Trends
Publicidade
Publicidade

Dólar vai subir ainda mais? Veja se moeda pode chegar a R$ 6 após eleição

Moeda passou de R$ 5,60 após a reeleição de Lula; Morgan Stanley considera R$ 6 em cenário de maior risco fiscal, mas alta não é inevitável

Dólar chegou a subir mais de 12% e tocou R$ 5,60 após a reeleição de Lula em 2026.
O dólar pode continuar subindo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas chegar a R$ 6 não é um resultado certo.
Publicidade
Tópicos

O dólar pode continuar subindo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas chegar a R$ 6 não é um resultado certo. O Morgan Stanley apresentou esse patamar como um cenário de risco caso o governo não assuma compromissos com a contenção de gastos nas próximas semanas. A avaliação foi divulgada pela Reuters nesta segunda-feira (26).

A pergunta ganhou força porque a moeda americana ultrapassou R$ 5,60 durante a manhã de 26 de outubro, no primeiro pregão após o segundo turno da eleição presidencial. A forte oscilação, porém, não significa que o dólar terminará o dia nesse valor nem que continuará avançando na mesma velocidade.

Publicidade
Notas de 100 dólares distribuídas sobre uma mesa de madeira, em imagem ilustrativa sobre a cotação da moeda
A trajetória do dólar depende de expectativas fiscais, juros e condições externas, não apenas do resultado eleitoral. Foto: Milad Mosapoor/Wikimedia Commons (domínio público).

Dólar hoje: quanto está valendo após a eleição?

O dólar comercial fechou a sexta-feira (23), antes da votação, a aproximadamente R$ 4,9896. Nesta segunda-feira (26), a cotação chegou a R$ 5,604, com alta intradiária de cerca de 12,2%. Às 12h20 (horário de Brasília), havia recuado para R$ 5,425, segundo atualização do UOL publicada às 13h06.

ReferênciaDólar comercialO que o valor representa
Sexta (23/10), fechamentoR$ 4,9896Último pregão antes da eleição
Segunda (26/10), pico da manhãR$ 5,604Máxima intradiária reportada, não fechamento
Segunda (26/10), às 12h20R$ 5,425Registro pontual, sujeito a novas oscilações
R$ 6,00HipóteseCenário condicionado, não cotação observada

Considerando a referência de R$ 5,425 das 12h20, o dólar teria de subir mais aproximadamente 10,6% para atingir R$ 6. Em relação ao pico de R$ 5,604, faltariam cerca de 7,1%. Essas contas ilustram a distância até o patamar, mas não são uma estimativa de probabilidade. Para acompanhar novos valores com horário de atualização, consulte a página de dólar hoje no Overdrive.

O dólar pode chegar a R$ 6? O que o Morgan Stanley prevê

Sim, R$ 6 está entre os cenários considerados por analistas, mas especificamente no cenário pessimista. Em nota repercutida pela Reuters em 26 de outubro, o Morgan Stanley indicou que o dólar poderia testar inicialmente R$ 5,50 após a surpresa eleitoral. Esse nível chegou a ser ultrapassado temporariamente durante a manhã.

O banco apresentou um risco adicional: se o novo governo não se comprometer com cortes de gastos nas próximas semanas, a percepção de deterioração fiscal poderá se intensificar. Nesse cenário, o Morgan Stanley avaliou que o câmbio poderia alcançar R$ 6 por dólar, acompanhado de uma alta mais acentuada dos juros futuros.

Trata-se de uma análise condicionada às decisões econômicas e à reação dos investidores, não de uma meta cambial ou previsão de que R$ 6 será atingido nesta semana. Também não existe uma data confirmada para esse eventual movimento.

Publicidade

As projeções não são iguais

O Barclays, também citado pela Reuters, apontou a faixa de R$ 5,50 para a reação inicial do mercado. Já Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, trabalhava com dólar próximo de R$ 5,40 em 2027, em avaliação publicada pela Exame antes da abertura do pregão de segunda-feira.

Os números não devem ser comparados como se representassem a mesma coisa: R$ 5,50 era uma indicação sobre a reação imediata; R$ 5,40, uma projeção para 2027 formulada antes da disparada desta segunda; R$ 6, um cenário fiscal adverso. Nenhum dos três é uma cotação garantida.

Por que o dólar subiu tanto depois da vitória de Lula?

A disparada reflete, principalmente, a revisão de expectativas dos investidores. Parte do mercado havia montado posições apostando na eleição de Flávio Bolsonaro (PL) e em um ajuste mais rigoroso das contas públicas. A vitória de Lula no segundo turno, no domingo (25), contrariou essas apostas e levou a uma busca mais intensa por proteção cambial.

O outro fator é o risco fiscal. Quando investidores temem uma trajetória de dívida pública mais difícil de estabilizar, podem exigir juros maiores para financiar o país ou reduzir sua exposição a ativos brasileiros. Isso pode pressionar o real e elevar o dólar. São expectativas sobre medidas futuras, não a comprovação de que uma nova política já tenha sido adotada após a eleição.

O movimento também atingiu a Bolsa brasileira e os juros futuros. O Overdrive detalhou por que o dólar disparou após a votação e por que o Ibovespa caiu nesta segunda-feira.

Operadores diante de painéis eletrônicos na antiga Bolsa de Valores de São Paulo, em foto de arquivo de 2007
Alta do dólar, queda das ações e avanço dos juros futuros refletem a reavaliação do risco brasileiro. Imagem de arquivo da Bolsa de São Paulo, de 2007, e não do pregão de 2026. Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons (CC BY 2.0; versão reduzida).

O que pode fazer o dólar subir ou cair nos próximos dias?

Não é possível prever o próximo pregão apenas a partir da reação à eleição. Há fatores capazes de manter a pressão e outros que podem dar algum alívio:

  • Contas públicas: sinalizações de controle de despesas e financiamento das medidas anunciadas podem reduzir parte do temor fiscal; dúvidas adicionais podem ampliá-lo.
  • Equipe econômica e Congresso: nomes escolhidos e capacidade de negociar propostas influenciam a confiança dos investidores.
  • Juros nos Estados Unidos: mudanças nas expectativas para o Federal Reserve podem fortalecer ou enfraquecer o dólar em vários países, inclusive no Brasil.
  • Fluxo de capital e comércio exterior: entradas de investimento, exportações, importações e demanda por proteção cambial também afetam a cotação.

O próprio Banco Central pediu cautela na leitura das primeiras horas de negociação. Em reportagem publicada pela Folha às 12h37, o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que ainda era cedo para avaliar os efeitos definitivos da disparada cambial.

Publicidade

O Boletim Focus já prevê dólar a R$ 6?

Não é correto usar o Focus divulgado em 26 de outubro como se ele já incorporasse a reação dos analistas ao resultado do segundo turno. O Banco Central informa que a publicação de segunda-feira reúne expectativas coletadas até a sexta-feira anterior, 23 de outubro, antes da votação. As projeções do Focus são fornecidas por participantes do mercado, e não previsões oficiais do BC.

É preciso aguardar novas coletas para saber se a mediana das expectativas de câmbio será revista depois da eleição. A projeção de R$ 6 mencionada nesta reportagem vem de um cenário de estresse descrito pelo Morgan Stanley, e não de uma nova mediana confirmada pelo Focus.

Vale comprar dólar agora ou esperar?

Para quem tem viagem marcada ou precisa pagar uma despesa em moeda americana, o ponto mais importante é comparar o custo efetivo da operação e o prazo de pagamento. Como exemplo, US$ 100 equivalem a R$ 542,50 com dólar a R$ 5,425 e a R$ 600 com a cotação a R$ 6 — diferença de R$ 57,50 antes de impostos, tarifas e margens da instituição financeira.

O dólar turismo, o câmbio usado pelo cartão e o comercial podem ter preços diferentes. Comprar em etapas pode reduzir a dependência de uma única cotação, mas não garante economia. Para produtos importados, a alta também não significa reajuste automático no mesmo dia: estoque, política de preços e contratos pesam no repasse. Veja a análise do Overdrive sobre comprar eletrônicos ou esperar a Black Friday.

Publicidade

Afinal, o dólar vai subir mais?

Pode subir, inclusive até R$ 6 em um cenário adverso, mas também pode recuar se a pressão diminuir. A informação mais relevante para os próximos dias não é apenas o resultado da eleição, já conhecido, mas a resposta do governo, do Congresso e dos investidores à discussão fiscal. A máxima acima de R$ 5,60 registrada nesta segunda-feira mostra a intensidade do ajuste inicial — não determina o valor do dólar para o restante de 2026 ou para 2027.

Critério editorial: cotações referentes a horários específicos de 26/10/2026, sem atualização automática. As análises citadas são cenários de instituições financeiras, sujeitos a mudanças; este conteúdo não constitui recomendação individual de investimento.

Publicidade

Leia também

Serviço 523 matérias

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios.

Ainda sem comentários. Puxe o primeiro assunto.

Explore o Overdrive