O que você vai encontrar
Fundada em 2019 por ex-desenvolvedores da Motion Twin, a Evil Empire nasceu com a missão de expandir o universo de Dead Cells. O estúdio ganhou reconhecimento justamente por entender como poucas equipes a lógica do combate em 2D com estrutura roguelite, algo que ficou claro nas DLCs The Queen and the Sea e Return to Castlevania.
Agora, em parceria com a Ubisoft, a equipe tenta aplicar essa bagagem a uma franquia clássica. The Rogue Prince of Persia foi lançado em 20 de agosto de 2025 para Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC, com uma versão de Nintendo Switch prevista para chegar depois.
A análise foi realizada na versão de PC, com imagens capturadas durante a própria gameplay.
O enredo
A história se passa em meio a uma guerra entre o reino persa e os hunos. Após falhar em batalha, o príncipe precisa salvar seu povo e sua família enquanto enfrenta conflitos morais e pessoais ao longo da jornada.
Como manda a tradição de Prince of Persia, o tempo volta a ocupar papel importante na aventura. Aqui, no entanto, a ideia aparece dentro de um loop temporal, usado para fazer o protagonista revisitar eventos, reunir pistas e tentar descobrir uma forma de encerrar o conflito.
Não é uma narrativa particularmente complexa, mas funciona bem como base para a progressão. O jogo entende que seu maior trunfo não está na história em si, e sim no ritmo da ação e na forma como o jogador é empurrado de volta para novas tentativas.

Gameplay
The Rogue Prince of Persia é um roguelite, gênero normalmente associado a experiências mais exigentes e punitivas, como Hades e Dead Cells. Aqui, porém, a dificuldade parece mirar um público um pouco mais amplo.
Isso não significa que o jogo seja banal. Nas primeiras horas, ele cobra atenção, boa leitura do cenário e entendimento dos sistemas. A diferença é que sua curva de desafio não cresce com a mesma intensidade de outros nomes do gênero. Para jogadores mais casuais, isso pode ser um acerto importante. Para veteranos, existe a chance de a experiência perder parte do impacto mais cedo do que deveria.
Combate variado ajuda a sustentar as tentativas
O jogo oferece um bom repertório de armas, com estilos bem diferentes entre si. Há opções mais pesadas, focadas em impacto bruto, e outras mais ágeis, voltadas a velocidade e mobilidade. Isso ajuda a manter as runs mais interessantes e abre espaço para abordagens distintas.
Os medalhões também reforçam essa variedade. Eles funcionam como peças centrais da build e incentivam experimentações constantes. Somado ao fator RNG, isso cria combinações que muitas vezes fogem do óbvio e tornam cada tentativa mais imprevisível.
Esse é um dos grandes méritos do jogo: mesmo quando a estrutura parece familiar, existe uma sensação agradável de novidade nas composições possíveis.
Parkour é um dos pontos altos da experiência
A movimentação é, sem exagero, um dos aspectos mais fortes de The Rogue Prince of Persia. O jogo resgata elementos clássicos de parkour da franquia e consegue encaixá-los de forma muito natural dentro da estrutura roguelite.
Correr pelas paredes, atravessar cenários com velocidade e encadear movimentos durante o combate faz parte do prazer da experiência. Há fluidez, resposta rápida e uma sensação constante de leveza que combina muito bem com a identidade do título.
Além disso, os cenários são bonitos, vivos e variados, com boa direção de arte e trilha sonora bastante competente. O resultado é um jogo que consegue ser agradável não apenas de jogar, mas também de percorrer.
Chefes funcionam, mas perdem força com o tempo
Os chefões cumprem bem seu papel nas primeiras horas. Eles têm presença, bom visual e ajudam a marcar a progressão. O problema é que não demoram muito para revelar limites mais claros.
Embora os confrontos sejam divertidos de início, falta uma curva de dificuldade mais marcante e também um pouco mais de criatividade em algumas lutas. Com o tempo, os padrões ficam fáceis de decorar, e o desafio perde intensidade.
Isso pesa especialmente em sessões mais longas, quando a repetição começa a se tornar mais evidente e a sensação de novidade já não é a mesma.
Progressão e combate
A progressão da história acontece por meio do avanço em missões ligadas aos membros da família do príncipe e a aldeões encontrados nas diferentes áreas do mapa. É assim que a narrativa se desenvolve e que o jogador reúne pistas sobre a corrupção mágica trazida pelos hunos.
O protagonista precisa procurar familiares desaparecidos, interrogar sobreviventes e encontrar documentos espalhados pelos cenários. Tudo isso alimenta um grande mapa mental, menu que organiza as pistas e ajuda a estruturar a investigação.
É uma ideia interessante, porque dá à progressão um formato um pouco mais envolvente do que simplesmente avançar por biomas e derrotar chefes.

Builds ajudam a manter o loop interessante
No combate, a lógica gira em torno de três pilares: arma primária, arma secundária e medalhões. A principal concentra o grosso do dano. A secundária complementa combos ou cobre situações específicas. Já os medalhões servem para refinar a build e ampliar o leque de possibilidades.
Esse sistema funciona bem porque o jogo oferece oportunidades variadas ao longo do mapa. Em uma mesma run, o jogador pode encontrar aumento de vida, melhoria de arma, ferreiros, slots extras de medalhão e equipamentos de raridade superior.
Essa variedade sustenta a sensação de progressão e dá liberdade para adaptar a estratégia ao estilo de jogo de cada um. É possível investir em impacto pesado, mobilidade, efeitos alternativos ou combinações menos previsíveis. E quase sempre a movimentação ajuda a amarrar tudo isso de forma prazerosa.
Vale a pena jogar The Rogue Prince of Persia?
The Rogue Prince of Persia é um jogo que entende bem o próprio apelo. Ele não tenta ser o roguelite mais brutal do mercado, nem o mais complexo. Seu foco está em entregar uma experiência ágil, estilosa e acessível, sem abrir mão de boa movimentação, combate satisfatório e identidade própria.
Isso o torna bastante convidativo para quem gosta do gênero, mas não necessariamente busca uma experiência tão punitiva. Por outro lado, a falta de um crescimento mais forte no desafio e a previsibilidade crescente de algumas estruturas impedem que ele mantenha o mesmo brilho por muitas e muitas horas.


