Tópicos
- Doramas vão acabar? O que realmente está acontecendo
- Por que a produção de doramas está diminuindo?
- A crise já está afetando roteiristas e profissionais dos bastidores
- O que as associações querem do governo da Coreia do Sul?
- A Netflix vai parar de produzir doramas?
- O que muda para quem assiste a doramas no Brasil?
- Perguntas frequentes
- Os doramas vão acabar em 2027?
- Por que dizem que os doramas estão em crise?
- As séries coreanas vão sair da Netflix?
Não, os doramas não vão acabar. Mas a indústria que transformou as séries sul-coreanas em um fenômeno mundial atravessa uma crise que já está reduzindo a quantidade de produções. Na quarta-feira (4), doze entidades que representam produtoras, emissoras, roteiristas, atores e profissionais dos bastidores fizeram um apelo ao governo da Coreia do Sul. O temor é que, sem mudanças no financiamento, parte da estrutura responsável pelos K-dramas deixe de existir.
A reunião ocorreu em Seul, justamente quando séries coreanas continuam chegando às plataformas internacionais e conquistando espectadores fora do país. A contradição é o centro da polêmica: os sucessos de audiência permanecem visíveis, mas os profissionais dizem que há menos trabalho, custos mais altos e pouco espaço para projetos que não chegam ao mercado com orçamento de grande produção.
Doramas vão acabar? O que realmente está acontecendo
O alerta não significa que a Netflix ou outras plataformas anunciaram o fim dos doramas, tampouco que as séries já disponíveis serão retiradas do catálogo. As associações falam em risco de colapso da base de produção sul-coreana, especialmente das empresas e equipes que precisam de um fluxo contínuo de trabalhos para sobreviver.
De acordo com a Associação Coreana de Produção de Dramas, o país produziu 141 séries em 2022, mas esse volume caiu aproximadamente 30% nos dois anos seguintes, chegando a cerca de 99 títulos em 2024. Outro levantamento, da Korea IR Service, citado em reportagem atualizada da Reuters, estima aproximadamente 115 produções em 2025. Como os dados vêm de levantamentos distintos, não é possível afirmar apenas com esses números que a indústria já se recuperou.

O recuo das emissoras tradicionais é ainda mais expressivo. KBS, MBC e SBS, três das principais redes abertas do país, passaram de 91 produções em 2012 para 32 em 2023, segundo as entidades. Alguns canais também abandonaram faixas de exibição de dramas durante a semana.
Por que a produção de doramas está diminuindo?
Durante anos, as emissoras sul-coreanas financiaram um grande número de séries e recuperavam parte do dinheiro com publicidade e distribuição. Esse equilíbrio ficou mais difícil. Com a chegada de plataformas globais dispostas a investir em produções de grande escala, aumentaram os valores pagos a estrelas e os custos para reunir equipes, cenários e estrutura técnica. Ao mesmo tempo, a receita publicitária das redes locais perdeu força.
Um relatório de 2025 da Korea IR Service, mencionado pela Reuters, apontou os cachês dos protagonistas como um dos principais fatores de encarecimento. A situação não significa que o streaming seja o único responsável pela crise: as plataformas também criaram oportunidades e financiaram produções que alcançaram o mundo. O problema, segundo as associações, é que o crescimento dos grandes projetos não garante condições semelhantes para toda a cadeia de produção.
Há ainda a disputa pelos direitos das obras. Quando uma produtora não consegue conservar a propriedade intelectual de uma série ou participar de receitas posteriores, mesmo um sucesso internacional pode deixar pouco dinheiro para financiar seu próximo projeto. O setor cobra modelos de negociação e distribuição de ganhos mais equilibrados com os serviços de streaming.
A crise já está afetando roteiristas e profissionais dos bastidores
A preocupação vai além da quantidade de estreias. Na coletiva de imprensa de 4 de novembro, a roteirista Park Hae-young, conhecida por My Mister e My Liberation Notes, relatou que seus assistentes estão sem trabalho e que criadores vêm procurando oportunidades em outras áreas, como jogos e conteúdos digitais curtos. O relato foi publicado pela agência sul-coreana Yonhap.
Para o presidente da Associação Coreana de Produção de Dramas, Song Byeong-joon, o perigo é perder a continuidade que permite a um roteirista em início de carreira escrever uma segunda obra, a um coadjuvante conquistar seu primeiro papel principal e a um assistente chegar à direção. Se os projetos desaparecem, profissionais experientes deixam o mercado e novos talentos encontram menos oportunidades para se desenvolver.
O que as associações querem do governo da Coreia do Sul?
As doze entidades propuseram um sistema de financiamento de 1 trilhão de won, cerca de US$ 746 milhões, distribuído ao longo de cinco anos. A ideia apresentada ao governo é destinar aproximadamente 200 bilhões de won por ano para ajudar a viabilizar séries de pequeno e médio orçamento, com o restante dos custos dividido entre emissoras e plataformas. Trata-se de uma proposta do setor, não de um investimento aprovado.

A pressão aumentou depois que o projeto de orçamento para 2027 previu uma redução de 4,5 bilhões de won nos recursos do Ministério da Cultura destinados à área de radiodifusão e vídeo, de 91,8 bilhões para 87,3 bilhões de won. O corte atinge essa rubrica específica: não significa que todo o orçamento de cultura da Coreia do Sul esteja diminuindo.
Além de apoio financeiro, as associações pedem políticas para ampliar a quantidade de séries produzidas, melhorar a divisão de receitas e assegurar espaço para projetos que dificilmente receberiam investimentos milionários.
A Netflix vai parar de produzir doramas?
Não há anúncio nesse sentido. A Netflix assumiu, em 2023, o compromisso de investir US$ 2,5 bilhões em conteúdo sul-coreano ao longo de quatro anos. Procurada pela Reuters sobre o alerta das entidades, a empresa não apresentou um comentário imediato.
O debate, portanto, não é simplesmente sobre retirar dinheiro dos serviços internacionais. É sobre a dependência de poucos compradores e o destino das produtoras quando uma série faz sucesso, mas os direitos e a maior parte das receitas futuras não permanecem com quem a desenvolveu.
Há também diferentes leituras sobre a dimensão da crise. O professor Kim Yong-hee, da Universidade Sun Moon, disse à Reuters que os problemas apresentados refletem, sobretudo, a perda de força da televisão aberta, e não necessariamente um colapso de todo o mercado de conteúdo. Dados oficiais mostram que o emprego no conjunto das indústrias de conteúdo cresceu ligeiramente em 2025, enquanto a área de radiodifusão registrou queda de 2,3% no emprego em 2024.
O que muda para quem assiste a doramas no Brasil?
Por enquanto, a crise não representa o desaparecimento dos K-dramas da Netflix, do Disney+ ou de outros catálogos. O efeito mais provável, caso a redução de projetos continue, é uma oferta menos variada no futuro: menos histórias de orçamento intermediário, menos chances para atores iniciantes e maior concentração nos títulos considerados capazes de atrair um público internacional.
Isso também ajuda a entender por que uma indústria pode acumular sucessos e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades. Uma produção de grande repercussão não substitui dezenas de projetos menores que mantêm roteiristas, técnicos, estúdios e produtoras trabalhando o ano todo.
Vale uma distinção: no Brasil, a palavra dorama costuma ser usada para séries de diferentes países asiáticos. O alerta feito em Seul diz respeito especificamente à indústria de K-dramas, as produções da Coreia do Sul, e não significa que dramas japoneses, chineses ou de outros mercados estejam prestes a acabar.
Para quem deseja continuar acompanhando as produções, o Overdrive mantém uma seleção dos melhores doramas para assistir em 2026, além de guias sobre novos doramas de 2026 e séries estreladas por artistas do K-pop.
Os doramas, portanto, não estão chegando ao fim. O alerta é sobre quem terá condições de continuar produzindo as próximas histórias e se haverá espaço para mais do que alguns grandes sucessos globais.
Perguntas frequentes
Os doramas vão acabar em 2027?
Não existe anúncio de encerramento dos doramas em 2027. As entidades alertam para riscos de longo prazo e criticam cortes previstos para uma área específica do orçamento sul-coreano daquele ano.
Por que dizem que os doramas estão em crise?
Porque a produção de séries caiu, o custo das gravações aumentou e as emissoras tradicionais têm menos capacidade de investir. Produtoras e profissionais também relatam dificuldades para manter direitos e receitas das obras.
As séries coreanas vão sair da Netflix?
A crise apresentada pelas associações não é um anúncio de retirada de séries do catálogo. A disponibilidade de cada título continua dependendo dos contratos de distribuição e das decisões de cada plataforma.








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