Call of Duty: Modern Warfare 4 tem uma novidade improvável para uma série conhecida pelos tiroteios: um sistema de parry, a defesa executada no instante certo para aparar um golpe e abrir espaço para o contra-ataque. A mecânica aparece em sequências da campanha e chamou atenção justamente por levar aos confrontos corpo a corpo uma ideia normalmente associada a jogos de ação como Sekiro: Shadows Die Twice e Sifu.
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O recurso recebeu avaliações diferentes da imprensa especializada nesta semana. Enquanto a Eurogamer destacou o prazer de acertar o tempo das defesas e o trabalho nas animações, a Polygon questionou se a mecânica realmente combina com o ritmo de uma campanha de Call of Duty. A discussão não é sobre abandonar as armas: é sobre quando uma novidade deixa de acrescentar variedade e passa a interromper a ação.
Como funciona o parry em Modern Warfare 4?
O jogador aprende a aparar ataques em Out in the Cold, a segunda missão da campanha. No controle do capitão John Price, é preciso enfrentar seguranças em uma boate de Nova York, inicialmente sem recorrer a armas de fogo. O comando exige bloquear imediatamente antes do impacto; se o tempo estiver correto, a defesa neutraliza o golpe e permite responder com um soco.
É uma solução mais simples do que a de jogos construídos inteiramente em torno do parry. Não há uma barra de estamina ou um medidor de postura dedicado na tela. O desafio depende principalmente de observar o movimento do adversário, reconhecer o ataque e reagir a tempo.
Na sequência, a campanha mistura golpes, tiros em curta distância e perseguição em um ambiente iluminado por neon. O resultado lembra o estilo de ação dos filmes de John Wick, mas com uma diferença: em certas brigas, disparar não é a solução e o jogador precisa dominar a defesa.
O combate com Makarov é o ponto mais controverso
Atenção: o trecho a seguir revela um confronto da segunda missão. O sistema ganha mais importância quando Price enfrenta Makarov em um duelo de faca. Nesse encontro, aparar os golpes deixa de ser uma alternativa e passa a ser necessário para avançar.
Na análise publicada em 20 de outubro, Ari Notis, da Polygon, criticou especialmente a punição por errar uma única defesa durante etapas do duelo, apesar da presença de checkpoints entre as fases. Para ele, repetir o confronto quebra o embalo dos tiroteios, da infiltração e da perseguição vistos pouco antes.
Por outro lado, a Eurogamer chamou atenção para a variedade de golpes e para as animações específicas de bloqueio com faca. Nesse ponto, o parry oferece algo que execuções automáticas não conseguem: participação ativa do jogador na tensão de um confronto de perto.
Call of Duty virou um soulslike?
Não. A campanha continua sendo, antes de tudo, um jogo de tiro em primeira pessoa com operações militares, grandes sequências cinematográficas e missões em diferentes países. O parry surge em situações determinadas, sem substituir o combate com armas de fogo ou transformar a progressão em um RPG de ação.
O que muda é a sensação de determinados encontros: em vez de apenas assistir a uma animação de luta, o jogador precisa acertar o momento do bloqueio. É uma forma de aumentar a interação, mas também pode soar deslocada para quem procura uma experiência centrada nos tiroteios.
Esse é o debate mais interessante por trás da novidade. Jogos como Sekiro usam o parry como fundamento de todo o sistema de combate. Em Modern Warfare 4, a Infinity Ward o emprega como uma ferramenta pontual. O acerto está em variar a campanha sem transformar cada sequência em um teste de reflexos repetitivo.
O parry está disponível no multiplayer e no DMZ?
Os relatos sobre o parry que motivaram a discussão tratam da campanha para um jogador. As informações oficiais consultadas sobre o multiplayer e o DMZ não confirmam a presença do mesmo sistema de duelos nesses modos. Portanto, não é correto afirmar que o parry da história também funcionará nas partidas competitivas.
A campanha de Modern Warfare 4 está em acesso antecipado desde 16 de outubro de 2026 para compradores digitais elegíveis. Segundo a Activision, a estreia completa está marcada para 23 de outubro, no PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
O Overdrive já publicou a lista das 16 missões da campanha, o passo a passo para jogar antecipadamente e o calendário de lançamento no Brasil.
O parry não redefine a identidade de Call of Duty, mas mostra que até uma das maiores franquias de FPS está disposta a testar ideias vindas de outros gêneros. Se essa mudança é brilhante ou cansativa depende, em boa parte, de quanto tempo o jogo exige que o jogador passe bloqueando golpes em vez de puxando o gatilho.
Fontes: reportagens de Eurogamer (21/10/2026) e Polygon (20/10/2026), além de informações oficiais da Activision. O Overdrive não realizou teste próprio desta mecânica para esta matéria.

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