Solano Ribeiro de Faria morreu aos 87 anos na madrugada deste sábado, 31 de outubro, em São Paulo. O crítico e produtor musical foi um dos responsáveis por transformar os festivais de música da televisão brasileira em acontecimentos nacionais, abrindo espaço para artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso.
A morte foi confirmada pela família. Ribeiro estava internado em uma clínica da capital paulista, recebendo cuidados paliativos. Segundo as informações divulgadas, ele enfrentou o câncer três vezes ao longo da vida. A causa imediata da morte não foi detalhada.
O velório está marcado para este sábado (31), das 15h às 17h, no Cemitério Bosque da Paz, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo, conforme noticiado pelo g1.
Quem foi Solano Ribeiro?
Nascido em 1939, Solano iniciou a vida artística no teatro e na música. Estudou arte dramática, integrou o Teatro de Arena e chegou a cantar na banda de rock The Avallons. Nos anos 1960, trocou os palcos pelos bastidores da televisão, onde ajudaria a mudar a maneira como o país descobria novos compositores e intérpretes.
Seu trabalho mais conhecido começou na TV Excelsior, com o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira, em 1965. Foi nessa competição que Elis Regina conquistou projeção ao interpretar Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
Na TV Record, Ribeiro organizou edições que ficaram para a história. Em 1966, A Banda, de Chico Buarque, e Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, dividiram o primeiro lugar. No festival de 1967, Ponteio, de Edu Lobo e Capinam, venceu em uma edição que também teve Domingo no Parque, de Gilberto Gil, e Alegria, Alegria, de Caetano Veloso. A chegada de guitarras elétricas ao palco simbolizou as transformações da música brasileira naquele momento, como registra o acervo do Instituto Gilberto Gil.
O legado do produtor na música brasileira
O trabalho de Solano não ficou restrito à Excelsior e à Record. Ele também participou de festivais na Globo e na Tupi e registrou os bastidores dessa época no livro Prepare Seu Coração: a História dos Grandes Festivais. Sua trajetória é documentada no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
A partir de 2006, passou a apresentar Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, na Rádio Cultura Brasil, mantendo o interesse pela descoberta de novos talentos. Em uma entrevista à emissora, em 2022, resumiu sua visão sobre o ofício: “O produtor não cria nada, ele coloca a pessoa certa diante da plateia certa no lugar certo”.
Ao lamentar sua morte, a Rádio Cultura destacou a dedicação de Ribeiro à música brasileira e seu trabalho para apresentar novos artistas ao público. Ele deixa uma contribuição que atravessou gerações, da era dos festivais televisionados ao rádio dedicado à produção contemporânea.

Comentários
Seja o primeiro a comentar