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Por que o dólar disparou após Lula vencer as eleições? Entenda a alta

Moeda chegou a R$ 5,60 nesta segunda-feira (26), após o segundo turno; surpresa eleitoral e receios fiscais ajudam a explicar a reação do mercado

Dólar chegou a subir mais de 12% e tocou R$ 5,60 após a reeleição de Lula em 2026.
O dólar pode continuar subindo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas chegar a R$ 6 não é um resultado certo.
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O dólar disparou depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chegou à região de R$ 5,60 nesta segunda-feira (26 de outubro de 2026). No começo do pregão, a moeda já avançava mais de 8%; durante a manhã, a valorização intradiária superou 12% em relação ao fechamento da sexta-feira (23). A cotação variou bastante ao longo das horas, portanto esse pico não representa o fechamento do dia.

A explicação principal está na diferença entre o resultado das urnas e o que parte expressiva dos investidores havia colocado nos preços. O mercado financeiro vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e em uma possível mudança na política econômica. Quando Lula venceu, houve uma rápida revisão dessas posições, combinada ao receio de que as contas públicas continuem pressionadas.

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Luiz Inácio Lula da Silva comemora a reeleição presidencial de 2026 em São Paulo, cercado por apoiadores
Lula durante a comemoração da reeleição em São Paulo, em 25 de outubro de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0; enquadramento adaptado).

Quanto o dólar subiu após a eleição de Lula?

A moeda americana terminou a sexta-feira (23), último dia de negociações antes do segundo turno, perto de R$ 4,99. Na abertura de segunda-feira (26), por volta das 9h03, o dólar comercial estava a aproximadamente R$ 5,42, alta de 8,65%. Às 10h18, alcançava R$ 5,60, avanço próximo de 12,2%, segundo o InfoMoney.

O movimento não ocorreu em linha reta: às 10h50, o UOL registrava R$ 5,51, ainda cerca de 10,4% acima do fechamento anterior. Esses valores são retratos de momentos diferentes do pregão e não devem ser confundidos com a cotação final desta segunda-feira. Para consultar o valor mais recente, veja a página de dólar hoje, com gráfico e conversor do Overdrive, observando o horário de atualização.

Por que a vitória de Lula fez o dólar disparar?

1. Os investidores tinham se preparado para outro resultado

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No pregão seguinte, em 5 de outubro, o dólar caiu cerca de 4,1%, para a região de R$ 5,00, enquanto o Ibovespa subiu 7,7%. Boa parte desse movimento refletia a expectativa de mudança de governo.

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No segundo turno, porém, o cenário se inverteu. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), diante de 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041 votos).

Ao perceberem que a mudança esperada não ocorreria, investidores passaram a desfazer operações construídas nas semanas anteriores. A procura por proteção em dólar aumentou e o real perdeu valor. Esse ajuste de expectativas ajuda a entender por que a reação foi tão brusca em poucas horas.

2. Há preocupação com gastos públicos e dívida

Outro fator citado por analistas é o chamado risco fiscal: a possibilidade de o governo ter dificuldades para equilibrar receitas, despesas e o crescimento da dívida pública. Parte do mercado associava uma vitória de Flávio Bolsonaro à expectativa de medidas mais rígidas de contenção de gastos. Com a continuidade de Lula, esses investidores reavaliaram tal cenário.

Isso não significa que uma nova medida econômica já tenha provocado a disparada, nem que o mercado inteiro compartilhe a mesma avaliação. A reação da manhã reflete sobretudo expectativas sobre o próximo mandato, e não um novo dado de arrecadação ou uma mudança já aprovada no Orçamento. Economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam a trajetória da dívida e a negociação de políticas no Congresso como pontos de atenção.

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3. O país passou por uma reavaliação rápida de risco

Quando os investidores enxergam mais incerteza, costumam exigir um retorno maior para manter recursos em determinados ativos ou buscam proteção temporária em moedas fortes. No câmbio, essa dinâmica pode aumentar a demanda por dólar e pressionar o real. Ao mesmo tempo, os juros futuros sobem porque o mercado passa a exigir uma remuneração maior nos prazos longos.

Não é possível afirmar, apenas pela cotação de uma manhã, quanto dinheiro efetivamente saiu do país. O que os preços mostram é uma reavaliação intensa do risco dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral.

O dólar subiu no mundo inteiro?

Não na mesma intensidade. Por volta das 10h14, enquanto o dólar avançava quase 12% ante o real, o índice DXY — que compara a moeda americana com outras divisas importantes — tinha leve alta de cerca de 0,05%, conforme a cobertura de mercado da Folha de S.Paulo. A diferença sugere que a notícia brasileira foi o principal fator da disparada naquele momento, embora fatores internacionais continuem influenciando o câmbio.

A Bolsa caiu e os juros futuros também reagiram

A turbulência não ficou restrita ao dólar. A B3 confirmou o acionamento do circuit breaker nesta segunda-feira, após a queda do Ibovespa atingir o limite de 10% que provoca a suspensão temporária das negociações. O mecanismo interrompeu a sessão por 30 minutos. Por volta das 11h, o índice recuava aproximadamente 15,9%, segundo relato da Reuters.

Painéis de cotações e operadores em um pregão de arquivo da Bolsa de Valores de São Paulo
Imagem de arquivo da Bolsa de Valores de São Paulo, registrada em 2007; não mostra o pregão de 2026. Foto: Rafael Matsunaga, Wikimedia Commons (CC BY 2.0; enquadramento adaptado).

Os contratos de juros futuros também avançaram, especialmente nos vencimentos mais longos. Esse tipo de movimento importa porque juros de mercado mais elevados podem encarecer o financiamento de empresas e afetar o crédito. É uma reação de preço e de expectativa: não corresponde a um anúncio de aumento imediato da taxa Selic pelo Banco Central.

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O dólar vai continuar subindo ou pode voltar a cair?

A alta de um único pregão não permite definir a trajetória das próximas semanas. O câmbio pode continuar volátil enquanto investidores avaliam o resultado eleitoral, os nomes da equipe econômica, a relação do governo com o Congresso e as propostas para as contas públicas. Uma comunicação fiscal considerada crível pode reduzir parte da pressão, enquanto novas incertezas podem ampliá-la.

Também entram nessa conta as decisões de juros dos Estados Unidos, o comportamento das commodities e o fluxo de recursos para países emergentes. Não há base para tratar o patamar de R$ 5,60 observado durante a manhã como um novo preço permanente do dólar, muito menos afirmar que a moeda necessariamente chegará a R$ 6.

O que muda para quem compra eletrônicos, viaja ou paga em dólar?

Para quem precisa de moeda estrangeira, a diferença é imediata na conversão de referência: US$ 100 equivaliam a aproximadamente R$ 499 na sexta-feira e a cerca de R$ 560 no pico da manhã de segunda, antes de impostos, tarifas e margens das instituições financeiras. O dólar turismo e o valor cobrado no cartão podem ser diferentes do dólar comercial.

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Em produtos importados, como celulares, notebooks, componentes de PC e videogames, o efeito costuma ser mais lento. Estoques adquiridos anteriormente, estratégias de preços, concorrência e contratos de câmbio podem atrasar ou diminuir o repasse ao consumidor. O Overdrive já explicou essa diferença na análise sobre comprar eletrônicos agora ou esperar a Black Friday, publicada após a queda do dólar no primeiro turno.

Empresas exportadoras que recebem em dólar podem obter mais reais por receita em moeda americana, mas isso não significa ganho automático: elas também podem ter custos, dívidas ou insumos dolarizados.

O que acompanhar depois da reação do mercado

  • Novas sinalizações fiscais: propostas sobre gastos, receitas e trajetória da dívida.
  • Equipe econômica e Congresso: nomes, negociações e capacidade de aprovar as medidas propostas.
  • Câmbio, Bolsa e juros: se a volatilidade diminui ou continua nos próximos pregões.
  • Banco Central e cenário externo: liquidez no mercado de câmbio, juros americanos e preços internacionais.

O resultado da eleição pode ser consultado na nossa cobertura sobre onde acompanhar a apuração do segundo turno e no guia com a votação por estado e município, ambos com acesso às ferramentas oficiais do TSE.

Em resumo: o dólar disparou porque a reeleição de Lula contrariou a posição que parte do mercado havia montado, levando a uma revisão rápida das apostas e do risco fiscal percebido. A intensidade da reação explica a manchete, mas não prova sozinha como a economia ou a cotação se comportarão no novo mandato.

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