A Paramount Skydance chegou a um acordo com a Califórnia e outros 11 estados americanos para encerrar a ação antitruste que tentava impedir sua aquisição da Warner Bros. Discovery. O entendimento remove um dos principais obstáculos jurídicos à operação, mas a fusão ainda não recebeu a aprovação final do tribunal.
A juíza federal Araceli Martínez-Olguín marcou para esta quinta-feira, 24 de setembro, uma audiência sobre o acordo. Ela afirmou que ainda existem questões pendentes sobre os fundamentos jurídicos e a implementação do decreto negociado entre as partes. Portanto, apesar do avanço, Paramount e Warner Bros. Discovery ainda não devem ser tratadas como uma única companhia.
O acordo envolve compromissos que vão da produção de pelo menos 30 filmes por ano a um investimento adicional mínimo de US$ 1,5 bilhão na produção cinematográfica dos Estados Unidos durante cinco anos. Também foram estabelecidas regras envolvendo trabalhadores, canais de TV, streaming e independência editorial de CNN e CBS.
Paramount chega a acordo com 12 estados sobre compra da Warner
O acordo foi anunciado em 21 de setembro pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que liderou a coalizão formada também por Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.
Os estados haviam entrado na Justiça em julho argumentando que a união entre Paramount e Warner Bros. Discovery poderia reduzir a concorrência, diminuir a produção de conteúdo e pressionar preços cobrados dos consumidores.
Segundo o Departamento de Justiça da Califórnia, o acordo é válido por cinco anos e, caso seja homologado, terá força judicial.
Bonta também deixou claro que o entendimento não representa apoio dos estados à fusão. O acordo encerra as reivindicações antitruste apresentadas no processo mediante compromissos assumidos pela Paramount.
O que a Paramount aceitou para comprar a Warner?
Um dos principais pontos é uma obrigação de produção cinematográfica. A companhia combinada deverá lançar pelo menos 30 filmes por ano nos dois primeiros anos, dos quais 20 deverão ter lançamento amplo nos cinemas.
Do terceiro ao quinto ano, a meta aumenta para 32 filmes anuais, com pelo menos 21 lançamentos amplos. Em todos os cinco anos, pelo menos quatro títulos deverão ser filmes independentes.
O acordo estabelece ainda um mecanismo de punição caso a empresa não cumpra a quantidade mínima prevista. A Paramount poderá ser obrigada a vender a Miramax e pagar US$ 30 milhões por filme abaixo da meta, com recursos destinados, entre outros objetivos previstos no acordo, a fundos ligados aos trabalhadores e à fiscalização antitruste.
US$ 1,5 bilhão adicional em produção nos Estados Unidos
A Paramount também assumiu o compromisso de gastar pelo menos US$ 1,5 bilhão adicionais em produção cinematográfica doméstica ao longo de cinco anos, tomando os gastos de 2025 como referência.
O acordo prevê ainda um fundo voltado ao cinema independente. A empresa deverá investir US$ 5 milhões por ano na aquisição de filmes independentes, chegando a US$ 25 milhões durante o período.
Fundo de US$ 47,5 milhões para trabalhadores
Outro compromisso é a criação de um fundo de US$ 47,5 milhões destinado a treinamento e desenvolvimento profissional de trabalhadores afetados pela fusão.
A companhia combinada também deverá respeitar acordos coletivos existentes e negociar de boa-fé com sindicatos. O impacto sobre empregos é uma das questões centrais envolvendo a operação, principalmente diante da integração de duas estruturas gigantes de cinema, televisão e streaming.
CNN e CBS terão conselho de independência editorial
A aquisição coloca duas grandes organizações de notícias americanas dentro do mesmo grupo: a CNN, atualmente pertencente à Warner Bros. Discovery, e a CBS, controlada pela Paramount.
O acordo determina a criação de um News Editorial Independence Board, conselho destinado a ajudar a preservar a independência editorial das duas operações jornalísticas.
Também haverá monitoramento independente para acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas pela Paramount.
Paramount e Warner terão de negociar canais separadamente
Durante cinco anos, a empresa resultante da fusão deverá negociar os canais básicos da Paramount separadamente dos canais básicos da Warner Bros. Discovery.
A medida tenta preservar parte da dinâmica competitiva existente antes da aquisição e limitar a capacidade de usar conjuntamente o peso dos dois portfólios durante negociações de distribuição.
A companhia também deverá manter um serviço gratuito de streaming, como o Pluto TV, preservando o nível atual de serviço e qualidade durante o período previsto pelo acordo.
HBO Max e Paramount+ serão unificados?
Não existe, até a apuração desta matéria, confirmação de que HBO Max e Paramount+ serão imediatamente transformados em uma única plataforma.
A conclusão da aquisição colocará os dois serviços sob o mesmo grupo, mas eventuais mudanças de marca, aplicativos, assinaturas ou preços dependerão da estratégia adotada após o fechamento da operação.
Essa distinção é importante porque a aquisição envolve ativos muito maiores do que os dois streamings. A Warner Bros. Discovery reúne Warner Bros., HBO, HBO Max, CNN e DC, enquanto a Paramount controla negócios como Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Pluto TV, Nickelodeon e MTV.
Para acompanhar como os preços atuais dos principais serviços pesam no orçamento, o Overdrive mantém uma calculadora de streaming com Netflix, HBO Max, Paramount+ e outras plataformas.
Quanto vale a compra da Warner pela Paramount?
Existem dois números frequentemente usados para descrever a transação, porque eles medem coisas diferentes.
A aquisição foi apresentada em parte da cobertura financeira como uma operação de aproximadamente US$ 81 bilhões em valor de patrimônio. Já a Paramount atribui à Warner Bros. Discovery um enterprise value de aproximadamente US$ 110 bilhões, medida que considera também elementos como a dívida da companhia.
O acordo original prevê o pagamento de US$ 31 em dinheiro por ação da Warner Bros. Discovery.
A Paramount já havia anunciado em agosto que havia obtido as autorizações regulatórias necessárias para concluir a operação em 68 países e jurisdições, incluindo Estados Unidos, Brasil, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Austrália, China e México.
Juíza ainda não aprovou acordo entre Paramount e estados
Apesar do anúncio feito em 21 de setembro, surgiu uma etapa adicional antes que a disputa seja considerada definitivamente encerrada.
A juíza federal Araceli Martínez-Olguín informou que ainda possui “questões pendentes” relacionadas aos fundamentos factuais e jurídicos do decreto negociado e à forma como suas condições serão implementadas.
Por isso, foi marcada uma audiência por videoconferência para 24 de setembro, às 11h no horário do Pacífico — 15h no horário de Brasília.
A magistrada ainda não decidiu sobre a parte do pedido que busca formalizar o decreto e retirar a restrição que impede a conclusão da fusão.
Isso atualiza o cenário descrito anteriormente pelo Overdrive na matéria sobre o plano da Paramount para concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery em aproximadamente duas semanas.
Quando a Paramount poderá concluir a compra da Warner?
David Ellison, CEO da Paramount, comunicou aos funcionários que a empresa trabalha com uma previsão de aproximadamente duas semanas para concluir a transação após os acordos anunciados em 21 de setembro.
Essa janela, porém, não é uma data definitiva de fechamento. A homologação judicial do acordo com os estados continua sendo uma etapa necessária.
Em agosto, a própria Paramount informou que havia recebido as autorizações regulatórias exigidas pelo contrato. Posteriormente, as ações movidas pelos estados e pela Writers Guild of America permaneceram como obstáculos jurídicos ao fechamento.
A WGA também chegou a um acordo separado com a Paramount para encerrar sua ação.
O que muda para Warner e Paramount agora?
O acordo reduziu substancialmente a incerteza jurídica em torno da aquisição, mas o processo ainda precisa passar pela audiência marcada para 24 de setembro e pela decisão da Justiça sobre o decreto.
Se o acordo for homologado e a operação finalmente fechada, começa outra etapa: integrar dois dos maiores grupos de entretenimento dos Estados Unidos sem descumprir as obrigações assumidas durante a disputa antitruste.
Para o público, as questões mais importantes virão depois: o destino de HBO Max e Paramount+, a organização dos estúdios, os calendários de cinema e televisão e a administração de franquias que passam a coexistir dentro do mesmo conglomerado. Por enquanto, nenhuma mudança imediata nos serviços disponíveis no Brasil foi anunciada.
Fontes
- California Department of Justice — acordo entre Paramount e os 12 estados
- Paramount Skydance — autorizações regulatórias internacionais
- Reuters — termos do acordo entre Paramount e procuradores estaduais, 21 de setembro de 2026
- Associated Press — acordo antitruste e condições impostas à Paramount, 21 de setembro de 2026
- Variety — audiência judicial sobre o decreto de consentimento, 22/23 de setembro de 2026

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