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De A Gata Comeu a Malhação: 8 personagens inesquecíveis de Nuno Leal Maia

Aos 79 anos, ator retorna aos palcos e afasta a possibilidade de novas novelas. Revisitamos oito papéis que atravessaram gerações na televisão e no cinema brasileiro

Nuno Leal Maia em foto de divulgação da peça Meno Male
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Nuno Leal Maia atravessou cinco décadas de televisão e cinema sem ficar preso a um único tipo de personagem. Foi galã romântico, jogador de futebol, bicheiro, surfista, pai de família e professor. Aos 79 anos, voltou ao noticiário ao explicar por que não pretende retornar às novelas, justamente quando se prepara para uma nova temporada da peça Meno Male, que estreia no Rio de Janeiro em 30 de outubro de 2026.

A trajetória inclui 20 novelas na Globo, além de minisséries, séries e sucessos populares do cinema nacional. Relembre oito personagens que mostram como o ator construiu uma carreira muito mais diversa do que sua imagem de galã sugere.

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Nuno Leal Maia em foto de divulgação da peça Meno Male
Nuno Leal Maia voltou aos palcos em 2026 com a comédia Meno Male — Foto: Divulgação/Meno Male, via UOL.

Por que Nuno Leal Maia voltou às notícias em outubro de 2026?

Em reportagens publicadas em 26 de outubro, Nuno Leal Maia comentou seu afastamento das novelas e a pouca disposição para enfrentar novamente a rotina de uma produção televisiva longa. O ator também criticou mudanças na indústria, incluindo a valorização de influenciadores em detrimento de intérpretes veteranos.

O momento coincide com a chegada ao Rio de Janeiro de Meno Male, comédia escrita por Juca de Oliveira e dirigida por Léo Stefanini. A estreia no Teatro dos 4 está prevista para 30 de outubro, depois de uma temporada em São Paulo.

Não se trata, portanto, de uma aposentadoria definitiva da atuação. Embora descarte, por ora, um retorno às novelas, Nuno continua interessado em projetos de teatro e cinema.

Os 8 personagens mais marcantes de Nuno Leal Maia

1. Fábio Coutinho — A Gata Comeu (1985)

O professor Fábio Coutinho ajudou a transformar Nuno Leal Maia em um dos galãs mais conhecidos da televisão brasileira. Na novela A Gata Comeu, contracenou com Christiane Torloni, intérprete de Jô Penteado, em um romance sustentado por conflitos, orgulho e uma química que conquistou o público.

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O interesse está justamente na construção de Fábio: um homem que tenta conservar a própria autoridade enquanto enfrenta os sentimentos despertados por uma mulher de temperamento forte.

Quatro décadas depois, Fábio permanece entre os personagens mais associados ao nome do ator.

2. Tony Carrado — Mandala (1987)

Em Mandala, Nuno viveu Tony Carrado, um bicheiro extravagante que ajudou a consolidar sua presença entre os grandes personagens das novelas dos anos 1980.

Ao lado de Vera Fischer, intérprete de Jocasta, transformou a expressão “minha deusa!” em um bordão reconhecido pelo público. Tony era um personagem de gestos expansivos, humor e sedução, características que o ator explorava com naturalidade.

Em participação no programa Encontro, em junho de 2026, Nuno voltou a comentar a repercussão do personagem e de sua parceria com Vera Fischer. O bordão se tornou uma espécie de assinatura involuntária de sua carreira, sobrevivendo à própria exibição da novela.

3. Gaspar Kundera — Top Model (1989)

Se Tony Carrado representava o exagero, Gaspar Kundera tinha como força uma descontração quase permanente. Em Top Model, Nuno interpretou um ex-surfista apaixonado pela cultura dos anos 1960, pelo rock e pela liberdade.

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Gaspar era pai de cinco filhos: Elvis, Jane, Ringo, Olívia e Lennon. As referências musicais nos nomes combinavam com a personalidade de um homem que havia envelhecido sem abandonar completamente o espírito juvenil.

O personagem encontrou um equilíbrio entre comédia familiar e afeto. Não era apenas o surfista carismático da história, mas também um pai empenhado em conciliar a própria vida amorosa com a criação dos filhos.

4. Edgar Assunção — História de Amor (1995)

Em História de Amor, de Manoel Carlos, Nuno encontrou um dos papéis mais exigentes de sua trajetória dramática. Edgar Assunção é o ex-marido de Helena, interpretada por Regina Duarte, e pai de Joyce, vivida por Carla Marins.

Um acidente de carro transforma radicalmente sua vida, deixando-o paraplégico. A partir daí, a narrativa acompanha suas dificuldades, seus conflitos familiares e o processo de reconstrução pessoal.

Ao revisitar a novela, o próprio ator apontou Assunção como um personagem importante para o amadurecimento de seu trabalho dramático.

O papel demonstrou uma dimensão que ia além do galã romântico e deu espaço para fragilidade, sofrimento e transformação. Também ajudou a levar à televisão uma discussão sobre deficiência e inclusão, ainda que tratada segundo as convenções de sua época.

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5. Paulo Pasqualete — Malhação (1999–2006)

Para muitos espectadores que cresceram entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, Nuno Leal Maia é, antes de tudo, o professor Pasqualete.

O personagem participou de diferentes fases de Malhação e ficou diretamente associado ao colégio Múltipla Escolha, um dos cenários mais conhecidos da série juvenil.

Professor de português, Pasqualete reunia autoridade, afeto e bom humor. Ele representava aquele educador que podia entrar em conflito com os alunos, mas também se tornava uma figura de confiança nos momentos decisivos.

O papel permitiu que Nuno alcançasse um público mais jovem, que não havia acompanhado seus sucessos dos anos 1980. Essa capacidade de atravessar gerações ajuda a explicar a permanência de seu nome na memória afetiva da televisão.

6. Bertazzo — Vereda Tropical (1984)

Antes de ser consagrado como um dos grandes galãs da Globo, Nuno chamou atenção em Vereda Tropical interpretando Bertazzo, um jogador de futebol.

O personagem tinha uma conexão singular com a biografia do ator. Nascido em Santos, Nuno manteve uma relação profunda com o esporte e chegou a trabalhar como treinador de futebol na vida real.

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A atuação em Vereda Tropical recebeu reconhecimento da crítica, com o Troféu APCA de Melhor Ator, e marcou uma etapa importante de sua afirmação na televisão.

Bertazzo representa um ponto de virada: um personagem que aproximou a vivência esportiva de Nuno de sua capacidade de construir figuras populares na ficção.

7. Jurandir, o Padre Garotão — Vamp (1991)

Em Vamp, novela que misturava humor, fantasia e referências ao cinema de terror, Nuno interpretou Jurandir, conhecido como Padre Garotão.

Apesar do apelido religioso, Jurandir não era padre. Tratava-se de um pequeno golpista que encontrava na identidade falsa uma maneira de escapar das confusões em que havia se envolvido.

A trama explorava sua simpatia, suas contradições e a possibilidade de regeneração. Era um personagem pouco convencional, especialmente quando comparado aos papéis românticos que haviam consagrado o ator.

A participação revelou sua facilidade para a comédia e para figuras moralmente ambíguas, capazes de conquistar o espectador mesmo sem corresponder ao modelo tradicional de herói.

8. Lírio — O Bem-Dotado: O Homem de Itu (1978)

No cinema, um dos maiores sucessos populares de Nuno Leal Maia foi O Bem-Dotado: O Homem de Itu, comédia dirigida por José Miziara e lançada em 1978.

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Ele interpretou Lírio, um jovem ingênuo do interior paulista cuja anatomia extraordinária se torna o centro de uma sucessão de situações eróticas e cômicas.

O filme pertence ao universo da pornochanchada, gênero que ocupou um espaço importante no mercado cinematográfico brasileiro nos anos 1970, combinando erotismo, comédia e apelo comercial.

Embora muito diferente de suas novelas posteriores, o longa é fundamental para compreender a projeção inicial do ator. Nuno também participou de A Dama do Lotação, outro sucesso daquele período, estrelado por Sonia Braga.

Reduzir essa fase apenas ao erotismo seria ignorar sua relevância industrial: eram filmes capazes de atrair grandes públicos aos cinemas brasileiros em um período anterior à popularização do vídeo doméstico.

Uma carreira que também passou pelo teatro e pelo futebol

Nuno Leal Maia nasceu em Santos, em 17 de outubro de 1947. Sua formação artística começou a ganhar forma quando integrou uma montagem brasileira do musical Hair, em 1970.

O teatro foi uma escola decisiva para o ator, que posteriormente construiu uma carreira de grande visibilidade no cinema e na televisão. Na Globo, começou em 1976, em Estúpido Cupido, e participou de 20 novelas e cinco minisséries, segundo o acervo Memória Globo.

Paralelamente, manteve uma relação com o futebol que ultrapassou a condição de torcedor. Trabalhou como treinador e chegou a comandar equipes profissionais, entre elas o Londrina.

Esse percurso incomum ajuda a compreender a variedade de tipos humanos que interpretou: personagens populares, professores, esportistas, pais, malandros e figuras que misturavam humor e drama.

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Nuno Leal Maia vai voltar às novelas?

Por enquanto, não há anúncio de retorno às novelas. Em declarações repercutidas em outubro de 2026, o ator afirmou que prefere uma rotina mais tranquila e demonstrou pouco interesse no ritmo atual das produções televisivas.

Isso não significa abandono completo da carreira. A peça Meno Male, que chega ao Rio de Janeiro em 30 de outubro, confirma sua continuidade nos palcos. O ator também não descartou trabalhar em cinema.

Seus personagens, entretanto, continuam presentes na história do entretenimento brasileiro. Do professor Fábio ao inesquecível Pasqualete, Nuno Leal Maia ajudou a criar figuras que permaneceram reconhecíveis muito depois do último capítulo.

Onde rever os trabalhos de Nuno Leal Maia?

O Memória Globo reúne informações sobre as novelas, séries e minisséries do ator. O Globoplay também disponibiliza um vídeo dedicado a Tony Carrado, de Mandala.

Já a disponibilidade dos capítulos completos e dos filmes depende do catálogo e dos direitos de cada produção, que podem mudar. Para entender a oferta atual da plataforma, veja também o que mudou nos planos do Globoplay em 2026.

Leia também no Overdrive: onde rever atores de novelas que conquistaram o público brasileiro e por que as novelas continuam encontrando novas gerações no streaming.

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