de o PS5 travar?
Sim. Os próprios desenvolvedores informam que a exploração pode travar o console ou provocar um kernel panic.
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