Uma das franquias mais conhecidas da época do PlayStation 2, Burnout não desapareceu porque vendeu mal ou porque deixou de interessar à crítica. Burnout 3: Takedown segue lembrado entre os melhores jogos de corrida já feitos, enquanto Burnout Paradise vendeu o bastante para receber uma remasterização dez anos depois.
A série sumiu porque a Criterion Games foi desmontada em etapas. A EA comprou o estúdio em 2004, deslocou boa parte da equipe para Need for Speed em 2013, viu seus fundadores partirem no ano seguinte e entregou Burnout Paradise Remastered a outra desenvolvedora em 2018.
O processo chegou ao ponto final em 14 de julho de 2026, quando todos os recursos da Criterion foram direcionados à estrutura de Battlefield. O estúdio continua existindo, mas já não mantém uma equipe dedicada a jogos de corrida. Burnout nunca recebeu um anúncio formal de encerramento.
Burnout 3 transformou acidentes em arma
A Criterion surgiu no Reino Unido ligada ao desenvolvimento de tecnologia. Seu principal produto era o RenderWare, motor gráfico usado por diversos estúdios durante a geração do PlayStation 2, inclusive em alguns dos maiores jogos daquele período.
Burnout estreou em 2001, seguido por Burnout 2: Point of Impact em 2002. Os dois foram publicados pela Acclaim e estabeleceram a ideia central da série: corridas em alta velocidade nas quais errar uma ultrapassagem podia provocar um acidente espetacular.
O salto aconteceu com Burnout 3: Takedown. O projeto começou em junho de 2003, depois que a EA procurou a Criterion para uma parceria. O estúdio aceitou sob a condição de manter o controle criativo.

Lançado em setembro de 2004, Burnout 3 deixou de tratar colisões somente como punição. O jogador passou a jogar adversários contra paredes, carros civis e divisórias para executar Takedowns e aumentar sua barra de impulso.
A corrida arcade mudou de vocabulário. Em vez de apenas procurar a trajetória mais limpa, o jogador precisava observar o tráfego e escolher o melhor lugar para destruir quem estava ao lado.
O modo Crash explorava o outro lado da mesma ideia. A meta era causar o acidente mais caro possível, usando cruzamentos, caminhões e filas de trânsito como peças de uma reação em cadeia.
A EA comprou a Criterion antes de Burnout 3 chegar às lojas
Em agosto de 2004, semanas antes do lançamento de Takedown, a Electronic Arts comprou a Criterion da Acclaim.
O valor da operação foi estimado em cerca de £ 40 milhões, considerando o pagamento e as dívidas assumidas. A cifra não foi apresentada publicamente pela EA como preço oficial fechado.

A compra também colocou o RenderWare nas mãos de uma das maiores editoras do mercado. Estúdios concorrentes perderam o interesse em depender de uma tecnologia controlada pela EA, e o motor deixou de ocupar o papel que havia conquistado como middleware comercial.
Em 2006, a Criterion fechou seu escritório satélite em Derby e dispensou a equipe local de programação e suporte.
A franquia continuou. Burnout Revenge chegou em 2005, seguido por Burnout Dominator em 2007. Nenhum deles, porém, repetiu a mudança estrutural provocada por Takedown.
Burnout Paradise trocou pistas fechadas por uma cidade inteira
Burnout Paradise chegou em 2008 e levou a série para um mundo aberto. As corridas começavam em cruzamentos, os eventos eram espalhados pela cidade e o jogador escolhia a rota até a linha de chegada.
Paradise City dividiu parte dos fãs. O mundo aberto criava liberdade, mas também permitia perder uma corrida depois de errar uma entrada nos segundos finais. O jogo não traçava uma sequência rígida de curvas como os capítulos anteriores.

A proposta envelheceu bem, principalmente pela ausência de interrupções. Corridas, desafios, acidentes e exploração conviviam na mesma cidade, sem um menu central separando cada modalidade. Burnout Paradise foi o último jogo principal da franquia.
A Criterion passou então para Need for Speed. O estúdio produziu Hot Pursuit, em 2010, e Most Wanted, em 2012. Os dois foram bem recebidos, mas o movimento também mostrou qual série de corrida a EA pretendia priorizar.
Burnout Crash!, lançado digitalmente em 2011, permanece como o título inédito mais recente da marca. Já são 15 anos sem um jogo novo.
O esvaziamento da Criterion começou em 2013
A virada decisiva aconteceu em 2013. A EA transferiu a maior parte da equipe da Criterion para o Ghost Games UK, estúdio criado para trabalhar em Need for Speed. A Criterion havia chegado a reunir centenas de profissionais. Depois da reorganização, permaneceu com uma equipe muito menor.
A EA nunca anunciou que Burnout estava encerrado. Também não fechou formalmente a Criterion. Apenas retirou do estúdio a estrutura necessária para produzir outro jogo de corrida do mesmo porte.
Os criadores saíram e deixaram o nome com a EA
Alex Ward, vice-presidente e diretor criativo da Criterion, e Fiona Sperry, responsável pelo estúdio, deixaram a empresa em 3 de janeiro de 2014.
Dois meses depois, anunciaram a Three Fields Entertainment. A nova desenvolvedora assumiu publicamente a intenção de trabalhar com ideias ligadas à destruição e às corridas arcade que haviam definido Burnout.
O primeiro projeto foi Dangerous Golf, lançado em 2016. Depois vieram Danger Zone, Danger Zone 2 e Dangerous Driving, além de um novo projeto anunciado na mesma linha.

Danger Zone recuperou a lógica do modo Crash. Dangerous Driving tentou aproximar-se das corridas agressivas de Takedown. Eram sucessores espirituais feitos por parte da equipe original, mas com orçamento e escala bem menores.
A Three Fields podia reutilizar ideias, sistemas e experiência. O nome Burnout continuava pertencendo à EA. Em agosto de 2016, a própria Criterion informou que não trabalhava em um novo jogo da série.
Burnout Paradise voltou sem ser produzido pela equipe original
A EA lançou Burnout Paradise Remastered em março de 2018, com resolução mais alta, desempenho a 60 quadros por segundo e os conteúdos adicionais da edição original.
O relançamento comprovou que ainda havia interesse comercial na franquia. Mesmo assim, a produção principal foi entregue à Stellar Entertainment, estúdio inglês que também trabalhou em outros remasters de jogos de corrida da EA.

A Criterion participou como criadora original e detentora do conhecimento sobre Paradise, mas já não conduzia sozinha a recuperação do próprio jogo.
O remaster manteve Burnout disponível para uma nova geração. Não levou a uma continuação, a um remake de Takedown ou a qualquer anúncio sobre o futuro da marca.
Battlefield ocupou o espaço que restava
A Criterion passou a colaborar com outros projetos da EA, incluindo jogos da série Battlefield. Em 2023, a empresa informou que o estúdio estava concentrado na franquia de tiro, embora ainda houvesse uma ligação anunciada com Need for Speed.
A mudança divulgada em julho de 2026 retirou essa margem. Todos os recursos da Criterion foram direcionados para Battlefield, dentro da estrutura europeia dedicada à série. O estúdio que criou Burnout agora trabalha como equipe de shooter.
Burnout ainda pode voltar?
A EA continua dona da propriedade intelectual. Não existe impedimento jurídico conhecido para produzir um novo Burnout, licenciar a marca ou entregar um remake a outro estúdio.
Os fundadores deixaram a Criterion há mais de uma década. Parte da equipe original seguiu para outros estúdios. A desenvolvedora atual trabalha com Battlefield, e a Three Fields não possui os direitos da franquia.
Um retorno ainda seria possível. Mas dificilmente sairia do mesmo grupo responsável por Takedown, Revenge e Paradise.
Burnout Paradise Remastered também mantém uma porta aberta. Enquanto ele estiver disponível, a EA pode medir interesse, testar promoções e observar o desempenho da marca sem financiar um projeto novo.
Qual foi o último jogo de Burnout?
O último lançamento inédito foi Burnout Crash!, de 2011. O título digital aproveitou a destruição do modo Crash em uma estrutura menor.
Burnout Paradise, de 2008, continua sendo o último capítulo principal. Burnout Paradise Remastered, de 2018, atualizou o mesmo jogo sem acrescentar uma nova campanha à cronologia da série.
Burnout Paradise Remastered é a opção mais acessível nas plataformas modernas, sujeita à disponibilidade atual das lojas digitais.


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