Assassin’s Creed Shadows é o melhor jogo da saga em muitos anos

Assassin’s Creed Shadows é o melhor jogo da saga em muitos anos

Mesmo com começo arrastado e estrutura repetitiva, novo capítulo da Ubisoft acerta ao combinar furtividade, combate forte e dois protagonistas com estilos realmente distintos

Por Gregory Felipe março 18, 2025 Jogado em PlayStation 5

Assassin’s Creed Shadows demora a engrenar, mas acerta na dupla de protagonistas, recupera o peso da furtividade e entrega uma das melhores fases RPG da franquia.

Prós

  • Naoe e Yasuke mudam bastante a forma de jogar
  • Furtividade voltou a ter relevância
  • Japão feudal é belíssimo e bem ambientado
  • Combate melhora muito com a progressão

Contras

  • Início lento e pouco empolgante
  • Estrutura ainda sofre com repetição
  • Cutscenes têm expressões faciais fracas
  • Trilha sonora pouco marcante

O que você vai encontrar

Ver resumo
  • Seguindo a estrutura da trilogia mais voltada ao RPG, Shadows não entrega exatamente o tipo de experiência que parte dos fãs imaginava há anos.
  • Ainda assim, leva a saga a um período histórico que já deveria ter sido explorado muito antes.
  • E, no meu caso, isso veio acompanhado de uma surpresa importante.
  • O início de Assassin’s Creed Shadows está entre os pontos mais fracos do jogo.

Assassin’s Creed Shadows é um dos lançamentos mais aguardados da história da franquia. Mesmo com a série dividindo opiniões há bastante tempo, existe um consenso fácil de entender: um Assassin’s Creed ambientado no Japão era um pedido antigo demais para continuar sendo adiado. Agora, enfim, esse cenário virou realidade.

Seguindo a estrutura da trilogia mais voltada ao RPG, Shadows não entrega exatamente o tipo de experiência que parte dos fãs imaginava há anos. Ainda assim, leva a saga a um período histórico que já deveria ter sido explorado muito antes. E, no meu caso, isso veio acompanhado de uma surpresa importante.

Nunca fui grande fã da fase RPG da franquia. Prefiro a pegada mais antiga de Assassin’s Creed. Origins, Odyssey e Valhalla não conseguiram me prender de verdade. Mesmo assim, comecei Shadows com a esperança de que o jogo finalmente funcionasse comigo. E funcionou. Depois de um início arrastado e preocupante, a aventura ganhou corpo, me prendeu e terminou de forma bastante satisfatória.

Começo lento segura o impacto inicial

O início de Assassin’s Creed Shadows está entre os pontos mais fracos do jogo. Não demora tanto para o jogador entrar em combate, mas o ritmo geral da experiência é desacelerado demais nas primeiras horas. Isso vale para a campanha, para a progressão e até para a forma como o jogo apresenta suas possibilidades.

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Sem entrar em spoilers, basta dizer que Yasuke demora para entrar de vez em cena, e o jogo cresce muito justamente quando isso acontece. Até lá, o começo com Naoe pode afastar jogadores menos pacientes. Há missões pouco interessantes, diálogos fracos e uma sensação de que a jornada ainda não encontrou o próprio pulso.

Também pesa o fato de que o combate melhora com o tempo. Conforme novas habilidades são desbloqueadas, a experiência fica mais interessante, especialmente com Naoe, que nas primeiras horas ainda parece limitada demais.

Quando Yasuke finalmente passa a integrar a aventura de forma mais sólida, Shadows se transforma. As possibilidades se expandem, as abordagens ficam mais variadas e a estrutura geral começa a funcionar melhor. O jogo passa a oferecer mais opções de missão, mais caminhos e uma noção mais clara do que quer fazer com seus dois protagonistas.

Yasuke e Naoe realmente mudam a forma de jogar

Um dos maiores acertos de Assassin’s Creed Shadows está na diferença real entre seus protagonistas. Naoe e Yasuke não são apenas personagens distintos no roteiro. Eles também mudam profundamente a forma como o jogo é experimentado.

Naoe é rápida, ágil, precisa e claramente pensada para a furtividade. Yasuke, por outro lado, é pesado, brutal e muito mais voltado para confrontos diretos. A diferença aparece até na movimentação. Enquanto Naoe se desloca com liberdade, escala com facilidade e usa o parkour de forma mais natural, Yasuke é mais travado, mas compensa isso com força bruta e presença em combate.

Há inclusive limitações e vantagens específicas de cada um. Naoe alcança lugares que Yasuke não consegue acessar, enquanto o samurai pode simplesmente derrubar portas e atravessar obstáculos na força.

Naoe brilha no stealth, mas exige cuidado

No combate direto, Naoe é eficiente, mas claramente mais frágil. Poucos golpes bastam para colocá-la em situações perigosas, o que faz com que a abordagem furtiva seja quase sempre a opção mais confortável. Isso pode frustrar um pouco em certos momentos, porque há situações em que o dano recebido parece excessivo.

Ainda assim, não é impossível lutar corpo a corpo com ela. Tudo depende de entender melhor sua proposta e escolher o equipamento certo. Na minha experiência, a Kusarigama fez bastante diferença. Com o alcance maior da arma e a possibilidade de manter distância dos inimigos, ficou mais fácil sobreviver em confrontos abertos usando esquivas e ataques carregados.

Naoe exige mais precisão, mais cuidado e mais leitura de combate. Quando o jogador entende isso, ela passa a funcionar melhor.

Yasuke é uma máquina de guerra

Com Yasuke, tudo muda. O personagem é quase um tanque. Resiste muito mais a dano, aguenta pressão com bem mais tranquilidade e transforma boa parte dos confrontos em demonstrações de força. Dependendo do nível e do equipamento, chega um ponto em que enfrentar grupos menores se torna algo quase automático.

Ele é ideal para quem prefere confronto aberto, impacto e menos delicadeza na abordagem. Além disso, Yasuke pode usar arcos e teppos, o que amplia bastante suas possibilidades ofensivas. Combinar uma katana longa com arma de fogo, por exemplo, é algo muito divertido e útil, porque permite alternar agressão direta com ataques à distância de forma bastante fluida.

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Essa diferença entre os dois personagens ajuda muito a sustentar o interesse ao longo da campanha.

Furtividade finalmente volta a ter brilho

Embora a trilogia RPG tenha afastado bastante a franquia da furtividade mais tradicional, Shadows recupera esse elemento com mais força. E faz isso com algumas novidades realmente bem-vindas.

Agora, o jogador pode se deitar no chão e rastejar, o que aumenta muito as possibilidades de infiltração. Esconder-se na vegetação de forma mais eficiente muda a dinâmica do stealth e deixa várias abordagens mais interessantes. Também existe a possibilidade de usar a escuridão a seu favor, o que reforça a fantasia de jogar nas sombras com Naoe.

Em alguns momentos, há um leve exagero e os inimigos parecem permissivos demais. Ainda assim, no geral, essas adições funcionam. O jogo finalmente volta a dar à furtividade um papel mais relevante, algo que combina muito bem com a proposta de Assassin’s Creed e com a ambientação escolhida.

Naoe é quem melhor aproveita tudo isso, e é justamente aí que Shadows encontra alguns de seus melhores momentos.

A estrutura diverte, mas continua repetitiva

Como costuma acontecer em muitos jogos da Ubisoft, Assassin’s Creed Shadows também sofre com uma estrutura repetitiva. Você invade muitas bases, repete tipos parecidos de objetivo e segue um padrão relativamente constante para avançar na campanha.

A lógica das missões gira em torno de escolher um objetivo, verificar pistas sobre sua localização e usar batedores para encontrar exatamente o lugar onde você precisa ir. É um sistema funcional, mas repetido com frequência demais.

Também há repetição nos tipos de atividade. Invadir castelos, limpar áreas cheias de inimigos e cumprir objetivos em estruturas parecidas pode cansar. A diferença é que o jogo consegue aliviar esse desgaste com alguns elementos importantes.

A progressão ajuda a sustentar o interesse

Você precisa evoluir para continuar avançando com mais conforto, e isso empurra o jogador para outras questlines, atividades secundárias e sistemas complementares. Histórias de Naoe, Yasuke, aliados e pessoas de diferentes regiões acabam se conectando ao crescimento do personagem e à melhora da gameplay.

Mesmo quando a estrutura se repete, a variedade entre os protagonistas e a sensação de progresso ajudam a manter a jornada interessante por bastante tempo. O combate fica melhor, novas habilidades são desbloqueadas e atividades paralelas passam a ter função prática para a campanha.

Os templos, por exemplo, rendem Pontos de Conhecimento, que ajudam diretamente na evolução dos personagens. Isso cria uma sensação mais clara de que tudo tem algum valor no loop de progressão, e não apenas no preenchimento do mapa.

O Japão feudal é belíssimo, mas alguns problemas técnicos incomodam

Visualmente, Assassin’s Creed Shadows é um jogo muito bonito. A ambientação é excelente, os cenários têm presença e o Japão feudal ganha vida com bastante força. A Ubisoft continua muito boa em criar mundos que chamam atenção pelo detalhamento e pela atmosfera.

O problema aparece nas cutscenes. As expressões faciais decepcionam bastante. Em vários momentos, os personagens parecem robóticos demais, com olhares exagerados e movimentos pouco naturais. Isso cria um contraste incômodo com a qualidade do mundo ao redor.

Também senti que algumas cenas importantes perderam impacto justamente por causa dessas limitações. As animações não ajudam e, em vez de reforçar o peso dramático, acabam chamando atenção pelo lado técnico negativo.

Outro ponto que me incomodou foi a trilha sonora. Para uma franquia conhecida por músicas tão marcantes, Shadows deixa a desejar. Não só faltam temas realmente memoráveis, como algumas escolhas parecem não combinar com o momento da cena, diminuindo a força de certos acontecimentos.

Vale a pena jogar Assassin’s Creed Shadows?

Sim. Mesmo com problemas visíveis, Assassin’s Creed Shadows consegue se manter interessante por muitas horas. A variedade de gameplay entre Naoe e Yasuke é real, a furtividade voltou a ter relevância e o combate funciona muito bem quando o jogo finalmente engrena.

A estrutura repetitiva continua ali, e isso mostra que a Ubisoft ainda não abandonou certos vícios de design. Só que, desta vez, existe conteúdo forte o bastante para sustentar a jornada sem que ela desmorone no meio do caminho. O jogo cansa em alguns momentos, mas não perde facilmente a capacidade de manter o jogador envolvido.

Com os acertos no stealth, a boa diferença entre protagonistas e um combate que cresce bastante com a progressão, Assassin’s Creed Shadows acaba entregando uma experiência muito melhor do que eu esperava.

Veredito

Nota 88

Assassin’s Creed Shadows não elimina todos os vícios modernos da Ubisoft, mas encontra força em pontos que a franquia precisava recuperar. A ambientação no Japão feudal é belíssima, a diferença entre Naoe e Yasuke muda de verdade a forma de jogar, e a furtividade volta a ter um papel muito mais relevante dentro da experiência.

O início lento, a repetição de atividades, as expressões faciais fracas e uma trilha sonora pouco memorável impedem o jogo de chegar mais alto. Ainda assim, quando a campanha engrena, Shadows entrega uma aventura envolvente, com bom combate, progressão satisfatória e uma das propostas mais interessantes da fase RPG de Assassin’s Creed.

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