Se você estava esperando uma experiência totalmente fiel à fórmula soulslike em Elden Ring Nightreign, é melhor ajustar as expectativas desde já. O novo projeto da FromSoftware não tenta repetir o formato tradicional consolidado pelo estúdio nos últimos anos. Em vez disso, aposta em uma estrutura mais dinâmica, cooperativa e claramente inclinada a outro tipo de loop.
Na versão de teste que joguei nos dias 14 e 15 de fevereiro, deu para entender melhor a lógica por trás desse lançamento, que mistura elementos de soulslike e battle royale em uma proposta bem diferente do que muita gente provavelmente imaginava quando o jogo foi anunciado.
O que é Elden Ring Nightreign?
Nightreign é um jogo PvE em que você e mais dois jogadores entram em um mapa inspirado no universo de Elden Ring com um objetivo claro: sobreviver aos dias, se fortalecer e derrotar o chefe da noite.
Para isso, é preciso explorar o mapa, coletar equipamentos, evoluir o personagem e se preparar para o confronto principal de cada ciclo. A sensação de progressão existe o tempo todo, mas a estrutura é muito mais direta e acelerada do que a de um soulslike tradicional.
Ainda há punição, claro, mas em um nível diferente. Se você cair em combate, depende dos companheiros para voltar. A morte só se torna definitiva se todo o grupo for derrotado.
Elden Ring Nightreign é um soulslike?
A resposta mais honesta é: não exatamente.
O jogo mantém boa parte da identidade de combate que fez a FromSoftware se destacar, mas não segue a fórmula tradicional do gênero da mesma maneira. Nightreign trabalha com personagens divididos em categorias mais bem definidas, com foco em magia, ataques pesados ou golpes rápidos, e organiza a progressão em torno de partidas cooperativas com coleta constante de recursos.
O resultado é uma experiência que claramente carrega o DNA do estúdio, mas reorganiza esse material em outra lógica. A dificuldade continua pedindo atenção, leitura de inimigo e coordenação, só que o peso agora está muito mais no trabalho em equipe e no ritmo da sessão do que naquela jornada solitária, lenta e opressiva que costuma definir os jogos da casa.
Um battle royale com alma de FromSoftware
A definição que mais fez sentido para mim depois de jogar foi esta: Elden Ring Nightreign é um battle royale com fundamentos de soulslike.
Você e sua equipe precisam circular pelo mapa, enfrentar inimigos comuns, derrotar subchefes, encontrar equipamentos melhores e crescer rápido o bastante para encarar o chefe da noite. Tudo isso acontece em uma estrutura que pressiona o grupo a agir com eficiência, porque o jogo quer manter a sensação de urgência o tempo todo.
Durante a batalha noturna, existe um círculo de segurança. Ficar fora dele faz o personagem perder vida, o que aproxima a experiência ainda mais da lógica de battle royale. Essa camada funciona bem porque obriga o grupo a se movimentar e a pensar em posicionamento durante os confrontos mais difíceis.
O sistema de ressuscitar funciona bem
Um dos detalhes mais curiosos da experiência está na forma como a equipe revive aliados caídos. Quando um jogador é derrubado, ele não volta simplesmente com um comando padrão. Os companheiros precisam agir diretamente sobre ele para trazê-lo de volta.
No papel, isso parece esquisito. Na prática, funciona muito melhor do que eu esperava. No calor da batalha, o sistema reforça a necessidade de cooperação e ajuda a manter o caos sob controle sem transformar a mecânica em algo burocrático.
É o tipo de ideia estranha que faz sentido quando você está jogando.
Exploração continua sendo peça central
Mesmo com uma estrutura bem diferente, Nightreign ainda entende que explorar o mapa precisa ser parte essencial da experiência. Assim como em Elden Ring, descobrir caminhos, encontrar equipamentos poderosos e derrotar subchefes muda bastante o ritmo da progressão.
Esse talvez tenha sido um dos pontos que mais me agradaram. A sensação de ficar mais forte ao longo da sessão continua muito satisfatória, principalmente quando o grupo começa a se encaixar melhor e os confrontos passam a parecer mais controláveis.
Ao mesmo tempo, o jogo exige equilíbrio. Explorar demais sem pensar no tempo ou na preparação para o chefe pode custar caro. Há uma pressão constante para decidir quando insistir em limpar o mapa e quando é melhor aceitar o que já foi conquistado e seguir para o confronto principal.
Chefes reciclados, mas com apelo forte
Outro detalhe importante é que Nightreign recicla inimigos e chefes já conhecidos, inclusive de outros títulos da FromSoftware. Durante minha sessão, enfrentei o Demônio Centopeia, chefe bastante conhecido de Dark Souls.
A sensação de nostalgia é imediata, e isso certamente vai agradar parte do público. Ao mesmo tempo, o uso desses rostos familiares reforça a ideia de que o jogo está menos preocupado em criar uma aventura totalmente inédita e mais interessado em remixar elementos já conhecidos dentro de um formato novo.
Não me incomodou durante o teste, mas é algo que pode dividir opiniões dependendo de como o conteúdo final for distribuído na versão completa.
A movimentação é mais rápida e mais direta
Uma diferença importante em relação a Elden Ring está na mobilidade. Aqui, a exploração parece mais veloz e menos dependente daquele ritmo contemplativo do jogo principal. A ausência da montaria, por exemplo, não pesa tanto quanto eu imaginava, justamente porque o deslocamento foi pensado para funcionar melhor dentro dessa estrutura de sessão cooperativa.
Essa agilidade ajuda o jogo a manter o ritmo alto e reforça a proposta de um título mais imediato, mais focado em ação coordenada e menos em absorção lenta do mundo.
Problemas técnicos ainda aparecem
Como era de se esperar em uma versão de teste da FromSoftware, surgiram alguns problemas técnicos. Enfrentei quedas de frame e um bug curioso em que o chefe de uma das noites simplesmente não apareceu para mim, apenas para os meus companheiros.
Foi uma falha pontual, e felizmente não se repetiu nas sessões seguintes, mas ainda assim mostra que o jogo precisa chegar mais polido no lançamento para não repetir problemas que já acompanham parte do histórico do estúdio.
Primeiras impressões
Minha impressão inicial com Elden Ring Nightreign foi positiva. O jogo parece estranho à primeira vista, especialmente para quem espera algo mais próximo do soulslike tradicional, mas funciona melhor do que a ideia sugere.
Os puristas provavelmente vão torcer o nariz, e é compreensível. Só que existe aqui uma experiência cooperativa divertida, com bom senso de progressão, chefes marcantes e uma estrutura que consegue preservar parte importante da essência da FromSoftware mesmo operando dentro de outra lógica.
O maior ponto de dúvida, para mim, está no conteúdo final. Esse tipo de proposta depende muito de variedade, de ritmo de atualização e de quantidade de situações memoráveis ao longo do tempo. Se a versão completa entregar isso, Nightreign pode funcionar muito bem dentro daquilo que se propõe.
Vale a pena ficar de olho?
Sim, especialmente se você estiver disposto a aceitar que este não é um novo soulslike tradicional. Elden Ring Nightreign parece mais interessado em experimentar do que em repetir. E, pelo menos nessa primeira amostra, essa aposta parece ter potencial.
O preço pode afastar parte do público, ainda mais por se tratar de um jogo com estrutura mais próxima de um battle royale cooperativo do que de uma aventura completa no molde clássico da FromSoftware. Mesmo assim, a força do nome do estúdio e a curiosidade em torno da proposta devem manter bastante gente interessada.

