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Review: Another Crab’s Treasure traz respiro inovador ao soulslike

É surpreendente que um respiro inovador para um gênero tão consolidado e que apaixona tantas pessoas como o Soulslike, venha de um game...

Por Deco Campos há 2 anos
Nota
N/A

Vale a pena?

É surpreendente que um respiro inovador para um gênero tão consolidado e que apaixona tantas pessoas como o Soulslike, venha de um game...

É surpreendente que um respiro inovador para um gênero tão consolidado e que apaixona tantas pessoas como o Soulslike, venha de um game independente, que causou estranheza na comunidade quando foi anunciado em 2022.

Muitas desenvolvedoras tentaram explorar os vazios deixados pelos ótimos games da FromSoftware, porém, nem sempre acertaram. A Aggro Crab, estúdio independente estadunidense, fez um ótimo trabalho ao projetar uma história \”um pouco maluca\” sobre Kril, um caranguejo que parte em uma jornada submarina em busca de sua casa, tomada por um tubarão agiota a mando da duquesa que manda em todo o oceano.

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Assim que você assume o comando do carismático protagonista e a história avança, um emaranhado de confusão vai se aglutinando em uma aventura com enredos que utilizam humor ácido e crítica social. O estilo, não se engane, é totalmente inspirado em Sekiro, um acerto fenomenal ao decidir instituir a mecânica de shell (escudo) – o que dá até pra imaginar que este é um \”Shellkiro\”.

A minha experiência com o jogo teve de tudo um pouco: diversão, encantamento, risadas (em algumas partes, cheguei a gargalhar) e, claro, frustração, como é comum para qualquer jogador que se aventura em um soulslike, embora a curva de dificuldade do jogo não seja lá tão alta como em títulos famosos.

Foram cerca de 20h de jogatina, sem que notasse que estava sofrendo um pouco para um jogo que mais parece um desenho do Bob Esponja. Depois, revivi a maioria da jornada em modo guiado, uma experiência que a desenvolvedora criou para jogadores que queiram diminuir a dificuldade do game.

Antoher Crab\’s Treasure ou “Shellkiro”

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É no combate que o jogo diz a que veio. Basicamente, Kril utiliza um garfo para atacar e a concha para se defender. As mecânicas de Sekiro estão todas lá: você tem uma linha de anzol para escalar e chegar em áreas elevadas, há habilidade de ataques mais fortes combinadas com pulo e a ordem é bater em inimigos mais resistentes até que a barra de postura deles esteja cheia e brilhando, para fazê-los cair e se aproveitar do momento.

O sistema de concha é uma agradável, surpreendente e divertida inovação. Você utiliza sua concha para se defender dos inimigos: em um primeiro momento, usando-a como esconderijo para apenas não ser atingindo; depois, ao liberar uma habilidade específica, poder aparar os golpes, o que é uma mecânica chave do combate do game.

E o que mais há espalhado no cenário são conchas de todos os tipos para você escolher. Kril usa qualquer tralha onde conseguir se enfiar: latas de refrigerante, embalagens de probiótico (conhecidos como Yakult), latas de alumínio, bolinhas de tênis, dedais, copos de doses, dentre outras coisas. Há cerca de 60 delas no jogo e creio que seja impossível achar todas em uma jogada.

Cada uma delas traz um “poder” diferente – é a tal da Conchabilidade, explicada no jogo: você pode utilizar efeitos de despressurização para bolhas atingirem inimigos com uma lata de refrigerante, ter ataques mais rápidos quando usa uma xícara de café e por aí adiante.

Cada concha tem um peso e deve ser combinada com o estilo do jogador: durante minha jornada, sempre preferi as tralhas mais leves, porque gosto mais de ataques e esquivas rápidas, e isso é influenciado diretamente pelo que você está usando.

Ah – e as conchas podem ajudar a se mover mais rápido, ao rolar pelo cenário quando há descidas, o que é ótimo quando você está fugindo de inimigos (e você vai precisar disso em uma área específica).

Os designs de áreas também são muito bem trabalhados no jogo. Eles colocam algumas dificuldades adicionais ao combate, com “barreiras” naturais dentro do cenário que podem agregar mais dificuldade ao combate, sendo fatal para Kril ficar preso em uma parede que não está visível ou apenas uma protuberância no chão.

O sistema de progressão também é muito bom, dando uma sensação real de evolução das habilidades, dos atributos de força e sobrevivência e duração da concha.

Exploração

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O game não é um jogo de mundo aberto, mas há bastantes áreas a serem exploradas, embora estas não sejam tão grandes. O que garante a variedade de locais a serem visitados é a verticalidade que o jogo possui: você pode escalar ou usar o anzol para chegar a novos locais, antes inalcançáveis.

É por meio disso que você consegue progredir seu personagem: ao explorar, pode encontrar itens valiosos que são vendidos por microplásticos (o dinheiro do game que podem ser gastos em pontos de atributos); quebrar cristais roxos, os Umamis, para desbloquear habilidades; e procurar tesouros inoxidáveis, que vão evoluir suas armas no ferreiro.

O problema relacionado à exploração é a orientação dentro do jogo. Muito embora você passe a se guiar com uma noção básica utilizando a bússula de que, geralmente, os objetivos estão ao norte, o Mapa do game poderia ser mais interativo e permitir uma abordagem mais direta dos locais que você precisa ir.

Isso fica evidente em uma parte específica da narrativa quando você precisa achar itens importantes e se perde: pode ser uma tentativa de fomentar a exploração, mas como é uma área perto do final do game, fica um pouco maçante e também desnecessária.

Dificuldade

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Em qualquer jogo do gênero Soulslike, o nível de dificuldade é um quesito que deve ser analisado a parte. Neste jogo, porém, a curva de sofrimento não é tão acentuada como em outros títulos do gênero.

É, no entanto, desafiador. Não foram poucas as vezes que morri – deixei de contar lá pela 50ª vez, que foi no primeiro ato do jogo. Mas, a partir do momento que você aprende o movimento dos inimigos comuns e passa a dançar com os chefões (assimilando seus ataques para poder contra-atacar) a coisa flui de forma sensacional.

O segredo do combate para diminuir a dificuldade é conseguir aparar no momento certo para deixar os inimigos indefesos e investir em ataques – por isso, aqui, um bom equilíbrio ao gastar pontos de atributos em vitalidade e ataque seja recomendável.

O game também tem um modo guiado para aquelas pessoas que não querem experimentar toda a dificuldade. Fiz uma segunda “run” nele e não achei que há um salto em relação ao nível – o que ele permite, no entanto, é deixar seu personagem com mais probabilidade de sobrevivência em confrontos difíceis.

No mais, há habilidades a serem desbloqueadas no modo normal e que podem deixar você menos vulnerável. E tudo o que você precisa está espalhado pelo oceano em forma de entulho e lixo: nas batalhas contra chefes, por exemplo, há diversas conchas que podem ser encontradas caso a sua quebre.

Another Crab\’s Treasure tem FPS instável

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Um dos problemas do jogo está na performance. Joguei o game em meu Xbox Series S e o game roda a 1080p com 60 FPS e de maneira instável (caindo para 55fps em áreas mais abertas) – o que não atrapalha o jogo, nem em combate ou exploração.

O game chega a travar bastante apenas em áreas de transição (de ambientes fechados para abertos). O que não é um problema também, pois não afeta a jogabilidade. 

Há bugs eventuais e dois deles me fizeram fechar o game e retornar: na primeira vez, ainda no primeiro ato do game, tive problemas com travamento, queda absurda de FPS e até mesmo o som solapava. Reiniciei e o problema foi resolvido.

Na segunda vez, foi contra um chefe de fase – ele me agarrou e começou a girar freneticamente e, antes que pensasse que estávamos em uma dança em looping, desconfiei de que fosse novamente um bug – refiz a operação e deu certo.

Como joguei pela segunda vez o game (no modo guiado), não passei pelos mesmos problemas e os considero eventuais.

A câmera também é um dos problemas do jogo. Não foram poucas as vezes que que o sistema de focar no inimigo me deixou na mão a me levar para dentro de paredes em ambientes fechados enquanto batalhava pela minha vida.

Som e trilha sonora

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O som e trilha sonora dão show a parte neste game.
Como se trata de um soulslike que, comumente, lida com as frustrações do jogador, o som do jogo é um fator elogiável, uma vez que parece sempre que estamos em um ambiente calmo, remetendo a fluidez e a sensação relaxante que a água possui.

Além disso, a trilha sonora lembra as canções da primeira animação de \”A Pequena Sereia\”, da Disney, e de seu fiel escudeiro, o Caranguejo Sebastião. Som e trilha passam uma vibe bem positiva, o que não é comum em jogos desse gênero – mas aprovei e aproveitei bastante!

Narrativa e história

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A história é muito bem desenvolvida: possui enredos que se entrelaçam e que avançam à medida que Kril busca sua nova casa.
O game conta com toda uma atmosfera humorada e personagens muito carismáticos.

O humor do jogo é inteligente, faz piadas elegantes a respeito do consumismo desenfreado e a produção exacerbada de lixo, que cai no fundo do mar e da qual a comunidade oceânica faz proveito para construir uma comunidade dela e, dali em diante, evoluir a partir dos dejetos.

Fala de outros temas como exploração de trabalhadores, luta entre classes e uma série de outras questões que, talvez, grandes estúdios não teriam liberdade ou coragem para abordar.

Gráficos

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Os gráficos são outro fator de inovação para o game. Não são espetaculares, mas encaixam bem na proposta do game. É outro fator de inovação para o gênero também, que como o som e trilha dão aspectos positivos para a jornada.

O game é colorido, o design dos personagens é fascinante, os chefes muito bem imaginados e a ambientação é muito bem elaborada, com todo tipo de lixo espalhado pelos diversos cenários.

    Veredito

    Prós

    • Design de arte do jogo é inovador
    • Gameplay divertida com mecânicas que exploram a concha
    • Som e trilha sonora dão um show

    Contras

    • Exploração e câmera problemática
    • Desempenho instável

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