Uma amiga próxima de Mica Miller voltou a falar publicamente sobre o casamento dela com o pastor John-Paul “JP” Miller e ampliou as acusações apresentadas na série documental da Netflix. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (9) pela revista americana People, Bruna Pabon, de 34 anos, ex-integrante da Solid Rock Church, afirmou que a amiga era submetida a abusos sexuais e psicológicos dentro de casa.
“Era abuso sexual e mental o que ele estava fazendo com a Mica”, disse Pabon à publicação. Ela relatou que o marido não permitia que Mica dormisse, jogava água no rosto dela e puxava as cobertas, e que o casal não conseguia viajar porque ele não passaria dois dias sem sexo. Nas palavras dela à revista, o pastor basicamente usava a esposa para sexo, e isso teria sido a dinâmica do casamento inteiro.
As declarações são alegações de uma testemunha e não foram comprovadas judicialmente. JP Miller nega qualquer abuso, nunca foi acusado criminalmente pela morte de Mica e se declarou inocente das acusações federais que responde. As autoridades americanas mantêm a conclusão de que a morte dela, em abril de 2024, foi um suicídio.

O que Bruna Pabon disse à People?
A entrevista foi publicada como exclusiva pela People e detalha episódios que, segundo Pabon, Mica relatava a ela enquanto o casamento se deteriorava. O ponto central do relato é a privação de sono como instrumento de pressão, associada a exigências sexuais constantes.
Pabon afirmou ainda que Mica se esforçou por anos para corresponder ao papel de esposa obediente que se esperava dela na igreja, e que o conflito começou a escalar quando ela passou a buscar mais autonomia e independência. Foi esse movimento, na avaliação da amiga, que colidiu com o que o marido esperava do casamento.
A reportagem também recupera trechos de sermões do próprio pastor na Solid Rock Church, em que ele orientava os fiéis a não recusarem sexo dentro do casamento. Pabon disse à revista estar convencida de que aquelas falas tinham um destinatário específico na plateia.
Quem é Bruna Pabon?
Pabon é ex-integrante da Solid Rock Church, igreja de Myrtle Beach, na Carolina do Sul, comandada por JP Miller, e era amiga próxima de Mica. Ela é uma das pessoas ouvidas em A Morte da Esposa do Pastor, a série documental da Netflix, e já havia dado depoimento na produção.
No documentário, Pabon afirma que Mica temia pela própria vida e relata uma frase que a amiga teria dito sobre o marido. A entrevista à People retoma esse depoimento e acrescenta detalhes que não estavam na série.
O que JP Miller responde às acusações?
Segundo a People, o advogado de JP Miller, Russell Long, não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre as declarações de Pabon. A Us Weekly, que repercutiu o caso, informou ter recebido o mesmo silêncio.
A defesa já havia se manifestado quando as primeiras acusações de abuso vieram a público, em 2024. Na ocasião, o advogado declarou que o cliente refuta qualquer relato que sugira que ele tenha abusado da esposa. Essa continua sendo a posição pública da defesa.
Dois pontos precisam ficar claros para quem acompanha o caso pela primeira vez. O primeiro é que JP Miller não foi acusado criminalmente pela morte de Mica. O segundo é que as autoridades americanas mantêm a conclusão oficial de suicídio, apoiada em imagens de vigilância, entrevistas, provas físicas e exame do Instituto Médico Legal da Carolina do Norte.
Em que pé está o processo federal?
O que existe contra JP Miller é um processo federal por outros crimes. Ele foi indiciado em 17 de dezembro de 2025 sob duas acusações: perseguição virtual, o chamado cyberstalking, contra Mica, e prestação de declarações falsas a investigadores.
De acordo com a denúncia, ele teria interferido nas finanças da esposa, instalado dispositivos de rastreamento no carro dela, danificado os pneus do veículo e publicado uma foto íntima dela na internet. Vários desses episódios haviam sido relatados pela própria Mica à polícia nos meses anteriores à morte.
O pastor se declarou inocente das duas acusações. Ele responde ao processo em liberdade, após pagamento de fiança. O caso acumulou adiamentos e a expectativa é de que o julgamento comece em outubro.

O que a série da Netflix mostra?
A Morte da Esposa do Pastor estreou em 26 de agosto de 2026, com três episódios dirigidos por Julia Willoughby Nason e Michael Gasparro, a mesma dupla de American Murder: Gabby Petito. A produção reconstrói a trajetória de Mica a partir de diários, mensagens, vídeos caseiros, imagens da igreja e documentos policiais.
Ex-fiéis entrevistados na série afirmam que o pastor pressionava Mica por sexo e exigia obediência no casamento. Irmãos dela alegam que ele teria forçado uma internação psiquiátrica involuntária quando ela se recusou a atender às exigências, e que os aparelhos eletrônicos dela desapareceram durante o período internada.
Mica pediu o divórcio em abril de 2024. Dois dias depois, foi encontrada morta no Lumber River State Park, na Carolina do Norte. Tinha 30 anos e era líder de louvor da igreja onde cresceu, tendo conhecido JP Miller aos 13 anos, quando a família passou a frequentar a Solid Rock.
A repercussão da série trouxe o caso de volta ao debate público mais de dois anos depois da morte, e é nesse ambiente que as novas declarações de Pabon chegam.
O que é a “Lei de Mica”?
A família de Mica articula na Carolina do Sul a aprovação de um projeto conhecido como Mica’s Law. A proposta pretende criminalizar o controle coercitivo e ampliar as proteções previstas na legislação estadual de violência doméstica.
Controle coercitivo é o nome dado a um padrão sustentado de manipulação psicológica, emocional e financeira que retira gradualmente a liberdade, a independência e a autoestima da vítima. É um conceito que dispensa a agressão física para se configurar, e por isso costuma escapar das ferramentas legais tradicionais. Esse é o argumento central da família: a lei, como está, não deu a Mica instrumentos para se proteger.
O documentário dedica boa parte do terceiro episódio a essa discussão e às falhas institucionais apontadas por familiares e amigos.
Perguntas frequentes
JP Miller foi condenado por algum crime?
Não. Ele foi indiciado em dezembro de 2025 por perseguição virtual e declarações falsas a investigadores, se declarou inocente das duas acusações e aguarda julgamento em liberdade. Não há condenação até o momento.
JP Miller é acusado de matar Mica Miller?
Não. Ele nunca foi acusado criminalmente pela morte dela. As autoridades concluíram que Mica morreu por suicídio, e essa conclusão oficial não foi revertida.
Quem é Bruna Pabon?
Ex-integrante da Solid Rock Church e amiga próxima de Mica Miller. Ela participa da série documental da Netflix e concedeu à revista People, em 9 de setembro de 2026, uma entrevista com novos relatos sobre o casamento.
Onde assistir A Morte da Esposa do Pastor?
A série está disponível na Netflix, com três episódios e áudio e legendas em português. Se quiser entender o caso do começo, o Overdrive publicou um guia completo sobre a história real de Mica Miller.
Quando começa o julgamento de JP Miller?
A expectativa é de que o julgamento federal comece em outubro de 2026. O processo já sofreu vários adiamentos, e a data pode mudar novamente.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat e e-mail no site cvv.org.br. O atendimento é sigiloso.
Em situações de violência doméstica, a Central de Atendimento à Mulher funciona pelo número 180, também 24 horas e de forma gratuita. Em caso de emergência, ligue para a Polícia Militar, no 190.
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