Ela virou meme nas Olimpíadas e sumiu; dois anos depois, Raygun conta o que aconteceu

Rachael Gunn deixou as competições de elite, saiu da universidade e voltou a dançar em eventos menores; novo documentário da Netflix revisita o fenômeno de Paris 2024

Raygun, a australiana Rachael Gunn, durante apresentação de breaking nas Olimpíadas de Paris 2024
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Por alguns minutos nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, parecia impossível escapar de Raygun. A australiana Rachael Gunn entrou na estreia olímpica do breaking, perdeu suas três batalhas e, com movimentos que lembravam um canguru e um “sprinkler”, virou um dos maiores memes daquela edição dos Jogos. Depois, praticamente desapareceu do circuito competitivo.

Então, o que aconteceu com Raygun depois das Olimpíadas? Hoje, Gunn não disputa mais as grandes batalhas individuais que marcaram sua carreira, deixou a universidade onde trabalhava em Sydney e passou a atuar principalmente como palestrante, educadora e performer. Ela, porém, não abandonou o breaking: voltou a participar de pequenas “jams” locais e a dividir o palco com b-girls mais novas.

A história voltou aos holofotes porque a Netflix estreou em 1º de setembro de 2026 Untold – Raygun: A Polêmica do Breaking, documentário que reconstrói a classificação para Paris, a apresentação que viralizou e o impacto que a fama repentina teve sobre sua vida. A produção também entrou no calendário de lançamentos dos streamings em setembro de 2026.

Ela virou meme nas Olimpíadas e sumiu; dois anos depois, Raygun conta o que aconteceu
Raygun em Untold – Raygun: A Polêmica do Breaking — Foto: Netflix/Divulgação

Onde está Raygun hoje?

Dois anos depois de Paris, Rachael Gunn vive uma rotina bem diferente daquela que tinha antes das Olimpíadas. A australiana permaneceu ligada à Macquarie University após os Jogos, mas deixou o cargo em fevereiro de 2026 ao aceitar uma saída voluntária durante uma rodada de cortes na Faculdade de Artes.

O ponto é importante porque a saída da universidade não foi apresentada como uma demissão causada por sua performance olímpica. Gunn já era pesquisadora e professora na instituição havia anos, com trabalhos ligados a cultura, dança e breaking, e saiu em meio a uma reestruturação mais ampla.

Desde então, ela direcionou a carreira para palestras, workshops e aparições públicas. Em seu site oficial, Raygun se apresenta como speaker, educadora e performer.

Raygun hojeSituação
Nome realRachael Gunn
Breaking profissionalFora das grandes competições individuais de elite
Ainda dança?Sim, em jams e eventos menores da comunidade
UniversidadeDeixou a Macquarie University em fevereiro de 2026
Trabalho atualPalestras, educação, workshops e performances
DocumentárioUntold – Raygun: A Polêmica do Breaking, na Netflix

Raygun se aposentou do breaking?

Sim e não. Em novembro de 2024, poucos meses depois das Olimpíadas, Gunn disse que não pretendia continuar no circuito competitivo de elite. A exposição havia transformado qualquer nova batalha em um evento que poderia ser filmado, recortado e novamente transformado em meme.

Isso não significa que ela deixou de dançar. Em 2026, Raygun contou que voltou a participar de pequenas jams locais, inclusive ao lado de b-girls em início de carreira. A própria biografia oficial da australiana rejeita a ideia de uma aposentadoria completa: para ela, o breaking é uma cultura da qual ainda faz parte.

Na prática, Raygun se afastou da competição de alto nível, mas não do breaking.

Por que Raygun virou meme nas Olimpíadas?

Raygun chegou a Paris depois de vencer o Oceania Breaking Championships de 2023, torneio que dava uma vaga direta aos Jogos. Na França, porém, encontrou adversárias com um repertório técnico e atlético muito diferente do seu estilo.

Ela perdeu as três batalhas da fase de grupos. No sistema de votação dos juízes, o placar agregado terminou em 54 a 0: nenhum dos nove juízes votou nela em qualquer uma das três disputas.

O resultado, sozinho, já chamaria atenção. Mas foram os movimentos incomuns — especialmente os saltos associados a um canguru, além de gestos que lembravam um aspersor — que explodiram nas redes sociais. Em poucas horas, vídeos, montagens e imitações circularam no mundo inteiro.

Rachael Gunn, a Raygun, em cena do documentário da Netflix sobre sua participação nas Olimpíadas
Rachael Gunn revisita a repercussão de Paris 2024 no novo documentário da Netflix — Foto: Netflix/Divulgação

Ela realmente manipulou a classificação para as Olimpíadas?

Não há evidência de que Raygun tenha manipulado a própria classificação. Depois que a apresentação viralizou, surgiram teorias afirmando que Gunn teria se beneficiado de relações pessoais para conseguir a vaga e que seu marido teria participado do processo.

O Comitê Olímpico Australiano respondeu oficialmente às acusações. Segundo a entidade, a classificatória da Oceania foi realizada dentro do sistema aprovado para Paris 2024, com nove juízes internacionais independentes. Gunn venceu o torneio e foi indicada de forma legítima. Seu marido, Samuel Free, não fazia parte do painel de arbitragem.

A polêmica acabou indo muito além da dança. Uma petição online reuniu dezenas de milhares de assinaturas com acusações que o Comitê Olímpico Australiano classificou como falsas e enganosas.

O que aconteceu com Raygun emocionalmente depois de Paris?

O documentário mostra que a repercussão teve um impacto muito maior do que as piadas sugeriam. Antes mesmo de competir, Gunn já estava em terapia e temia ser ridicularizada em escala mundial. Depois da apresentação, esse medo praticamente se concretizou.

A australiana descreve o período seguinte como uma fase em que sentia sua vida desmoronar. O problema deixou de ser apenas o resultado esportivo: seu nome passou a aparecer em memes, discussões sobre a legitimidade do breaking olímpico, teorias conspiratórias e ataques pessoais.

Segundo entrevistas concedidas durante a divulgação do filme, sua saúde mental está mais estável em 2026. O retorno a eventos menores de dança também ajudou a reconstruir uma relação com o breaking sem a pressão que existia no circuito de elite.

Até um musical sobre Raygun virou polêmica

A fama ganhou um capítulo ainda mais estranho no fim de 2024. Uma comediante australiana preparou um espetáculo inspirado na história da atleta, inicialmente chamado de Raygun: The Musical. A equipe jurídica de Gunn interveio antes da estreia, e o projeto acabou sendo alterado.

O episódio virou mais um exemplo de como Raygun deixou de controlar o próprio nome depois das Olimpíadas. O que havia começado como uma apresentação de breaking de poucos minutos passou a alimentar memes, programas de TV, debates esportivos e até produções de entretenimento.

O que o documentário da Netflix revela?

Untold – Raygun: A Polêmica do Breaking tenta responder justamente à pergunta que ficou depois de Paris: como uma professora universitária australiana se tornou uma das pessoas mais comentadas das Olimpíadas?

O filme acompanha a entrada de Gunn no breaking, sua relação com Samuel Free, a classificação para os Jogos, os dias em Paris e a avalanche de memes e acusações que surgiu depois. A Associated Press destacou nesta quarta-feira (2) que a produção mostra uma Raygun tentando deixar de ser tratada apenas como um meme.

A Netflix classifica o longa como documentário de esportes e cultura pop. No Brasil, ele aparece com classificação indicativa de 16 anos e legendas em português.

Quem acompanha documentários baseados em histórias reais no streaming também pode conferir no Overdrive o especial sobre a história real do Costa Concordia e o guia sobre o caso real de Mica Miller em A Morte da Esposa do Pastor.

Afinal, o que aconteceu com Raygun?

Raygun não desapareceu. Ela apenas saiu do lugar em que o mundo a conheceu.

Depois de Paris 2024, Rachael Gunn abandonou as grandes competições de breaking, continuou dançando em eventos menores, deixou a carreira universitária em 2026 e passou a investir em palestras e trabalhos públicos. Agora, o documentário da Netflix devolve a ela a oportunidade de contar a própria versão de uma história que, por dois anos, foi resumida quase sempre a um salto de canguru e a um placar de 54 a 0.

Untold – Raygun: A Polêmica do Breaking está disponível na Netflix desde 1º de setembro de 2026. Para acompanhar outras estreias, veja também a página de Netflix no Overdrive.

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