Resumo: dois aparelhos de ar-condicionado inverter com selo A podem consumir quantidades diferentes de energia. Antes de comprar, compare modelos de mesma capacidade pelo consumo anual em kWh e pelo IDRS. Entre quatro aparelhos de 12.000 BTU analisados pelo Overdrive, o consumo padronizado varia de 350 a 415 kWh/ano.
Encontrar um ar-condicionado inverter com selo A é um bom começo, mas não é suficiente para descobrir qual aparelho tende a ser mais eficiente. A etiqueta energética traz informações que permitem uma comparação muito mais precisa, principalmente o consumo anual de energia, em kWh/ano, e o IDRS.
Na prática, dois aparelhos de 12.000 BTU podem ter tecnologia inverter, classificação A e tensão de 220 V, mas apresentar diferenças consideráveis no ensaio padronizado. É por isso que olhar somente para a letra destacada na etiqueta pode esconder justamente o dado mais útil antes da compra.

Ar-condicionado com selo A gasta tudo igual?
Não. O selo A reúne aparelhos que atendem aos critérios da faixa de maior eficiência energética aplicável, mas isso não significa que todos apresentem o mesmo resultado.
O próprio Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro permite consultar e comparar produtos por modelo, capacidade, classificação e consumo energético.
Para mostrar a diferença, o Overdrive selecionou quatro aparelhos inverter de 12.000 BTU, ciclo frio e 220 V. Todos são classe A nas especificações consultadas.
| Modelo | IDRS | Consumo anual | Classe | Preço visto em 30/09 |
|---|---|---|---|---|
| Daikin EcoSwing Smart Gold | 8,30 | 350 kWh/ano | A | cerca de R$ 4.007 |
| Fujitsu Airstage Premium | 8,23 | 353 kWh/ano | A | cerca de R$ 4.088 |
| Midea Xtreme Save AI Connect | 7,60 | 382,7 kWh/ano | A | a partir de cerca de R$ 2.069 |
| Gree G-Side Auto Inverter | 7,01 | 415 kWh/ano | A | a partir de cerca de R$ 2.170 |
Preços encontrados em pesquisa realizada em 30 de setembro de 2026. Valores, vendedores, estoque, frete e condições de pagamento podem mudar sem aviso. Confira o código exato do produto antes da compra. A instalação não está incluída.
A diferença mais interessante está nas extremidades. O Daikin registra 350 kWh/ano, enquanto o Gree chega a 415 kWh/ano. São 65 kWh/ano de diferença no ciclo padronizado, mesmo com os dois produtos aparecendo na classe A.
O que olhar para descobrir qual ar-condicionado gasta menos?
Antes de comparar preços ou recursos inteligentes, confira três informações.
1. Consumo anual em kWh
Quando os aparelhos têm a mesma capacidade, função e categoria, o consumo anual facilita bastante a comparação. Em condições equivalentes, um número menor indica menor consumo no procedimento padronizado usado para a etiqueta.
Isso significa que, entre dois aparelhos de 12.000 BTU comparáveis, um modelo de 350 kWh/ano apresentou um resultado de referência inferior a outro de 415 kWh/ano.
O dado não deve, porém, ser interpretado como a quantidade exata de energia que o aparelho consumirá na sua casa.
2. IDRS
IDRS é o Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal. Ele ajuda a representar a eficiência do aparelho em diferentes condições de funcionamento ao longo da temporada.
A lógica é inversa à do consumo anual: quanto maior o IDRS, melhor a eficiência sazonal.
O Inmetro explica que a metodologia atual foi criada para representar melhor o funcionamento dos condicionadores de ar durante o ano e facilitar a identificação da eficiência dos equipamentos inverter.
3. Código exato do produto
Este ponto é fácil de ignorar e pode invalidar toda a comparação.
Fabricantes vendem aparelhos com nomes comerciais praticamente idênticos em capacidades, ciclos e gerações diferentes. Uma loja também pode reunir várias versões em uma única página.
Por isso, procure os códigos da unidade interna e da unidade externa e confirme se são os mesmos presentes na ficha técnica e no registro consultado.
Qual ar-condicionado de 12.000 BTU gasta menos nesta comparação?
Considerando exclusivamente os quatro aparelhos selecionados e o consumo anual padronizado, o Daikin EcoSwing Smart Gold apresenta o menor número, com 350 kWh/ano.
O Fujitsu Airstage Premium vem praticamente empatado, com 353 kWh/ano. Depois aparecem Midea Xtreme Save AI Connect, com 382,7 kWh/ano, e Gree G-Side Auto Inverter, com 415 kWh/ano.
Isso não significa que o aparelho com menor kWh/ano será automaticamente a melhor compra. O preço inicial pode mudar bastante a decisão.

Daikin EcoSwing Smart Gold: 350 kWh/ano
O Daikin EcoSwing Smart Gold R-32, no conjunto FTKP12S5VL/RKP12S5VL de 12.000 BTU, apresenta IDRS de 8,30 e consumo anual de 350 kWh.
É o menor consumo padronizado entre os quatro aparelhos deste recorte. O problema está no preço: na pesquisa realizada para esta matéria, ofertas do modelo apareceram na região de R$ 4 mil.
Por isso, sua vantagem energética precisa ser colocada ao lado do investimento inicial. Uma diferença relativamente pequena de consumo não deve ser usada isoladamente para justificar qualquer diferença de preço.
Fujitsu Airstage Premium: 353 kWh/ano
O Fujitsu Airstage Premium ASBG12CMBA/AOBG12CMCA registra IDRS de 8,23 e consumo anual de 353 kWh.
A diferença para o Daikin é de somente 3 kWh/ano no ciclo padronizado. Os dois, portanto, ficam muito próximos quando o critério analisado é eficiência.
O Fujitsu possui 12.000 BTU, compressor inverter, fluido R-32 e alimentação de 220 V. A ficha oficial também informa operação interna a partir de 21 dB(A) no modo silencioso.
Na pesquisa de preços feita em 30 de setembro, o Airstage Premium apareceu na faixa de R$ 4,1 mil. Disponibilidade desse modelo pode variar bastante entre varejistas.
Midea Xtreme Save AI Connect: 382,7 kWh/ano
O Midea Xtreme Save AI Connect, conjunto 42AGVCJ12M5/38AGVCJ12M5, informa IDRS de 7,60 e consumo anual de 382,7 kWh.
Ele fica atrás de Daikin e Fujitsu em eficiência dentro deste recorte, mas custa consideravelmente menos nas ofertas encontradas. Na checagem realizada para a matéria, o aparelho apareceu por cerca de R$ 2,1 mil nas ofertas mais agressivas.
A ficha ainda traz Wi-Fi, integração com Alexa, Google Assistente e Siri, além de acompanhamento de consumo pelo aplicativo SmartHome.
Esse é um exemplo importante de como eficiência e preço precisam ser avaliados juntos. Um produto pode gastar mais no teste padronizado e, ainda assim, exigir um investimento inicial milhares de reais menor.

Gree G-Side Auto Inverter: 415 kWh/ano
O Gree G-Side Auto Inverter de 12.000 BTU é outro bom exemplo de por que a classificação A não deve encerrar a pesquisa.
A versão considerada no comparativo apresenta IDRS de 7,01 e consumo anual de 415 kWh. É o maior consumo anual entre os quatro modelos, apesar da classificação A.
Por outro lado, o preço encontrado ficou próximo de R$ 2,2 mil, bem abaixo dos valores vistos para Daikin e Fujitsu.
O modelo também oferece Wi-Fi, tecnologia inverter, recursos de limpeza automática e condensadora compacta.

65 kWh/ano de diferença é muito?
Entre os dois extremos desta comparação, a diferença padronizada é de 65 kWh/ano.
O número é relevante para comparar eficiência, mas não deve ser convertido automaticamente em uma promessa de economia financeira.
Primeiro porque a tarifa de energia varia conforme distribuidora, impostos, bandeira tarifária e localidade. Segundo porque o consumo real depende de como o aparelho será utilizado.
Uma casa com ar-condicionado ligado por muitas horas em dias extremamente quentes tem um perfil diferente de um quarto onde o equipamento funciona somente durante parte da noite.
O Overdrive adota cuidado semelhante ao analisar consumo em outras categorias. No comparativo entre a lava e seca LG de 16 kg e a de 18 kg, por exemplo, os dados do ensaio são separados do gasto real da rotina doméstica.
Por que não dá para dividir o kWh/ano por 12 e prever sua conta?
O consumo informado na etiqueta foi produzido dentro de uma metodologia padronizada. Sua função principal é permitir que aparelhos sejam comparados sob a mesma referência.
Ele não sabe quantas horas por dia você deixará o ar ligado, qual temperatura escolherá ou como é o cômodo.
O consumo real é afetado por fatores como:
- Temperatura configurada;
- Quantidade de horas de funcionamento;
- Temperatura externa;
- Incidência de sol no ambiente;
- Tamanho e isolamento do cômodo;
- Abertura frequente de portas e janelas;
- Quantidade de pessoas no local;
- Dimensionamento correto do aparelho;
- Limpeza dos filtros e manutenção.
Por isso, afirmar que determinado aparelho acrescentará exatamente R$ 50 ou R$ 80 por mês à conta apenas com base na etiqueta seria uma simplificação.
A mesma cautela é importante ao analisar outros eletrodomésticos. No guia sobre a Hisense 1i, o Overdrive também separa o consumo informado em ensaio do gasto de uma rotina completa de lavagem e secagem.
IDRS ou consumo anual: qual número é mais importante?
Use os dois.
O consumo anual em kWh é fácil de entender: entre equipamentos comparáveis, um número menor indica menor consumo no ensaio.
O IDRS mede eficiência sazonal. Nesse caso, quanto maior o número, melhor.
Se um aparelho de mesma capacidade apresenta simultaneamente IDRS maior e consumo anual menor, ele demonstra melhor eficiência energética na comparação padronizada.
O preço ainda precisa entrar na decisão. Um aparelho que economiza poucos kWh no ensaio, mas custa R$ 1 mil ou R$ 2 mil a mais, não recupera necessariamente essa diferença de investimento apenas por consumir menos.
O tamanho em BTU precisa ser definido antes
Não compare um aparelho de 9.000 BTU com outro de 12.000 BTU apenas pelo kWh/ano e conclua que o primeiro é mais eficiente porque consome menos.
A capacidade de refrigeração também é diferente.
Um equipamento subdimensionado pode trabalhar por períodos maiores e ter dificuldade para manter a temperatura desejada. Um modelo excessivamente grande também pode ser uma escolha desnecessariamente cara.
Antes de comparar IDRS e consumo, determine qual capacidade atende ao ambiente considerando área, incidência de sol, quantidade de pessoas e fontes de calor.
Vale pagar mais pelo ar-condicionado que gasta menos?
Depende da diferença de preço e da forma como o equipamento será utilizado.
Daikin e Fujitsu apresentam os melhores resultados de eficiência entre os quatro aparelhos analisados, mas as ofertas encontradas para ambos ficaram próximas de R$ 4 mil.
Midea e Gree custavam perto da metade em algumas ofertas consultadas, apesar do consumo anual padronizado maior.
Isso significa que a comparação correta não é simplesmente:
“Qual gasta menos?”
Ela deve incluir:
- Preço do aparelho;
- Consumo anual e IDRS;
- Custo de instalação;
- Garantia;
- Assistência técnica na sua região;
- Recursos que você realmente pretende usar.
A lógica é parecida com outros eletrodomésticos de alto valor. No comparativo entre lava e seca Samsung e LG, preço, garantia e assistência podem pesar tanto quanto uma vantagem isolada da ficha técnica.
Como comparar um ar-condicionado antes de comprar
Antes de finalizar a compra, faça esta checagem:
- Defina a capacidade correta em BTU.
- Compare aparelhos de mesma capacidade e mesmo ciclo.
- Confira o código exato da evaporadora e da condensadora.
- Procure o consumo anual em kWh.
- Confira o IDRS.
- Verifique a classificação energética.
- Pesquise preço, frete e instalação.
- Confira garantia e assistência autorizada.
Também é possível pesquisar o modelo diretamente no sistema do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro.
Então, qual dos quatro gasta menos?
Entre os quatro aparelhos de 12.000 BTU analisados, o Daikin EcoSwing Smart Gold apresenta o menor consumo anual padronizado, com 350 kWh/ano.
O Fujitsu Airstage Premium vem logo depois, com 353 kWh/ano. O Midea Xtreme Save AI Connect registra 382,7 kWh/ano e o Gree G-Side Auto Inverter chega a 415 kWh/ano.
Mas o resultado também mostra por que menor consumo não significa automaticamente melhor negócio. Daikin e Fujitsu custavam perto de R$ 4 mil na checagem, enquanto Midea e Gree apareceram próximos de R$ 2 mil.
Por isso, use a etiqueta para comparar eficiência, não como único critério de compra.
Se o gasto de energia da casa como um todo é uma preocupação, também vale entender quanto custa instalar energia solar residencial em 2026 e em quais situações ela pode compensar.
Perguntas frequentes
Todo ar-condicionado inverter com selo A gasta igual?
Não. Modelos classe A podem apresentar diferentes valores de IDRS e consumo anual. Compare os códigos exatos dos aparelhos.
Qual número mostra se o ar-condicionado é econômico?
Observe principalmente o consumo anual em kWh e o IDRS. Entre produtos equivalentes, menor kWh e maior IDRS indicam melhor eficiência.
IDRS alto ou baixo é melhor?
Quanto maior o IDRS, melhor é a eficiência sazonal indicada pelo índice.
Posso calcular minha conta dividindo o kWh/ano por 12?
Não como previsão exata. O consumo da etiqueta é padronizado para comparação e o gasto real depende do uso, clima, ambiente e tarifa.
O ar-condicionado que consome menos sempre vale mais a pena?
Não. Preço de compra, instalação, garantia, assistência e diferença real de eficiência também precisam entrar na decisão.

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