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Hackers atacam supermercados e elevam freezers a 50°C na Europa

Ataques a sistemas de refrigeração afetaram redes como Carrefour, Intermarché e Coop; Portugal confirmou sete lojas atingidas

Hackers estão atacando supermercados na Europa e provocando a perda de alimentos ao alterar remotamente a temperatura de geladeiras e freezers.
Hackers estão atacando supermercados na Europa e provocando a perda de alimentos ao alterar remotamente a temperatura de geladeiras e freezers.
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Hackers estão atacando supermercados na Europa e provocando a perda de alimentos ao alterar remotamente a temperatura de geladeiras e freezers. Em algumas lojas, os equipamentos foram configurados para atingir 50°C, comprometendo a conservação de produtos refrigerados e congelados.

A nova onda de ataques foi registrada na madrugada de segunda-feira (2 de novembro de 2026). Segundo informações da AFP, problemas nos sistemas de refrigeração foram relatados em pelo menos nove países europeus. Redes como Carrefour, Intermarché, Delhaize, ICA e Coop estão entre as empresas afetadas.

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O episódio chama a atenção porque os criminosos não precisaram invadir fisicamente os estabelecimentos. Os sistemas de refrigeração possuem controladores conectados que permitem ajustes e manutenção a distância. Quando esse acesso não está protegido adequadamente, também pode ser explorado por invasores.

O que aconteceu nos ataques hackers aos supermercados?

Os incidentes começaram durante a madrugada, quando as lojas estavam fechadas ou com equipes reduzidas. Ao assumir o controle de determinados sistemas de refrigeração, os invasores conseguiram modificar configurações de temperatura e, em alguns casos, ativar funções de descongelamento.

Na Suécia, uma unidade da rede ICA relatou que seus freezers foram configurados para 50°C. Quando o problema foi identificado, os alimentos congelados já estavam comprometidos.

Hackers atacam supermercados e elevam freezers a 50°C na Europa

Em outros estabelecimentos, refrigeradores pararam de funcionar ou começaram a aquecer. Os funcionários precisaram retirar mercadorias das prateleiras, descartar produtos e tentar recuperar os sistemas.

Conforme levantamento do site especializado BleepingComputer, mais de 115 estabelecimentos foram afetados pela nova onda, incluindo supermercados, açougues e pequenos comércios.

Apesar da semelhança entre os casos, as investigações ainda não estabeleceram se todos os incidentes fazem parte de uma única operação coordenada.

Quais países e supermercados foram afetados?

A AFP identificou problemas de refrigeração em estabelecimentos de nove países europeus: Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Suécia.

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Entre os casos divulgados estão:

  • Bélgica: aproximadamente 15 unidades Carrefour sofreram interrupções. Lojas Delhaize, Spar e Intermarché também registraram problemas.
  • Portugal: sete lojas Intermarché foram afetadas por um ataque informático.
  • Irlanda: 13 supermercados SuperValu tiveram problemas em seus sistemas de refrigeração.
  • Suécia: unidades das redes ICA e Coop registraram alterações de temperatura.
  • Estônia: houve registro de equipamentos configurados para atingir 50°C.
  • Luxemburgo: quatro unidades Delhaize foram afetadas.
  • Itália: supermercados Coop na Sicília estiveram entre os estabelecimentos atingidos.

Também foram relatadas anormalidades em lojas da Finlândia, embora a causa de todos os episódios ainda estivesse em investigação. Na Bélgica, até uma unidade da IKEA registrou um incidente envolvendo equipamentos de refrigeração.

Portugal confirma sete supermercados atingidos por hackers

O Grupo Mosqueteiros, responsável pela rede Intermarché em Portugal, confirmou que sete estabelecimentos tiveram seus sistemas de refrigeração afetados.

Segundo a empresa, o incidente aparentemente atingiu um prestador externo responsável pelo gerenciamento dos equipamentos. Os procedimentos de resposta foram acionados em conjunto com os parceiros de manutenção.

Hackers atacam supermercados e elevam freezers a 50°C na Europa

De acordo com informações divulgadas pela agência portuguesa Lusa, com base na Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), três das sete lojas registraram perdas de produtos, que seriam encaminhados para destruição.

O grupo informou que a cadeia de abastecimento não foi afetada e afirmou que as condições de higiene e segurança alimentar estavam asseguradas. As lojas permaneceram em funcionamento.

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Como hackers conseguem controlar a temperatura dos freezers?

Os sistemas de refrigeração comerciais modernos utilizam computadores e controladores para acompanhar temperaturas, acionar compressores, gerenciar ciclos de descongelamento e identificar problemas.

Em muitos casos, técnicos terceirizados conseguem acessar esses equipamentos remotamente para realizar ajustes e manutenção. Essa conectividade facilita a operação, mas pode representar um risco caso a interface administrativa fique exposta à internet.

Pesquisadores da empresa de cibersegurança Claroty já haviam identificado vulnerabilidades em controladores utilizados no setor, incluindo equipamentos da fabricante dinamarquesa Danfoss.

As pesquisas apontaram problemas de autenticação e falhas capazes de permitir operações indevidas em determinadas versões de software. Os fabricantes disponibilizaram correções para parte dos equipamentos estudados.

Isso, porém, não significa que uma dessas vulnerabilidades específicas tenha sido comprovadamente utilizada nos ataques de novembro. O método exato de acesso ainda está sob investigação.

Por que os invasores colocariam um freezer a 50°C?

Um equipamento de refrigeração precisa manter os alimentos dentro de faixas de temperatura adequadas. Quando os criminosos modificam essas configurações ou acionam o modo de descongelamento, os produtos podem deixar de ser armazenados em condições seguras.

O resultado é a quebra da cadeia de frio. Carnes, laticínios e outros alimentos perecíveis podem precisar ser descartados mesmo que não apresentem alterações visíveis.

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A manipulação também provoca prejuízos operacionais, já que os estabelecimentos precisam inspecionar os equipamentos, verificar os estoques e restabelecer as condições de conservação.

Supermercados franceses já haviam sofrido ataques em outubro

O episódio de novembro acontece poucas semanas depois de uma invasão semelhante atingir centenas de estabelecimentos na França, em 12 de outubro.

Na ocasião, criminosos manipularam controladores de refrigeração utilizados por redes como Carrefour, Intermarché, Monoprix e Coopérative U. O incidente provocou descarte de alimentos e prejuízos financeiros.

O CERT-FR, órgão francês de resposta a incidentes cibernéticos, publicou um alerta sobre comprometimentos envolvendo controladores das famílias Danfoss AK-SM e AK-SC, além de sistemas Copeland e Dixell XWEB.

Entre as medidas recomendadas estão remover interfaces de gerenciamento da internet pública, utilizar conexões seguras, trocar senhas padrão e atualizar os equipamentos sempre que houver correções disponíveis.

A Claroty também atualizou sua análise técnica após a nova onda, alertando sobre os riscos de controladores antigos, acessos remotos desprotegidos e equipamentos sem suporte de segurança.

Quem está por trás dos ataques aos supermercados?

Até esta terça-feira (3), nenhum grupo havia assumido publicamente a responsabilidade pelos ataques, e as autoridades não tinham identificado os autores.

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A ausência de uma reivindicação ou pedido de resgate levantou a possibilidade de sabotagem, mas a motivação continua desconhecida.

A União Europeia manifestou preocupação com os episódios e com o potencial impacto sobre a cadeia alimentar. O caso demonstra que ataques digitais podem produzir consequências físicas imediatas, mesmo quando não envolvem o roubo tradicional de informações.

Os ataques hackers também atingiram supermercados no Brasil?

Até a atualização desta reportagem, não havia confirmação pública de supermercados brasileiros atingidos por essa onda de ataques aos controladores de refrigeração.

Os incidentes documentados concentram-se na Europa. Entretanto, a preocupação com a segurança desses equipamentos não é exclusiva do continente: sistemas de gerenciamento remoto também são utilizados em outros mercados.

Para estabelecimentos que dependem de refrigeração comercial, as recomendações incluem verificar a exposição de equipamentos à internet, revisar os acessos de fornecedores, atualizar controladores e manter procedimentos de contingência.

O caso também se soma a outras ameaças digitais recentes. No setor de games, o Overdrive acompanhou o ataque hacker à Warhorse Studios e a descoberta de falsos emuladores de PS5 usados para distribuir malware. Os métodos são diferentes, mas reforçam como vulnerabilidades de segurança podem afetar empresas e usuários.

O que ainda falta esclarecer?

As investigações deverão determinar como os criminosos conseguiram acessar os sistemas, se os incidentes de outubro e novembro estão diretamente relacionados e qual foi a dimensão total dos prejuízos.

Também não está esclarecido se todos os estabelecimentos afetados utilizavam o mesmo tipo de equipamento ou serviço de gerenciamento remoto.

Enquanto essas respostas não chegam, empresas trabalham para recuperar seus sistemas e evitar que novas alterações de temperatura provoquem perdas de alimentos.

Matéria atualizada em 3 de novembro de 2026, com informações da AFP, Lusa, BleepingComputer, CERT-FR e Claroty.

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