A Konami, responsável por franquias como Metal Gear e Silent Hill, acredita que a inteligência artificial pode tornar a produção de jogos mais eficiente, mas não conseguirá substituir o trabalho criativo realizado por pessoas. Hideki Hayakawa, presidente da Konami Digital Entertainment, também avalia que a tecnologia, sozinha, não deve provocar uma transformação tão radical no mercado de games.
Tópicos
- Por que a Konami não espera uma revolução provocada pela IA?
- A Konami vai deixar de usar inteligência artificial nos jogos?
- eFootball já recebe investimentos em IA
- O que a declaração significa para Metal Gear e Silent Hill?
- O debate sobre IA nos games vai além da Konami
- Perguntas frequentes
- A Konami proibiu o uso de IA nos seus jogos?
- A Konami confirmou IA generativa em Metal Gear Solid?
- O que a Konami disse sobre o futuro da IA nos games?
- Fontes
A posição está no Relatório Integrado 2026 da Konami, divulgado em 15 de outubro. A ressalva é importante: a empresa não anunciou uma proibição da IA. Pelo contrário, o próprio documento descreve investimentos no uso de tecnologias de inteligência artificial em eFootball.

Por que a Konami não espera uma revolução provocada pela IA?
Hayakawa reconhece que ferramentas de IA podem facilitar a criação de jogos, inclusive para quem trabalha com equipes pequenas. Entretanto, ele argumenta que a barreira de entrada no setor já caiu bastante com a evolução dos motores de desenvolvimento e a popularização do UGC (conteúdo criado pelos próprios usuários).
Em outras palavras, tornar a produção tecnicamente mais acessível não significa que todos os projetos terão boas ideias, mecânicas interessantes ou capacidade de conquistar jogadores. O executivo considera que esses resultados ainda dependem de repertório, decisões criativas e colaboração entre profissionais com experiências diferentes.
“O mais importante são as pessoas e os criadores”, Hideki Hayakawa, presidente da Konami Digital Entertainment, em tradução do relatório em japonês.
Segundo Hayakawa, é justamente a combinação de ideias entre integrantes de uma equipe que pode produzir experiências inéditas. Para ele, essa interação humana não é algo facilmente reproduzível apenas com automação.
A Konami vai deixar de usar inteligência artificial nos jogos?
A fala não equivale a um veto à inteligência artificial generativa, nem estabelece que futuros jogos de Metal Gear, Silent Hill ou Castlevania serão desenvolvidos sem qualquer ferramenta de IA.
O presidente da divisão de games descreve as novas tecnologias como oportunidades para criar experiências diferentes. Ele afirma que a empresa acompanha as inovações, promove pesquisa e oferece suporte para que os desenvolvedores conheçam as ferramentas, avaliem seus riscos e decidam como utilizá-las de maneira segura.
eFootball já recebe investimentos em IA
Há um exemplo concreto dentro do mesmo relatório. Na seção dedicada ao eFootball, a Konami informa que vem investindo ativamente em novas tecnologias, incluindo diferentes aplicações de IA.
O texto também cita a função Analista, adicionada em dezembro de 2025, como exemplo de recurso que examina estatísticas e atuações dos jogadores para oferecer orientações táticas. A companhia diz continuar estudando ferramentas capazes de ajudar no treinamento e na evolução dos usuários.
Isso não deve ser confundido com uma confirmação de que a empresa usa IA generativa para criar roteiros, personagens ou artes de seus lançamentos. São aplicações diferentes, e o relatório não apresenta uma política geral proibindo ou autorizando cada uma delas.

O que a declaração significa para Metal Gear e Silent Hill?
Por enquanto, trata-se de uma visão sobre a indústria, e não de um anúncio de mudança em um jogo específico. O relatório destaca a estratégia de reativação das principais séries da companhia e informa que Metal Gear Solid Delta: Snake Eater ultrapassou 2 milhões de unidades distribuídas mundialmente. Silent Hill f também aparece entre os projetos destacados pela empresa.
A recuperação das franquias clássicas já havia sido abordada pelo Overdrive ao analisar a estratégia de reboots da Konami. O novo pronunciamento acrescenta um elemento: para Hayakawa, o diferencial competitivo de uma produtora não está apenas na capacidade de usar ferramentas modernas, mas também em reunir equipes capazes de criar algo que os jogadores ainda não viram.
O debate sobre IA nos games vai além da Konami
A presença dessa tecnologia nos estúdios já é significativa. Um levantamento da CESA divulgado em setembro, com 1.349 respostas, apontou que 85,8% dos profissionais consultados utilizavam IA generativa no trabalho, diariamente ou às vezes.
Esse dado não significa que a mesma proporção de jogos tenha personagens ou imagens gerados por IA. Há uma diferença entre usar a tecnologia para auxiliar tarefas internas e incorporar material gerado automaticamente ao produto final. O Overdrive já explicou como identificar jogos que declaram o uso de IA no SteamDB.
As decisões também variam entre estúdios. A Game Science, por exemplo, declarou que pretende evitar IA generativa no design e na produção de assets de Black Myth: Zhong Kui. A Konami adota outro enquadramento em seu relatório: não descarta a tecnologia, mas coloca a criatividade humana no centro do processo.
Perguntas frequentes
A Konami proibiu o uso de IA nos seus jogos?
Não. O relatório defende a importância dos criadores e diz que a empresa acompanha novas tecnologias e apoia seu uso responsável.
A Konami confirmou IA generativa em Metal Gear Solid?
Não. O documento não anuncia uso de IA generativa para criar conteúdo de Metal Gear Solid, tampouco estabelece uma proibição geral para a franquia.
O que a Konami disse sobre o futuro da IA nos games?
Hideki Hayakawa acredita que a IA pode aumentar a eficiência da produção, mas não espera que, sozinha, mude radicalmente o mercado. Para ele, pessoas e equipes continuam essenciais para criar jogos inovadores.

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