Tópicos
- 1. Débora estudou com livros encontrados no lixo e passou em duas faculdades de Medicina
- 2. Gabriel tentou por seis anos até conquistar uma vaga em Medicina na UFRGS
- 3. Elenice voltou a estudar e entrou na faculdade aos 70 anos
- 4. Ana Beatriz conciliou a maternidade com os estudos e passou em Medicina na UFRJ
- 5. Marco Antônio tirou 840 na redação, entrou na universidade e quer criar videogames
- O que essas cinco histórias têm em comum?
- Enem 2026: quando acontecem as provas?
Nem toda história de aprovação no Enem começa com uma rotina perfeita de estudos. Algumas começam com livros encontrados entre materiais descartados, noites depois do trabalho, responsabilidades familiares ou o desejo de voltar à escola décadas mais tarde.
Neste domingo, 8 de novembro, milhões de brasileiros enfrentam o primeiro dia do Enem 2026. Para quem está nervoso, inseguro ou pensando que não estudou o suficiente, conhecer a trajetória de outros candidatos pode trazer uma perspectiva diferente.
O Overdrive reuniu cinco histórias reais de pessoas que conquistaram uma vaga na universidade usando a nota do Enem. São relatos de edições anteriores que mostram como a persistência, o acesso à educação e o apoio de outras pessoas podem fazer diferença.
1. Débora estudou com livros encontrados no lixo e passou em duas faculdades de Medicina
Em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, a estudante Débora tinha um sonho: cursar Medicina. Mas as condições financeiras da família dificultavam a preparação para o Enem.
Sua mãe trabalhava como catadora de materiais recicláveis e levava para casa livros encontrados durante a coleta. Esses materiais ajudaram a filha a continuar estudando.
Durante a pandemia, a situação ficou ainda mais complicada. Sem computador e com dificuldades para acessar a internet, Débora dependia de um celular e do material preparado pelos professores.
Ela também precisava conciliar os estudos com o trabalho. A primeira tentativa de entrar em Medicina não deu certo.
Em 2022, a recompensa chegou: Débora conquistou aprovação em Medicina na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Ela escolheu a universidade baiana, mais próxima de sua família. Mesmo depois da aprovação, ainda precisou de uma campanha de arrecadação para ajudar com os custos da mudança.
O que essa história ensina: não conseguir a vaga na primeira tentativa não significa que o sonho terminou. A trajetória também mostra o papel fundamental de professores, familiares e oportunidades de apoio.
Fonte: reportagens de A Gazeta e do UOL, publicadas em abril de 2022.
2. Gabriel tentou por seis anos até conquistar uma vaga em Medicina na UFRGS
Imagine trabalhar durante o dia, estudar à noite e repetir a rotina durante anos sem saber quando a aprovação vai chegar.
Foi parte da realidade de Gabriel Cledson da Silva, morador de Natal, no Rio Grande do Norte.
Filho de uma catadora de materiais recicláveis, ele trabalhou como auxiliar de serviços gerais em uma escola enquanto se preparava para o Enem.
Gabriel começou a estudar para o exame em 2018. Durante sua preparação, precisou recorrer a conteúdos gratuitos, aulas pela internet e até um celular com a tela danificada.

As dificuldades não se resumiam à falta de recursos. Ele também precisava recuperar conteúdos escolares para conseguir competir por uma vaga em um dos cursos mais disputados do país.
Após seis anos de preparação e tentativas, Gabriel foi aprovado em Medicina na UFRGS em 2024, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
A conquista trouxe outro desafio: deixar o Rio Grande do Norte para estudar em Porto Alegre. Uma campanha de arrecadação foi organizada para ajudar na viagem.
Em 2025, já cursando Medicina, Gabriel voltou a falar publicamente sobre a experiência de estudar longe da família e realizar um objetivo que perseguia havia tanto tempo.
O que essa história ensina: cada pessoa tem seu próprio ritmo. Um resultado ruim em determinada edição do Enem não define o que acontecerá nas próximas.
Fonte: reportagem do Diário Gaúcho, de fevereiro de 2024, e atualização do Portal 96 FM, de 2025.
3. Elenice voltou a estudar e entrou na faculdade aos 70 anos
Quem disse que existe idade certa para entrar na universidade?
Em 2025, Elenice Pereira conquistou uma vaga no curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), aos 70 anos.
Antes disso, sua vida havia seguido um caminho bastante diferente.
Criada em uma família de agricultores no interior do Rio de Janeiro, Elenice começou a trabalhar cedo e teve os estudos interrompidos. Ao longo da vida, precisou conciliar emprego, responsabilidades domésticas e família.

Ela concluiu o ensino médio aos 51 anos, mas a possibilidade de chegar à universidade ainda parecia distante.
Depois de enfrentar o luto pela morte de uma filha e um período de depressão, encontrou no retorno aos estudos uma nova atividade e uma fonte de apoio.
Elenice participou durante cinco anos do Curso Preparatório Popular Goitacá, projeto do Instituto Federal Fluminense (IFF), até alcançar a aprovação usando a nota do Enem.
A conquista foi divulgada pelo próprio instituto em fevereiro de 2025.
O que essa história ensina: recomeçar também é uma forma de avançar. A idade ou uma trajetória escolar interrompida não precisam representar o fim de um projeto de vida.
Fonte: Instituto Federal Fluminense, 4 de fevereiro de 2025.
4. Ana Beatriz conciliou a maternidade com os estudos e passou em Medicina na UFRJ
Para algumas pessoas, preparar-se para o Enem significa dividir o tempo entre aulas, simulados e exercícios. Para outras, a rotina também inclui cuidar de um filho e administrar uma casa.
Essa foi a experiência de Ana Beatriz, mãe de Ravi e estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ela havia iniciado uma graduação em Engenharia Química, mas precisou interromper o curso após a chegada do filho e as dificuldades enfrentadas durante a pandemia.
Embora Medicina fosse um sonho antigo, Ana acreditava que não conseguiria realizá-lo diante de tantas responsabilidades.
Em vez de retomar Engenharia, decidiu tentar novamente o caminho que realmente desejava.
O desafio envolvia muito mais do que estudar. Era necessário organizar os horários, garantir os cuidados de Ravi, lidar com os custos da preparação e encontrar momentos para descansar.
Com o apoio de familiares, especialmente da mãe e das irmãs, ela conseguiu reorganizar a rotina e conquistou a aprovação em Medicina pelo Enem.
Em entrevista publicada pelo Brasil Escola em 2024, Ana destacou que a rede de apoio foi essencial para tornar essa conquista possível.
Ela também chamou a atenção para as dificuldades que mães universitárias continuam enfrentando depois do ingresso no ensino superior.
O que essa história ensina: pedir ajuda não diminui uma conquista. Estudar exige dedicação, mas também depende de condições reais para que a preparação seja possível.
Fonte: entrevista ao Brasil Escola, publicada em outubro de 2024.
5. Marco Antônio tirou 840 na redação, entrou na universidade e quer criar videogames
Para Marco Antônio Mariano, o sonho de entrar na universidade também tem relação com os videogames.
Morador de Catalão, em Goiás, o jovem é surdo, tem paralisia cerebral e sempre demonstrou interesse por tecnologia e programação.
Em 2025, aos 24 anos, Marco conquistou uma vaga no curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), usando a nota do Enem 2024 no Sisu.
Um dos destaques de seu desempenho foi a redação, na qual alcançou 840 pontos.
Antes mesmo de entrar na universidade, Marco já havia desenvolvido um jogo educativo voltado ao ensino de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. O projeto ganhou destaque na Campus Party, em Goiânia.
Sua paixão pelos jogos eletrônicos também ajudou a definir um objetivo profissional: trabalhar no desenvolvimento de games acessíveis e, quem sabe, integrar uma empresa como a Nintendo.
A trajetória de Marco evidencia a importância da acessibilidade, da educação bilíngue e do apoio familiar para garantir oportunidades às pessoas com deficiência.
O que essa história ensina: interesses pessoais, como videogames e programação, também podem se transformar em caminhos profissionais. E a inclusão é fundamental para que mais estudantes tenham essa possibilidade.
Fontes: Jornal Opção e Badiinho, fevereiro de 2025.
O que essas cinco histórias têm em comum?
Débora, Gabriel, Elenice, Ana Beatriz e Marco Antônio não tiveram trajetórias iguais. Cada um enfrentou dificuldades diferentes, estudou em condições próprias e contou com formas distintas de apoio.
Essas histórias não significam que basta querer muito para conseguir uma vaga. Desigualdades econômicas, falta de acessibilidade e responsabilidades familiares continuam sendo obstáculos reais para milhões de brasileiros.
Mas os relatos mostram que um resultado no Enem não precisa definir o restante da vida de um estudante.
Uma reprovação pode ser seguida de outra tentativa. Um curso pode ser iniciado mais tarde. Uma escolha profissional pode mudar. E uma oportunidade pode surgir depois de anos de preparação.
Não existe uma única maneira de chegar à universidade.
Enem 2026: quando acontecem as provas?
O Enem 2026 acontece nos domingos 8 e 15 de novembro.
- 8 de novembro: Linguagens, Ciências Humanas e redação.
- 15 de novembro: Matemática e Ciências da Natureza.
Nos dois domingos, os portões abrem às 12h e fecham às 13h, pelo horário de Brasília. As provas começam às 13h30.
Para consultar os procedimentos de aplicação, veja o guia do Overdrive sobre horários, documentos e regras do Enem 2026.
Também reunimos orientações sobre o horário de fechamento dos portões, quando termina a prova e como consultar o local de aplicação.
Para quem ainda está se preparando para as próximas etapas, vale conferir também os 12 possíveis temas de redação do Enem 2026, lembrando que nenhum representa confirmação antecipada do tema oficial.
Uma última mensagem: o Enem é importante, mas não resume quem você é, o que aprendeu ou tudo que ainda poderá conquistar. Faça a prova com atenção, respeite seus limites e lembre-se de que existem diferentes caminhos para continuar estudando.
Fontes: agazeta.com.br, UOL, diariogaucho.clicrbs.com.br, 96fm.com.br, portal1.iff.edu.br e jornalopcao.com.br.

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