O Problema Final é inspirado em Sherlock Holmes? Sim, e a relação vai muito além da coincidência entre os títulos. A minissérie espanhola da Netflix, estrelada por José Coronado, é baseada no romance homônimo de Arturo Pérez-Reverte, publicado em 2023, e funciona como uma homenagem às aventuras do detetive criado por Arthur Conan Doyle.
A história acompanha Benjamin Basil, um ator que ficou conhecido por interpretar Sherlock Holmes no cinema. Durante uma estadia em um hotel isolado numa ilha próxima a Maiorca, ele precisa investigar uma morte suspeita, mesmo sem ser um detetive de verdade.
As semelhanças são intencionais: o título remete a um conto de 1893, o nome do protagonista homenageia um ator histórico, e a relação de Basil com Foxá recupera a parceria entre Holmes e Watson. Há também elementos de Agatha Christie e uma referência importante a Irene Adler.
Antes de conhecer essas ligações, vale conferir o guia de O Problema Final com história, elenco e episódios, publicado pelo Overdrive.

1. O título O Problema Final vem de um conto de Sherlock Holmes
A primeira referência está no próprio nome da produção. O Problema Final é também o título em português de The Final Problem, uma história de Arthur Conan Doyle publicada originalmente em 1893.
O conto apresenta o confronto entre Sherlock Holmes e o professor Moriarty, considerado um de seus maiores adversários. A disputa termina nas cataratas de Reichenbach, na Suíça, onde o detetive aparentemente encontra seu fim.
Na época, Conan Doyle pretendia encerrar as aventuras do personagem. O desaparecimento de Holmes, entretanto, provocou uma reação tão intensa entre os leitores que o escritor acabaria trazendo o investigador de volta em histórias posteriores.
A série da Netflix não reproduz essa narrativa. Não há uma adaptação do confronto nas cataratas nem uma reprodução da investigação contra Moriarty. O título funciona como uma referência literária ao universo de Sherlock Holmes e à ideia de um caso decisivo.
A relação é reconhecida pela própria editora de Pérez-Reverte, a Penguin Random House, que explica como o romance recupera os enigmas clássicos da literatura policial.
2. O nome Basil é uma homenagem a Basil Rathbone
Outra ligação aparece no nome do protagonista. Benjamin Basil, interpretado por José Coronado, faz referência a Basil Rathbone, ator britânico que se tornou um dos intérpretes mais conhecidos de Sherlock Holmes no cinema.
Entre 1939 e 1946, Rathbone interpretou o detetive em 14 filmes, formando uma parceria famosa com Nigel Bruce, responsável pelo papel do Dr. John Watson.
O personagem de O Problema Final segue uma proposta parecida: Basil também construiu sua carreira interpretando Holmes e carrega consigo os hábitos, as falas e a maneira de raciocinar do investigador.
A homenagem é especialmente interessante porque a série não apresenta um novo Sherlock Holmes. Ela acompanha alguém cuja vida foi influenciada por ter interpretado o personagem durante anos.
O British Film Institute destaca Rathbone como uma das figuras responsáveis por consolidar a imagem cinematográfica do detetive.
3. Basil precisa descobrir se os métodos de Holmes funcionam na vida real
Uma das principais ideias da minissérie é colocar um ator diante de um problema que parece ter saído dos roteiros de seus filmes.
Basil conhece Sherlock Holmes porque passou anos representando o personagem. Mas saber interpretar um detetive não significa necessariamente ser capaz de investigar um assassinato.
Essa contradição movimenta a história. Os hóspedes enxergam em Basil alguém preparado para resolver o mistério. Ele, por outro lado, precisa descobrir até que ponto os conhecimentos adquiridos durante a carreira podem ajudá-lo.
O resultado é uma brincadeira com os limites entre ficção e realidade. A experiência de interpretar Holmes acaba transformando o próprio Basil em uma espécie de detetive improvisado.
O romance de Pérez-Reverte desenvolve essa questão de maneira ainda mais intensa, com referências frequentes a filmes e livros policiais das décadas de 1930, 1940 e 1950.
4. Foxá ocupa o papel de Watson na história
Um Sherlock Holmes dificilmente seria o mesmo sem seu companheiro mais conhecido, o Dr. John Watson. Em O Problema Final, essa função é parcialmente ocupada por Francisco Foxá, interpretado por Martiño Rivas.
Foxá é um escritor de romances policiais que acompanha Basil durante a investigação. Ele ajuda a discutir hipóteses, questionar acontecimentos e reconstruir possíveis explicações para os crimes.
É uma dinâmica semelhante à relação entre Holmes e Watson nas obras de Conan Doyle: enquanto um conduz as deduções, o outro funciona como interlocutor e ajuda a apresentar o raciocínio ao público.
No livro original, essa homenagem é ainda mais evidente. Foxá possui grande familiaridade com a literatura policial e participa de discussões sobre os próprios mecanismos de um mistério.

5. O assassinato em um quarto fechado é outro clássico da literatura policial
O mistério apresentado em O Problema Final utiliza uma estrutura conhecida como locked-room mystery, expressão que pode ser traduzida como mistério do quarto fechado.
Nesse tipo de narrativa, um crime acontece em circunstâncias aparentemente impossíveis. O ambiente parece protegido, as possibilidades de entrada e saída são limitadas e as evidências inicialmente não oferecem uma explicação convincente.
O desafio consiste em encontrar uma solução lógica para algo que, à primeira vista, não deveria ter acontecido.
Esse recurso é anterior à própria criação de Sherlock Holmes e aparece em diferentes obras da tradição policial, incluindo histórias associadas a Edgar Allan Poe e autores posteriores.
Na minissérie da Netflix, a investigação de Basil também envolve descobrir como determinadas evidências podem ter sido manipuladas para criar uma impressão enganosa.
O importante é que a solução não depende de acontecimentos sobrenaturais. O espectador é convidado a observar detalhes e tentar solucionar o enigma usando as informações apresentadas pela trama.
6. A ilha isolada lembra os mistérios de Agatha Christie
Apesar das referências diretas a Sherlock Holmes, a estrutura de O Problema Final também possui muito em comum com as histórias de Agatha Christie.
Na minissérie, treze pessoas ficam isoladas em uma pequena ilha próxima a Maiorca durante uma tempestade, em 1959. Quando uma turista aparece morta, todos passam a ser considerados possíveis suspeitos.
É uma situação que lembra E Não Sobrou Nenhum, romance de Christie em que personagens isolados em uma ilha precisam lidar com a possibilidade de um assassino entre eles.
A comparação está no formato do mistério, e não em uma adaptação direta daquele livro. Em ambos os casos, o isolamento aumenta a desconfiança e limita as possibilidades de investigação.
Pérez-Reverte também utiliza elementos associados aos romances de enigma: um número restrito de suspeitos, diferentes motivações, informações ocultas e pistas que podem ser reinterpretadas.
Por isso, a série mistura duas tradições: o investigador que raciocina como Sherlock Holmes e a estrutura de suspeitos reunidos em um ambiente fechado, característica de muitas histórias de Christie.
Quem gosta desse formato pode encontrar outras sugestões na seleção de séries espanholas da Netflix para maratonar.
7. Irene Adler é uma das referências mais importantes do final
No desfecho de O Problema Final, uma conversa faz uma referência direta a Sherlock Holmes e Irene Adler.
Quando Basil é chamado de Holmes, ele responde utilizando o nome Adler. Para quem conhece as histórias de Arthur Conan Doyle, a escolha possui um significado especial.
Irene Adler aparece no conto Um Escândalo na Boêmia, publicado em 1891. A personagem se destaca porque consegue antecipar os movimentos do detetive e frustrar seus planos.
Holmes reconhece a inteligência de Adler, que ocupa uma posição singular entre as pessoas que ele encontra ao longo de suas aventuras.
Embora adaptações modernas frequentemente explorem uma possível relação romântica entre os dois, o conto original não apresenta Irene simplesmente como um interesse amoroso do investigador.
A comparação feita no último episódio de O Problema Final reforça a ideia de que Basil encontrou alguém capaz de desafiá-lo intelectualmente.
Essa referência também ajuda a compreender por que a última conversa possui tanta importância. Para entender a revelação completa, veja o final explicado de O Problema Final e o significado da relação entre Basil e Adela.

O Problema Final adapta alguma história original de Sherlock Holmes?
Não. A produção é baseada no romance escrito por Arturo Pérez-Reverte, lançado em 2023, e não adapta diretamente nenhum dos contos ou romances de Arthur Conan Doyle.
O escritor espanhol utiliza Sherlock Holmes como ponto de partida para construir uma nova história, com personagens próprios e um mistério independente.
A adaptação da Netflix também modifica alguns elementos do livro. O romance se passa em 1960, em uma ilha fictícia perto de Corfu, na Grécia. Já a série transfere os acontecimentos para 1959, nas proximidades de Maiorca, na Espanha.
Apesar dessas diferenças, a proposta central permanece: transformar os elementos mais conhecidos das histórias policiais clássicas em um novo desafio para os personagens e para o público.
Onde assistir a O Problema Final?
Os quatro episódios de O Problema Final estão disponíveis na Netflix Brasil.
A minissérie conta com José Coronado, María Valverde, Martiño Rivas e Maribel Verdú no elenco, sob direção de Félix Viscarret. O catálogo brasileiro oferece áudio e legendas em português.
Até o momento, a produção continua apresentada como minissérie. Saiba mais sobre a possibilidade de continuação na matéria do Overdrive sobre a segunda temporada de O Problema Final.
Perguntas frequentes sobre O Problema Final e Sherlock Holmes
O Problema Final foi escrito por Arthur Conan Doyle?
Existem duas obras com esse título. O conto de Sherlock Holmes é de Arthur Conan Doyle, publicado em 1893. O romance que inspirou a minissérie da Netflix foi escrito por Arturo Pérez-Reverte e lançado em 2023.
Benjamin Basil é Sherlock Holmes?
Não. Basil é um ator fictício que ficou famoso por interpretar Sherlock Holmes no cinema. Ele utiliza o conhecimento do personagem para investigar um assassinato.
Quem é o Watson de O Problema Final?
Francisco Foxá, interpretado por Martiño Rivas, desempenha uma função semelhante à de Watson, ajudando Basil durante a investigação.
O professor Moriarty aparece na série?
Não como o antagonista das histórias originais. Moriarty faz parte do conto de Conan Doyle que inspirou o título, mas a minissérie apresenta um mistério independente.
Quem é Irene Adler em Sherlock Holmes?
Irene Adler é uma personagem do conto Um Escândalo na Boêmia, de 1891. Ela é conhecida por conseguir antecipar os planos de Sherlock Holmes e conquistar seu respeito.

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