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Em apenas 18 minutos, duas cidades do Oeste de Santa Catarina enfrentaram um dos fenômenos meteorológicos mais destrutivos da natureza. Na manhã de quarta-feira (4 de novembro), tornados atingiram Chapecó e Xanxerê, provocando destelhamentos, derrubando árvores e deixando um rastro de prejuízos.
O primeiro foi identificado por volta das 10h30, em Chapecó. Às 10h48, os radares meteorológicos detectaram características de outro tornado em Xanxerê, município localizado a cerca de 30 quilômetros de distância. A proximidade entre os episódios chamou a atenção, principalmente porque não é comum acompanhar dois fenômenos desse tipo em um intervalo tão curto.
Mas como Santa Catarina conseguiu registrar dois tornados praticamente ao mesmo tempo? A resposta está nas condições atmosféricas que favoreceram a formação de tempestades severas em diferentes pontos da região. E existe uma diferença importante: os registros não significam que o primeiro tornado tenha causado o segundo.

Por que dois tornados se formaram em Santa Catarina com apenas 18 minutos de diferença?
O ponto central é que um tornado não precisa surgir isoladamente. Quando a atmosfera apresenta condições favoráveis, diferentes tempestades podem desenvolver movimentos de rotação e gerar tornados em locais próximos, inclusive com poucos minutos de diferença.
Na quarta-feira, uma linha de instabilidade avançava pelo Oeste catarinense. Esse tipo de sistema reúne nuvens de tempestade capazes de produzir chuva intensa, descargas elétricas, granizo e rajadas violentas de vento. Em determinadas circunstâncias, algumas dessas tempestades também desenvolvem circulação rotativa.
Para que um tornado se forme, não basta existir vento forte. Normalmente, há uma combinação de fatores: ar quente e úmido próximo à superfície, instabilidade atmosférica e mudanças na velocidade ou na direção dos ventos conforme a altitude, fenômeno conhecido como cisalhamento do vento.
Quando essas condições favorecem uma tempestade suficientemente organizada, correntes de ar ascendentes podem adquirir rotação. Se uma circulação intensa se estende da nuvem até o solo, forma-se um tornado.
Isso ajuda a entender o que aconteceu em Chapecó e Xanxerê. As duas cidades estavam sob influência do mesmo ambiente de instabilidade, capaz de favorecer episódios severos em diferentes pontos. Entretanto, a existência de uma linha de tempestades, por si só, não demonstra que os dois tornados tiveram exatamente o mesmo mecanismo de formação.
Em outras palavras, Santa Catarina não foi necessariamente atingida duas vezes pela mesma coluna de vento. A confirmação de dois tornados em horários e municípios diferentes indica duas ocorrências, enquanto a relação detalhada entre as tempestades depende da análise dos radares e dos levantamentos de campo.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, com base na Defesa Civil catarinense, os meteorologistas identificaram circulação rotativa dos ventos no interior das tempestades. Essa assinatura foi fundamental para confirmar os fenômenos.
Os tornados de Chapecó e Xanxerê tiveram a mesma intensidade?
Ainda não é possível afirmar isso apenas com as velocidades registradas pelas estações meteorológicas. Em Chapecó, uma estação da Defesa Civil mediu rajadas de 93 km/h, enquanto um equipamento do Instituto Nacional de Meteorologia, instalado em outro ponto da cidade, registrou 126 km/h.
Em Xanxerê, a medição divulgada chegou a 80 km/h. Esses números mostram a força dos temporais, mas não representam necessariamente a velocidade máxima dos ventos dentro de cada tornado.
A distinção é importante porque um tornado pode produzir ventos muito mais intensos em uma faixa estreita do que aqueles registrados por uma estação meteorológica situada fora de sua trajetória principal.
A classificação dos tornados pela escala Fujita Aprimorada considera principalmente os danos observados em estruturas e vegetação, associados a estimativas de velocidade. Por isso, a Defesa Civil informou que equipes deverão realizar levantamentos e utilizar imagens de drones para avaliar as áreas atingidas.
Os prejuízos já demonstram a gravidade do episódio. Em Chapecó, estruturas do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso foram danificadas, incluindo áreas dos hangares e do terminal. Em Xanxerê, também houve registros de destelhamentos, árvores caídas e problemas em vias de circulação.
O alcance da instabilidade, porém, foi muito maior que o dos dois tornados. Temporais provocaram alagamentos, enxurradas e danos em diversos municípios catarinenses, exigindo mobilização de equipes de emergência.

Santa Catarina pode registrar novos tornados nos próximos dias?
O fato de dois tornados terem ocorrido no mesmo dia não significa que outros necessariamente vão se formar. O risco depende das condições atmosféricas presentes em cada momento, especialmente da organização das tempestades e do comportamento dos ventos.
Para sexta-feira (6) e o fim de semana, a previsão divulgada pelas autoridades meteorológicas indica a aproximação de uma nova frente fria, com possibilidade de temporais, rajadas de vento, raios e granizo em Santa Catarina. Isso exige atenção, mas não equivale a uma previsão de novos tornados nas mesmas cidades.
Também não existe fundamento para afirmar, apenas com os registros dessa quarta-feira, que Chapecó ou Xanxerê passarão a sofrer tornados com maior frequência. Uma avaliação dessa natureza exige estudos de longo prazo e não apenas a observação de um episódio extremo.
Durante tempestades severas, a orientação é procurar uma construção resistente, permanecer em um cômodo interno afastado de janelas e evitar galpões, árvores, postes e estruturas metálicas. Se houver aviso de tornado, não tente acompanhar ou filmar o fenômeno em áreas abertas.
Motoristas devem evitar deslocamentos durante o auge da tempestade e nunca atravessar áreas inundadas. Em caso de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193, enquanto a Defesa Civil atende pelo 199.
Os avisos oficiais podem ser acompanhados no portal da Defesa Civil de Santa Catarina. O Inmet também disponibiliza previsões e alertas meteorológicos.
O episódio de 4 de novembro deixa uma lição importante: o perigo de uma tempestade não termina necessariamente quando o primeiro núcleo de chuva ou vento passa. Em um ambiente atmosférico favorável, outras células intensas podem se desenvolver ou avançar rapidamente sobre cidades vizinhas. Foi justamente essa sucessão de tempestades severas que tornou a manhã tão perigosa no Oeste catarinense.
Para compreender a diferença entre os fenômenos, vale acompanhar também os conteúdos de Ciência e Mundo do Overdrive, que aborda acontecimentos naturais e suas explicações.
Fontes: agenciabrasil.ebc.com.br e gov.br.

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