Tópicos
- Quem ganhou o debate da Globo?
- O que Lula e Flávio Bolsonaro defenderam no debate?
- Flávio Bolsonaro abordou preços, dívidas e promessas de mudança
- Lula contrapôs entregas do governo e defendeu programas sociais
- Os cinco momentos que marcaram o último debate presidencial
- 1. Salário mínimo, infraestrutura e investimentos
- 2. Preço dos alimentos e renegociação de dívidas
- 3. Licença-maternidade, Bolsa Família e mundo do trabalho
- 4. Segurança pública e o caso de Ana Clara
- 5. A referência aos “nove dedos” e a troca de acusações
- O que disseram os comentaristas após o debate?
- Quais falas de Lula e Flávio foram checadas?
- Enquetes na internet mostram quem venceu?
- Onde assistir à íntegra do debate da Globo?
- Quando será o segundo turno das eleições 2026?
Quem ganhou o debate da Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro? O encontro de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, não teve um vencedor oficial. A avaliação de desempenho depende dos critérios adotados, e comentaristas de diferentes veículos divergiram ao examinar as respostas, a apresentação de propostas e as provocações dos candidatos. O confronto foi o último entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).
O debate, mediado por César Tralli nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, começou com discussões sobre infraestrutura, economia e políticas sociais. Nos momentos finais, ganhou espaço a troca de acusações sobre patrimônio, investigações e episódios da trajetória dos adversários. A cobertura publicada por UOL e CNN Brasil registra essa mudança de tom ao longo dos quatro blocos.
Quem ganhou o debate da Globo?
Não há um resultado oficial para a pergunta. Diferentemente de uma votação, um debate eleitoral não tem apuração de votos, placar ou comissão responsável por escolher um vencedor. O que existem são avaliações jornalísticas, análises de especialistas e reações de espectadores — informações que podem ajudar a compreender a noite, mas não representam uma decisão comprovada do eleitorado.
As leituras publicadas após o confronto enfatizaram aspectos diferentes. Alguns comentaristas concentraram suas análises nos argumentos econômicos e nas mudanças de postura de Flávio; outros examinaram a defesa do histórico de governo feita por Lula, os embates sobre segurança pública e a discussão sobre o trabalho. Também houve críticas à forma como ambos responderam a perguntas e utilizaram o tempo disponível. O UOL reuniu interpretações de seus colunistas, enquanto o Terra ouviu especialistas com análises distintas.
Não há evidência de que o confronto, isoladamente, tenha alterado a intenção de voto dos brasileiros. Reações em redes sociais ou grupos de discussão não substituem pesquisas representativas realizadas depois do evento.
O que Lula e Flávio Bolsonaro defenderam no debate?
Flávio Bolsonaro abordou preços, dívidas e promessas de mudança
O senador voltou diversas vezes ao custo de vida. Mencionou preços de alimentos, impostos e dificuldades de famílias endividadas, além de questionar Lula sobre a última vez em que esteve em um supermercado. Uma de suas propostas foi criar um mecanismo para comprar dívidas de pessoas e empresas e renegociar condições de pagamento. O candidato também falou em obras de infraestrutura, concessões e isenção de pedágio para motos em novas rodovias.
Na discussão de políticas sociais, Flávio afirmou que manteria o Bolsa Família e reajustaria o salário mínimo acima da inflação. Também sinalizou apoio à ideia de tarifa zero para trabalhadores no transporte público, em resposta a uma pergunta do presidente. Essas declarações são compromissos de campanha, e sua execução dependeria de medidas administrativas, recursos e, conforme a proposta, aprovação legislativa.
Lula contrapôs entregas do governo e defendeu programas sociais
O presidente enfatizou obras, investimentos e ações implementadas por governos petistas. Citou a Transnordestina, a transposição do São Francisco, a política de valorização do salário mínimo e os programas de renegociação de dívidas. Questionou o adversário sobre a diferença entre prometer projetos e executá-los, além de cobrar explicações sobre como determinadas propostas seriam financiadas.
Nas discussões sobre trabalho e renda, Lula também recuperou declarações antigas do senador e defendeu a trajetória de políticas sociais do PT. Para confrontar as promessas feitas na televisão com documentos registrados, o Overdrive explica como consultar os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro no TSE.
Os cinco momentos que marcaram o último debate presidencial
1. Salário mínimo, infraestrutura e investimentos
No primeiro bloco, a conversa passou por obras paralisadas, ferrovias, exportações e investimentos. Lula questionou Flávio sobre o valor do salário mínimo e argumentou em defesa da política de reajustes reais. O senador respondeu às críticas sobre infraestrutura com promessas de concessões, ferrovias e obras. Os dois usaram números para sustentar posições diferentes sobre os resultados de seus respectivos campos políticos.
2. Preço dos alimentos e renegociação de dívidas
Flávio relacionou o custo da alimentação ao poder de compra e apresentou sua proposta de renegociar débitos das famílias. Lula reconheceu o endividamento como um problema e citou diferentes fases do Desenrola. A discussão deixou claro que ambos tratam a dívida das famílias como tema relevante, embora tenham apresentado explicações e soluções distintas. A análise de Edilene Lopes, na CNN Brasil, descreveu como essas mensagens se encaixaram nas estratégias das campanhas.
3. Licença-maternidade, Bolsa Família e mundo do trabalho
O presidente voltou a cobrar o voto de Flávio, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, contra uma proposta de ampliação da licença-maternidade para servidoras. O senador afirmou que se arrependeu da posição e que, hoje, votaria de outra maneira. Lula também relembrou críticas antigas do adversário ao Bolsa Família; Flávio, por sua vez, declarou que manteria o programa caso fosse eleito.
A questão sobre o voto na licença-maternidade foi verificada pelo Aos Fatos, que confirmou o registro da votação. O reconhecimento do episódio pelo candidato não dispensa o exame de seu histórico legislativo nem transforma a promessa atual em medida já adotada.
4. Segurança pública e o caso de Ana Clara
A segurança pública levou ao debate o caso de Ana Clara Gomes Machado, morta aos cinco anos durante uma ação policial no Rio de Janeiro, em 2021. A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, esteve presente no estúdio. Lula questionou o fato de Flávio ter integrado a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado no caso. O senador contestou a responsabilidade do agente e afirmou que não havia condenação.
É importante distinguir acusação de condenação: o policial foi acusado de envolvimento na morte, e a atuação de Flávio na defesa não equivale a uma decisão judicial sobre a culpa do agente. A participação do senador na defesa foi documentada em checagem do Aos Fatos. Durante a resposta, ele confundiu o nome da mãe com o da criança, episódio registrado pela cobertura do UOL e da CNN.
5. A referência aos “nove dedos” e a troca de acusações
Uma referência feita por Flávio à perda de um dedo de Lula motivou reação do presidente, que recordou o acidente sofrido quando trabalhava como metalúrgico. O senador pediu desculpas pela expressão. O episódio voltou ao centro das análises porque deslocou a discussão da economia para o histórico pessoal e profissional dos candidatos.
No quarto bloco, de tema livre, os dois voltaram a discutir sigilos, patrimônio e acusações envolvendo pessoas próximas. Foram citados, entre outros assuntos, o Banco Master e fatos levantados durante a campanha. As acusações feitas no debate não devem ser tratadas como comprovadas apenas porque foram repetidas na transmissão. Nenhuma troca de acusações substitui investigação, documentação ou decisão judicial.
O que disseram os comentaristas após o debate?
Na análise publicada pelo Terra, a cientista política Mayra Goulart examinou a linguagem usada por Flávio para abordar problemas econômicos do cotidiano e a forma como Lula retomou sua origem no mundo do trabalho. O professor Paulo Ramirez chamou atenção para a passagem de discussões técnicas nos primeiros blocos para confrontos mais pessoais na reta final. Já o analista Érico Oyama enfatizou a tentativa do senador de adotar uma postura mais moderada em relação ao encontro anterior, na Band.
Entre os colunistas do UOL, José Roberto de Toledo destacou a diferença entre as reações observadas em plataformas digitais e o formato mais disciplinado do programa. Letícia Casado analisou as consequências políticas da discussão sobre Ana Clara, enquanto outros comentaristas observaram os problemas de controle do tempo, os ataques e o espaço dado ao endividamento.
A CNN Brasil relatou reações de um grupo de eleitores que assistiu ao debate: houve críticas à tentativa de Flávio de se apresentar como próximo dos nordestinos e ao hábito de Lula de orientar o público a pesquisar suas afirmações no Google. Esse tipo de grupo oferece pistas qualitativas sobre a recepção de discursos, mas não permite generalizar as reações para todo o eleitorado brasileiro.
Na Jovem Pan, a discussão entre comentaristas também contemplou a apresentação de propostas, o tom dos ataques e o pouco espaço reservado a respostas mais detalhadas. As diferenças entre essas leituras reforçam a necessidade de identificar quem fez cada avaliação e quais fatos sustentam a interpretação.
Quais falas de Lula e Flávio foram checadas?
Além de observar a performance na televisão, é possível verificar a precisão das informações usadas nas respostas. O Aos Fatos publicou checagens do debate da Globo e identificou afirmações corretas, incorretas ou que exigem contexto nas falas dos dois candidatos. Entre os exemplos:
- Flávio Bolsonaro e as apostas: atribuir a liberação inicial das bets ao governo Lula não corresponde à cronologia verificada: as apostas de quota fixa foram autorizadas no Brasil em 2018, antes do atual mandato presidencial.
- Flávio Bolsonaro e a dívida pública: a referência à dívida bruta do governo chegando a R$ 11 trilhões em 2026 foi confirmada pela checagem. O dado, por si só, não determina qual política econômica deve ser adotada.
- Lula e o crescimento do PIB: a declaração de que a economia brasileira não havia crescido mais de 3% após 2010 é incorreta. A checagem identificou crescimento acima desse patamar em 2011, 2021 e 2022.
- Lula e as exportações: a afirmação sobre o recorde do volume exportado pelo Brasil em 2025 foi confirmada com base na série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Esses exemplos não compõem um placar de erros e acertos: a quantidade de trechos verificados, sua relevância e seu contexto variam. O ideal é consultar as checagens completas e os dados citados, não usar uma amostra de frases para declarar um vencedor.
Enquetes na internet mostram quem venceu?
Não de maneira conclusiva. Votações abertas em redes sociais ou sites de notícias são, em geral, enquetes de participação espontânea. O resultado pode refletir a audiência daquela página e a mobilização de grupos de apoiadores, sem uma amostra estatisticamente representativa do eleitorado. O número de comentários, visualizações ou menções também não mede automaticamente persuasão nem intenção de voto.
Mesmo quando analistas acompanham plataformas como X e WhatsApp, as reações observadas ali precisam ser interpretadas de acordo com a metodologia do levantamento. Uma pesquisa eleitoral com amostra e método divulgados é diferente de uma enquete sobre o desempenho durante um programa de TV.
Onde assistir à íntegra do debate da Globo?
O vídeo oficial do Debate Presidencial 2026 – 2º Turno está disponível no Globoplay, com duração indicada de 1 hora e 57 minutos. A disponibilidade de reprodução pode depender das condições de acesso da plataforma. Para rever a programação da semana, há também o calendário de debates presidenciais do Overdrive e o guia de transmissão da Globo.
Quando será o segundo turno das eleições 2026?
O segundo turno presidencial acontece neste domingo, 25 de outubro de 2026. Antes de sair para votar, o eleitor pode consultar o endereço atualizado da seção eleitoral. O Overdrive reúne o passo a passo para verificar se o local de votação mudou pelo e-Título ou pelo site do TSE.
Apuração: reportagem baseada no registro do debate de 23 de outubro, na cobertura publicada por UOL, Terra e CNN Brasil, nas análises da Jovem Pan, nas verificações do Aos Fatos e no vídeo oficial da Globo. Atualizado em 24 de outubro de 2026.

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