Tópicos
O som do oceano em Saros começou em um lugar improvável: uma cozinha. Para reproduzir as águas da região de Yellow Shore, a equipe de áudio do exclusivo de PS5 gravou frango fritando, frango marinado e nozes sendo movimentadas em uma tigela. Até o primeiro inimigo mecânico do jogo tem uma origem curiosa: gravações de disquetes antigos.
Os bastidores foram revelados nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, por Loïc Couthier, supervisor sênior de design de som da PlayStation Studios, em um artigo publicado no PlayStation Blog brasileiro. A equipe usou essas fontes reais como matéria-prima, transformando os registros com processamento digital até que se encaixassem no planeta alienígena Carcosa.
O mar de Saros foi feito com sons de frango fritando
A combinação é ainda mais estranha quando se pensa no resultado. Em vez de depender apenas de gravações de ondas, a equipe construiu o oceano de Yellow Shore a partir de materiais que, isoladamente, não lembram uma paisagem extraterrestre: frango sendo frito, frango marinado e nozes movimentadas em um recipiente.
O princípio não era fazer o público perceber a origem culinária. A intenção, segundo Couthier, era misturar elementos reconhecíveis e sons abstratos para criar algo que parecesse, ao mesmo tempo, natural e desconhecido. É o tipo de detalhe que passa despercebido durante a partida, mas ajuda a fazer Carcosa soar como um lugar próprio.
Disquetes antigos deram vida a um drone inimigo
Outro exemplo aparece logo no começo da aventura. O primeiro inimigo encontrado por Arjun Devraj, descrito pela equipe como um drone mecânico hostil, usa parcialmente gravações de disquetes processadas em sua assinatura sonora.
A PlayStation não detalhou quais movimentos ou equipamentos foram gravados. Portanto, não é possível afirmar que o ruído veio especificamente de um leitor acessando dados. O dado confirmado é o reaproveitamento dessas gravações para compor o som da criatura mecânica.
Voz do Yellow King nasceu de um instrumento incomum
O eclipse, elemento central da história, foi uma das primeiras referências criativas para o áudio. Durante sessões em estúdio, os profissionais gravaram um didgeridoo, instrumento de sopro tradicional associado a povos aborígenes australianos. Depois de manipulação digital, parte do material passou a lembrar uma voz extremamente grave e serviu de base às vocalizações do Yellow King.
O repertório foi além. Criaturas cósmicas receberam elementos de canto gutural mongol e do shakuhachi, flauta japonesa. Já os projéteis vermelhos incorporaram sons derivados de gritos humanos processados, enquanto os azuis ganharam texturas elétricas e líquidas. Cada família sonora ajuda a diferenciar ameaças sem depender apenas da cor na tela.

O áudio não foi criado apenas para dar medo
Há uma razão de jogabilidade por trás de tanto trabalho. Saros coloca centenas de projéteis na tela em confrontos de ritmo acelerado. Para que os sinais importantes não se percam, a equipe criou prioridades de áudio que consideram a distância, a visibilidade, o perigo e o estado de combate dos inimigos.
Com o Áudio 3D Tempest, ataques vindos de cima, de trás ou até de fora do campo de visão podem ser localizados pelo ouvido. O controle DualSense também oferece uma pista discreta: em armas com munição, a frequência da resposta tátil muda conforme os disparos disponíveis diminuem.
A tecnologia PS Acoustics utiliza ray tracing para calcular reflexos, reverberação e obstáculos acústicos em tempo real. Não se trata de ray tracing gráfico, mas de uma simulação de como vozes e efeitos se propagam em cada ambiente. A mixagem final do jogo passou pelo Abbey Road Studios, em Londres, com suporte a Dolby Atmos.
Saros já está disponível no PS5
Desenvolvido pela Housemarque, estúdio de Returnal, Saros foi lançado em 30 de abril de 2026 exclusivamente para PS5. O jogo acompanha Arjun Devraj em uma missão no planeta Carcosa e aposta em combate em terceira pessoa, ficção científica sombria e progressão permanente.
Além da campanha original, o jogo recebeu em 19 de outubro a atualização gratuita Zenith, com Novo Jogo+, maratona de chefes e novas opções de acessibilidade. O Overdrive detalhou os modos e as novidades de Zenith, enquanto a Sony confirmou a disponibilidade da atualização.
O resultado desse processo de criação mostra como o som pode moldar a personalidade de um jogo: mesmo quando a origem está em uma frigideira ou em um disquete, o que chega aos fones do jogador é um planeta ameaçador, construído para ser ouvido tanto quanto explorado.
Leia também: os jogos que marcaram cada geração do PlayStation e a análise do desempenho comercial de Saros no PS5.




Comentários