College Football 27 joga seguro, mas vence nos detalhes

A EA aprimora os confrontos, aprofunda o modo Dynasty e mantém uma atmosfera esportiva difícil de igualar, embora ainda tropece na progressão e na monetização

Review:EA Sports College Football 27 College Football 27 joga seguro, mas vence nos detalhes

Ficha de avaliação

8/10

Com partidas mais equilibradas, atmosfera universitária excelente e um modo Dynasty mais profundo, College Football 27 apresenta a melhor versão da série desde seu retorno. Menus lentos, falhas pontuais de inteligência artificial e decisões controversas de monetização impedem uma nota maior.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Partidas mais equilibradas e responsivas
  • Excelente atmosfera universitária
  • Dynasty mais profundo e estratégico
  • Novas posições e maior personalização em Road to Glory
  • Ajustes táticos mais rápidos antes do snap

Contras

  • Menus lentos no PS5
  • Falhas ocasionais de bloqueio e cobertura
  • Road to Glory ainda apresenta muita repetição
  • Monetização agressiva e progressão paga considerada no lançamento
  • Evolução conservadora em relação à edição anterior

Ficha técnica

  • GAMEEA Sports College Football 27
  • PLATAFORMAPS5, Xbox Series X, S e PC
  • GÊNEROEsportes, futebol americano
  • DESENVOLVEDORAEA Sports
  • PUBLISHERElectronic Arts
  • LANÇAMENTO9 de julho de 2026
Nesta matéria

O impacto causado pelo retorno da série em 2024 já passou. Três edições depois, EA Sports College Football não pode depender da nostalgia nem da longa ausência para justificar um novo lançamento. A partir de agora, cada jogo precisa mostrar como pretende evoluir uma base que já funcionava.

College Football 27 responde sem reinventar a série. A EA Sports concentra esforços no comportamento dos jogadores, nas opções táticas e nos dois principais modos individuais. O resultado é a versão mais completa desde o retorno da franquia, ainda que várias melhorias sejam incrementais.

Dentro de campo, as partidas estão mais equilibradas e oferecem maior controle sobre recepções, marcações e ajustes antes da jogada. Fora dele, Dynasty ganhou sistemas capazes de sustentar dezenas de temporadas, enquanto Road to Glory permite desenvolver atletas com mais liberdade.

Alguns problemas impedem uma evolução maior. Os menus continuam lentos, a inteligência artificial ainda apresenta decisões estranhas e a tentativa de inserir progressão paga em modos tradicionais deixou uma marca negativa mesmo após o recuo da EA. Ainda assim, a qualidade do futebol praticado sustenta o conjunto.

O jogo melhora nos confrontos individuais

College Football 27 continua mais rápido e imprevisível que Madden. A diferença entre as duas séries aparece na movimentação dos atletas, nas mudanças de ritmo e na influência exercida pelo estádio. Jogadores universitários cometem erros, perdem confiança e sentem mais o peso de atuar como visitantes.

A EA trabalhou especialmente nos confrontos entre recebedores e defensores. Os atletas agora entendem melhor o lado para o qual precisam escapar durante uma rota, enquanto os marcadores usam a posição do corpo e a vantagem territorial com maior eficiência. Isso reduz lances em que a defesa simplesmente acompanha um espaço vazio enquanto o adversário corre livre.

O novo sistema de recepção baseada em tempo acrescenta outra camada. Depois do lançamento, é possível escolher entre uma recepção agressiva, segura ou voltada à continuidade da corrida e soltar o botão dentro de uma janela indicada na tela. O atributo do jogador continua importante, mas a execução passa a ter participação direta no resultado.

A mecânica funciona porque não transforma toda bola bem calculada em recepção automática. Cobertura apertada, contato, posicionamento e dificuldade da tentativa alteram a janela. Um recebedor de elite ainda apresenta vantagens claras, mas o jogador precisa escolher corretamente o tipo de recepção.

A defesa também evoluiu. O Tackle Stick distribui diferentes tipos de abordagem pelas direções do analógico direito, permitindo escolher entre um golpe mais forte, um corte nas pernas, um bote ou uma contenção segura. A mudança torna os confrontos em campo aberto mais responsivos e reduz a sensação de depender exclusivamente de uma animação escolhida pelo jogo.

As disputas nas trincheiras receberam animações mais coerentes, sobretudo em situações de poucas jardas. Bloqueadores formam aglomerações mais naturais, o peso dos atletas influencia o avanço e as corridas pelo centro já não encontram espaços tão facilmente. O medidor usado nas tentativas de quarterback sneak também evita que a jogada seja uma escolha automática perto da linha do gol.

Nem todos os problemas desapareceram. Bloqueadores ainda ignoram adversários em algumas jogadas, defensores ocasionalmente abandonam uma zona sem motivo evidente e certas recepções resultam em animações pouco compatíveis com o contato. São falhas pontuais, mas visíveis em partidas equilibradas.

Mais controle antes da jogada

Uma das melhores mudanças está nos ajustes realizados antes do snap. A EA reorganizou comandos que haviam se acumulado ao longo das últimas edições e tornou mais rápido alterar cobertura, posicionamento e proteção ofensiva.

É possível pressionar ou recuar a marcação, proteger o centro ou as laterais, dobrar a cobertura sobre um recebedor e definir prioridades contra passes curtos ou profundos. As opções continuam numerosas, mas agora seguem uma lógica mais clara.

Os Custom Adjustments permitem salvar combinações ofensivas e defensivas para aplicá-las com poucos comandos durante a partida. Quem não pretende estudar todas as formações pode usar configurações prontas, enquanto jogadores experientes conseguem preparar respostas específicas para diferentes adversários.

Essa profundidade não impede uma partida casual. As sugestões de jogadas continuam acessíveis e os sistemas mais técnicos podem ser ignorados. A diferença é que o jogo finalmente oferece ferramentas melhores para quem deseja pensar como treinador, sem exigir uma sequência longa de comandos antes de cada snap.

O Coach Mode leva essa proposta adiante. Nele, o jogador escolhe as jogadas e realiza ajustes, mas deixa a execução com os atletas controlados pela inteligência artificial. É uma alternativa interessante dentro de Dynasty, principalmente para quem prefere montar o elenco e administrar a estratégia em vez de controlar cada ação.

Dynasty se torna o centro do jogo

Dynasty sempre foi a razão para acompanhar a série por meses. Em College Football 27, o modo recebe a maior reformulação do pacote e transforma a administração de uma universidade em uma sequência constante de escolhas.

O Dynasty Blueprint estabelece um orçamento anual representado pelos Dynasty Points. Esses recursos são divididos entre comissão técnica, instalações e NIL, sistema ligado aos acordos de imagem dos atletas. Uma universidade tradicional começa com mais recursos, enquanto um programa pequeno precisa crescer antes de competir nas mesmas condições.

A diferença entre as 138 equipes não se resume às notas dos jogadores. Cada universidade possui expectativas definidas pelo diretor atlético, estrutura, prestígio e prioridades próprias. Uma instituição pode exigir vitórias contra rivais, enquanto outra cobra presença nos playoffs, recrutamento regional ou desenvolvimento do elenco.

O mercado de atletas ganhou peso. Ofertas de bolsa envolvem valores de NIL, jogadores esperam reajustes conforme se destacam e uma distribuição ruim pode provocar transferências. Gastar muito para contratar um novato reduz a verba disponível para manter titulares, melhorar instalações ou contratar profissionais para a comissão.

O recrutamento também permite viradas antes da assinatura definitiva. Um atleta pode anunciar verbalmente sua escolha e mudar de decisão caso outra universidade assuma a liderança da disputa. Isso cria temporadas menos previsíveis e impede que a corrida por um talento termine cedo demais.

O problema é o volume de telas. Dynasty possui tantas variáveis que parte do tempo é consumida por planilhas, menus e confirmações. A lentidão da interface no PS5 agrava a situação. Administrar recursos é interessante; esperar cada seção carregar não faz parte dessa graça.

A EA já publicou uma atualização com ajustes na velocidade de progressão, no recrutamento e no desenvolvimento dos atletas. O suporte inicial indica que o equilíbrio continuará mudando, embora sistemas centrais de um jogo anual devessem chegar mais bem resolvidos.

Road to Glory oferece mais caminhos

Road to Glory acompanha a carreira de um atleta desde o futebol americano escolar até a busca por reconhecimento nacional. A edição adiciona três posições: tight end, edge rusher e free safety. As opções permitem experimentar funções ofensivas e defensivas que estavam ausentes.

A criação do atleta apresenta mais controle sobre atributos, limites de evolução e características físicas. O jogador consegue montar uma promessa pronta para disputar espaço em uma universidade grande ou começar como um prospecto menos valorizado, com uma trajetória mais difícil.

Treinos, desempenho, saúde, estudos, liderança e exposição da marca disputam espaço na agenda semanal. A carreira também acompanha a projeção para o Draft e uma pontuação de legado, oferecendo objetivos que vão além da conquista do título.

A avaliação por jogada está mais justa. Um defensor pode receber reconhecimento por pressionar o quarterback mesmo sem completar o sack, enquanto um tight end é recompensado por executar corretamente um bloqueio. O desempenho individual deixa de ser tão dependente do resultado coletivo.

Apesar das melhorias, Road to Glory continua fragmentado. O início da carreira utiliza momentos selecionados em vez de partidas escolares completas, e a repetição dos treinos se torna evidente após algumas temporadas. A liberdade para criar o atleta avançou mais do que a estrutura usada para contar sua história.

A atmosfera continua incomparável

Nenhum outro jogo de futebol americano reproduz estádios universitários com a mesma personalidade. Entradas das equipes, bandas, mascotes, cantos, rivalidades e setores estudantis impedem que as partidas pareçam versões do mesmo evento com uniformes diferentes.

College Football 27 adiciona um novo pacote de transmissão e condições climáticas dinâmicas. Uma partida pode começar com céu aberto e terminar sob chuva ou neve, alterando a aparência do gramado e exigindo uma abordagem mais cuidadosa com a bola.

Também é possível escolher temas para a torcida, como arquibancadas coordenadas em branco ou nas cores da universidade. As câmeras modulares permitem combinar diferentes enquadramentos para o momento anterior ao snap, corridas, passes e jogadas defensivas.

No PS5, o jogo mantém boa fluidez durante as partidas e apresenta atletas detalhados, uniformes bem reproduzidos e iluminação convincente nos jogos noturnos. As animações das arquibancadas continuam mais simples quando observadas de perto, mas cumprem sua função durante a transmissão.

Os comentários acompanham rivalidades, campanhas e atuações individuais, embora algumas falas se repitam durante sessões longas. A ambientação sonora é mais consistente que a narração e ganha força quando a torcida reage a uma terceira descida, uma virada ou um erro da equipe visitante.

Mascotes divertem, Ultimate Team insiste na monetização

Mascot Mashup é a novidade mais descontraída do jogo. O modo coloca equipes formadas inteiramente por mascotes em partidas de 11 contra 11, com todos os personagens avaliados em 99. Há suporte para jogos offline, online e contra amigos.

A brincadeira não possui a profundidade de Dynasty ou Road to Glory, mas funciona como intervalo entre partidas mais sérias. Os mascotes exagerados, as comemorações e os efeitos sonoros dão personalidade ao modo sem alterar completamente as regras do esporte.

Já College Football Ultimate Team segue o modelo conhecido. O desenvolvimento individual dos cards ficou mais flexível, com pontos de habilidade e caminhos de evolução definidos por arquétipos. Ainda assim, o modo continua estruturado em torno da obtenção constante de itens e de compras internas, inclusive com recompensas aleatórias.

Mais grave foi a tentativa inicial de vender atalhos de progressão para Dynasty e Road to Glory. A EA retirou essas opções após a reação dos jogadores, mas elas jamais deveriam ter sido consideradas para modos individuais de um produto vendido pelo preço completo.

A remoção corrige o problema imediato. Não apaga, porém, a percepção de que a progressão foi planejada levando em conta benefícios oferecidos mediante pagamento dos usuários.

College Football 27 vale a pena?

College Football 27 oferece o melhor futebol americano universitário da atualidade. As partidas estão mais equilibradas, a defesa responde melhor e os novos controles acrescentam profundidade sem bloquear jogadores casuais.

Dynasty é o principal destaque. A administração de recursos, o NIL, as expectativas das universidades e as mudanças no recrutamento dão identidade às campanhas longas. Road to Glory também melhora, sobretudo pela criação mais flexível e pelas novas posições.

O salto em relação à edição anterior não é enorme. Menus lentos, falhas ocasionais da inteligência artificial e decisões ruins de monetização reduzem o impacto do conjunto. A EA aprimorou uma base competente, mas ainda precisa tratar a série como mais do que uma atualização anual.


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