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CD está de volta? Vendas disparam em 2026; entenda o que está acontecendo

Receita dos CDs avançou 58,6% nos EUA, mas o detalhe mais curioso está no público: parte dos jovens compra os discos como colecionáveis mesmo sem ter um aparelho para tocá-los

CD em destaque ao lado de caixas de álbuns e fones de ouvido, representando a volta das vendas de mídia física em 2026.
CDs voltaram a ganhar espaço em 2026, impulsionados pelo interesse em mídia física e pelo apelo de colecionáveis entre consumidores mais jovens.
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Quem cresceu nos anos 1990 ou 2000 provavelmente se lembra de carregar uma carteira cheia de CDs no carro, trocar discos no aparelho de som e escolher um álbum inteiro antes de apertar o play. Com Spotify, Apple Music e outros serviços colocando milhões de músicas no celular, tudo isso parecia ter virado definitivamente coisa do passado.

Mas os números de 2026 contam outra história. As vendas de CDs voltaram a crescer nos Estados Unidos — e não foi pouco.

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Dados divulgados pela Recording Industry Association of America (RIAA) mostram que 17,5 milhões de CDs foram comercializados no primeiro semestre de 2026, contra 12 milhões no mesmo período do ano anterior. Isso representa uma alta de 45,7%.

A receita cresceu ainda mais: passou de US$ 107,9 milhões para US$ 171,1 milhões, avanço de 58,6% em um ano.

O mais curioso é que essa recuperação acontece enquanto o streaming continua dominando a indústria musical. E há outro detalhe que ajuda a explicar a mudança: para muitos jovens, comprar um CD já não significa necessariamente usá-lo para ouvir música.

Prateleiras de loja em Akihabara, no Japão, cheias de álbuns de música em CD
CDs continuam ocupando prateleiras de lojas especializadas e ganharam novo apelo entre colecionadores. Foto: Benlisquare/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

As vendas de CDs realmente voltaram a crescer?

Sim. O crescimento aparece em mais de uma medição do mercado americano, embora os números sejam diferentes porque cada empresa usa uma metodologia própria.

No relatório semestral da RIAA, os CDs passaram de 12 milhões para 17,5 milhões de unidades entre os primeiros seis meses de 2025 e o mesmo período de 2026. A receita subiu de US$ 107,9 milhões para US$ 171,1 milhões.

CDs nos EUA1º semestre de 20251º semestre de 2026Variação
Unidades12 milhões17,5 milhões+45,7%
ReceitaUS$ 107,9 milhõesUS$ 171,1 milhões+58,6%

O resultado chama ainda mais atenção porque 2025 havia terminado com queda no formato. Segundo o relatório anual da RIAA, foram vendidos 29,5 milhões de CDs naquele ano, 11,6% abaixo dos 33,3 milhões registrados em 2024.

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Em outras palavras, o mercado não vinha de uma sequência de crescimento. O salto de 2026 representa uma reversão do movimento observado no ano anterior.

Por que a Luminate fala em crescimento de 16%?

Outra referência importante para acompanhar a indústria musical é a Luminate. No seu relatório do primeiro semestre de 2026, a empresa contabilizou 16,3 milhões de CDs vendidos nos Estados Unidos, alta de 16% na comparação anual.

A diferença para os 17,5 milhões da RIAA não significa que uma das medições esteja errada. As duas organizações trabalham com bases e metodologias diferentes.

A RIAA compila dados das gravadoras e mede valores de atacado líquidos de devoluções. Já a Luminate acompanha o consumo musical e vendas reportadas por varejistas, comércio eletrônico e outros canais.

Apesar da diferença no percentual, os dois levantamentos apontam para a mesma conclusão: mais CDs estão sendo vendidos em 2026.

Pilha de álbuns de música em caixas tradicionais de CD
Caixa, encarte e arte física passaram a fazer parte do apelo do CD para novos compradores. Foto: Santeri Viinamäki/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Tem gente comprando CD mesmo sem ter CD player

É aqui que a volta do formato começa a ficar mais interessante.

Segundo dados destacados pela Luminate, aproximadamente metade dos consumidores da Geração Z e millennials que compram CDs não possui um aparelho dedicado para reproduzi-los.

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Isso sugere que o disco físico está começando a desempenhar uma função diferente daquela que tinha em seu auge.

Nos anos 1990, comprar um CD era uma das principais formas de ter acesso a um álbum. Em 2026, praticamente qualquer música pode ser reproduzida instantaneamente pelo celular. Por isso, para uma parcela do público, o valor do CD está mais ligado ao objeto do que à necessidade de usá-lo.

Capas diferentes, encartes, fotos, photobooks, cartões colecionáveis e edições limitadas transformaram alguns lançamentos em itens para guardar e exibir.

É um comportamento semelhante ao que já ocorre há anos com discos de vinil: o streaming é usado no cotidiano, enquanto a edição física ocupa a estante.

K-pop tem participação importante nessa história

Uma das forças por trás do crescimento é o K-pop. Artistas e gravadoras do gênero costumam lançar diversas versões físicas do mesmo álbum, com capas, photobooks, cartões e outros itens colecionáveis diferentes.

Para fãs, isso cria um motivo para comprar até mais de uma cópia de um mesmo lançamento.

Mas o fenômeno não pode ser explicado apenas pelo K-pop. A Luminate calcula que, se todos os CDs de K-pop fossem retirados da conta, as vendas americanas ainda teriam aumentado 6,7% no primeiro semestre de 2026.

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Ou seja, o gênero acelerou o crescimento, mas existe demanda também fora dele.

CD está virando o novo vinil?

A comparação é inevitável, mas os dois formatos ocupam posições diferentes.

O vinil já vive uma recuperação prolongada e continua sendo o principal formato físico da música em receita nos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2026, as vendas de discos renderam US$ 543,8 milhões, crescimento de 17,7%, segundo a RIAA.

Os CDs ficaram bem atrás, com US$ 171,1 milhões, mas cresceram em ritmo muito mais acelerado.

Formato físicoUnidades em 2026ReceitaVariação da receita
Vinil26,5 milhõesUS$ 543,8 milhões+17,7%
CD17,5 milhõesUS$ 171,1 milhões+58,6%

Há uma vantagem prática que pode ajudar o CD nessa nova fase: ele é menor, mais simples de guardar e normalmente mais barato que um LP.

Isso permite que o formato ocupe uma espécie de espaço intermediário entre o streaming, praticamente invisível e instantâneo, e o vinil, que costuma exigir mais espaço e investimento.

Streaming continua muito maior que o CD

Apesar da alta expressiva, não há sinal de que os consumidores estejam abandonando Spotify, YouTube Music ou Apple Music para voltar ao CD.

O próprio relatório da RIAA mostra isso. O streaming gerou US$ 4,89 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 4,7% em relação ao ano anterior.

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O segmento respondeu por cerca de 82% de toda a receita de música gravada nos Estados Unidos.

Portanto, dizer que “o CD derrotou o streaming” seria errado. O que está acontecendo é diferente: o consumo digital continua crescendo enquanto uma parcela dos fãs volta a enxergar valor em possuir uma versão física de seus álbuns favoritos.

Sony Discman portátil usado para ouvir CDs com fones de ouvido
Discman e outros aparelhos portáteis ajudaram a popularizar os CDs antes da chegada dos MP3 players e smartphones. Foto: Darekm135/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Por que a tecnologia antiga está voltando?

Os CDs fazem parte de um movimento maior de redescoberta de aparelhos e formatos considerados ultrapassados há poucos anos.

Câmeras digitais compactas, celulares de botão, toca-discos e outros produtos de proposta mais simples voltaram a aparecer entre consumidores mais jovens.

A própria indústria já percebeu esse interesse. Na IFA 2026, a Acer ressuscitou a Packard Bell com uma linha que inclui celular de botão e toca-discos, misturando tecnologia atual com elementos claramente inspirados no passado.

Há algumas explicações possíveis. Uma delas é a nostalgia, inclusive por uma época que parte da Geração Z nem chegou a viver. Outra é o desejo por experiências que não dependam de notificações, algoritmos ou uma assinatura mensal.

Também existe uma questão de propriedade. Um álbum disponível em streaming depende do catálogo da plataforma e dos acordos de licenciamento. Já um CD comprado continua na estante do usuário.

Isso não significa que uma opção seja necessariamente melhor que a outra. Para muita gente, elas simplesmente passaram a coexistir.

Enquanto a música recupera o físico, os games caminham para o digital

O movimento se torna ainda mais curioso quando comparado com outra indústria do entretenimento: os videogames.

Nos games, empresas continuam ampliando a distribuição digital. O Overdrive já mostrou como GTA 6 será vendido no varejo sem um disco dentro da caixa, com o conteúdo sendo baixado por meio de um código.

O mesmo debate aparece no PlayStation. A Sony já anunciou mudanças que levarão novos lançamentos da plataforma a abandonar os discos físicos a partir de 2028.

Fontes: RIAA, RIAA Mid-Year Revenue Report 2026, Luminate

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