Tópicos
- Clientes retiram quase US$ 5 bilhões da Binance após ataque hacker
- Por que os clientes estão retirando criptomoedas?
- Como aconteceu o ataque de US$ 6,3 bilhões à Binance?
- FBI responsabiliza grupo hacker da Coreia do Norte
- Binance vai devolver o dinheiro roubado?
- Os saques da Binance já foram liberados no Brasil?
- O ataque pode provocar uma nova crise nas criptomoedas?
- O que fazer se você possui criptomoedas na Binance?
- O que acontece agora com a Binance?
- Fontes
Clientes da Binance retiraram US$ 4,72 bilhões líquidos em criptomoedas depois que a maior corretora de ativos digitais do mundo retomou os saques, suspensos em consequência de um ataque hacker que provocou o roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, em informações fornecidas pela empresa à agência Reuters.
O movimento representa cerca de 2,8% dos ativos mantidos na plataforma. Embora a saída bilionária tenha provocado preocupações com a confiança dos investidores, a Binance afirma que o ritmo das retiradas começou a diminuir após um pico inicial. A companhia também prometeu assumir integralmente o prejuízo provocado pela invasão.
O incidente ocorreu em 29 de outubro e foi atribuído pelo FBI ao grupo de hackers TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. As autoridades norte-americanas investigam o destino das criptomoedas desviadas, enquanto a Binance tenta restabelecer todos os serviços afetados.
Clientes retiram quase US$ 5 bilhões da Binance após ataque hacker
A retomada dos saques em 1º de novembro desencadeou uma movimentação intensa de criptomoedas para fora da Binance. Nas primeiras nove horas e meia após a reabertura, a corretora processou aproximadamente US$ 4,65 bilhões em retiradas e US$ 1,01 bilhão em depósitos.
Naquele momento, o saldo líquido negativo era de US$ 3,64 bilhões, equivalente a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos que a companhia havia informado administrar antes da invasão.
O número aumentou nas horas seguintes. Em atualização publicada nesta segunda-feira, a Reuters informou que o volume líquido retirado pelos clientes havia chegado a US$ 4,72 bilhões, aproximadamente 2,8% dos ativos da plataforma.
Esses números precisam ser diferenciados: o volume total de retiradas representa tudo o que saiu da corretora, enquanto a saída líquida desconta os depósitos recebidos no mesmo período.
Segundo a Binance, as entradas também permaneceram expressivas. A empresa informou à Reuters ter recebido aproximadamente US$ 2,7 bilhões em depósitos durante o período considerado em seu balanço mais recente.

Por que os clientes estão retirando criptomoedas?
A principal preocupação envolve a segurança dos ativos mantidos sob custódia da corretora. Quando uma empresa dessa dimensão sofre uma invasão, os investidores precisam avaliar se os mecanismos de proteção continuam funcionando e se conseguirão movimentar seus recursos normalmente.
A Binance é uma plataforma centralizada. Isso significa que, ao contrário de uma carteira de autocustódia, na qual o proprietário controla diretamente suas chaves privadas, os ativos mantidos na corretora dependem de sua infraestrutura operacional e de segurança.
O ataque expôs uma vulnerabilidade nessa infraestrutura, mas não representa uma invasão às redes do Bitcoin ou do Ethereum.
A retirada dos recursos também não significa necessariamente uma venda das criptomoedas. Parte dos clientes pode transferir seus ativos para carteiras próprias ou para outras plataformas sem convertê-los em moedas tradicionais.
Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a proporção retirada até agora não caracteriza uma corrida generalizada contra a Binance. Ainda assim, o episódio pode tornar investidores institucionais mais cautelosos diante dos riscos de custódia.
Como aconteceu o ataque de US$ 6,3 bilhões à Binance?
Segundo o comunicado oficial da corretora, a invasão foi identificada em 29 de outubro de 2026, por volta das 20h05 no horário UTC, quando carteiras digitais conectadas à internet, conhecidas como hot wallets, foram comprometidas.
Essas carteiras são utilizadas para movimentações operacionais e precisam manter conexão com sistemas capazes de processar transações. Essa característica facilita o funcionamento cotidiano das corretoras, mas também exige controles rigorosos contra acessos não autorizados.
A investigação inicial apontou a possibilidade de comprometimento de um computador portátil. Posteriormente, a Binance informou ter descoberto outros pontos de invasão, indicando que a operação foi mais complexa do que se imaginava.
A empresa declarou ainda não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras afetadas. Entretanto, a investigação técnica continua e o relatório definitivo sobre os mecanismos utilizados pelos invasores ainda não havia sido divulgado até 2 de novembro.
FBI responsabiliza grupo hacker da Coreia do Norte
Em comunicado publicado em 31 de outubro, o FBI atribuiu a operação ao TraderTraitor, grupo de atividade cibernética maliciosa associado à Coreia do Norte.
A agência norte-americana informou ter identificado movimentações dos ativos roubados, incluindo conversões para Ethereum. Os investigadores acreditam que os responsáveis tentarão utilizar protocolos de finanças descentralizadas e serviços de troca instantânea para dificultar o rastreamento do dinheiro.
O FBI, em conjunto com o Serviço Secreto dos Estados Unidos e investigadores fiscais, solicitou a cooperação de corretoras e empresas especializadas em blockchain para bloquear transações relacionadas aos endereços identificados.
O TraderTraitor também foi associado ao ataque à Bybit em fevereiro de 2025, quando aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas foi roubado.
Binance vai devolver o dinheiro roubado?
A Binance afirma que os clientes não arcarão com o prejuízo de US$ 6,3 bilhões. Para isso, a companhia está utilizando recursos próprios, reservas de segurança e fundos destinados à cobertura de perdas.
O principal mecanismo citado pela corretora é o Secure Asset Fund for Users, conhecido como SAFU, criado para oferecer proteção financeira em determinadas situações extraordinárias.
Em 30 de outubro, a companhia informou ter separado mais de US$ 6,34 bilhões para enfrentar as consequências da invasão. Naquele momento, aproximadamente 80% dos ativos afetados já haviam sido repostos em suas respectivas criptomoedas.
O percentual avançou nos dias seguintes. Em 1º de novembro, a Binance comunicou que havia recomposto aproximadamente 95% dos ativos roubados. Os 5% restantes envolviam principalmente tokens com menor liquidez, mais difíceis de adquirir rapidamente em grandes quantidades.
Há uma diferença importante entre repor ativos e recuperar criptomoedas roubadas. A empresa pode recompor as reservas usando recursos próprios enquanto as autoridades continuam tentando bloquear ou recuperar os fundos controlados pelos invasores.
O compromisso de cobertura também não substitui a necessidade de acompanhar o processo de investigação e verificar a situação atualizada dos serviços.
Os saques da Binance já foram liberados no Brasil?
A Binance começou a restabelecer as retiradas em 1º de novembro, de maneira gradual e por diferentes redes blockchain.
A primeira fase incluiu ativos importantes como Bitcoin, Ethereum, BNB, Solana, XRP e determinadas stablecoins, entre elas USDT e USDC.
Isso não significa que todos os tokens, redes ou métodos de retirada estejam disponíveis simultaneamente. A corretora mantém verificações específicas de segurança antes de liberar cada combinação de ativo e rede.
Segundo a Reuters, em 2 de novembro os saques continuavam parcialmente suspensos para diversas criptomoedas, embora algumas das principais redes já estivessem novamente operacionais.
Para clientes brasileiros, a disponibilidade deve ser confirmada diretamente na conta e na rede escolhida. A liberação de uma criptomoeda não garante necessariamente que todas as suas opções de transferência estejam funcionando.
O Overdrive já havia explicado os efeitos da interrupção dos saques na cobertura inicial do ataque e também mostrou como a invasão pressionou a cotação do Bitcoin em 30 de outubro.
O ataque pode provocar uma nova crise nas criptomoedas?
O roubo está entre os maiores incidentes de segurança já registrados no setor de ativos digitais. Entretanto, a dimensão financeira da invasão, isoladamente, não é suficiente para determinar se ocorrerá uma crise prolongada de liquidez ou confiança.
O Bitcoin sofreu uma queda acentuada após a divulgação do incidente, chegando ao menor patamar em aproximadamente seis semanas. Posteriormente, recuperou parte das perdas e voltou a ser negociado perto de US$ 78 mil nesta segunda-feira, segundo a Reuters.
O comportamento dos preços mostra que o mercado continuou operando, embora investidores ainda avaliem os efeitos da invasão.
Também existem diferenças entre o movimento de preços e os saques de uma corretora. Quando um cliente transfere Bitcoin para uma carteira particular, por exemplo, não há necessariamente uma ordem de venda no mercado.
O maior risco imediato envolve a capacidade da plataforma de manter liquidez, concluir a reposição dos ativos comprometidos e demonstrar que as vulnerabilidades exploradas foram corrigidas.
Essas preocupações reforçam discussões sobre a custódia de criptomoedas, tema que também aparece no guia do Overdrive sobre riscos de carteiras digitais, transferências e golpes envolvendo ativos digitais.
O que fazer se você possui criptomoedas na Binance?
Quem mantém recursos na corretora deve acompanhar a situação dos serviços sem tomar decisões precipitadas com base apenas no volume bilionário de retiradas.
- Consulte os comunicados oficiais: verifique quais redes e criptomoedas estão habilitadas para retirada.
- Confira os saldos: examine seu histórico de operações e movimentações recentes.
- Reforce a segurança: utilize autenticação de dois fatores e revise dispositivos autorizados.
- Desconfie de mensagens externas: criminosos podem aproveitar o incidente para enviar links falsos de recuperação ou suposto desbloqueio de valores.
- Confira endereços e redes: uma transferência de criptomoedas enviada para um destino incorreto pode ser irreversível.
- Avalie seus riscos de custódia: manter ativos em uma corretora ou em carteira própria envolve responsabilidades e vulnerabilidades diferentes.
Golpes de falsos atendentes, páginas clonadas e pedidos de transferência antecipada são riscos adicionais. O Overdrive já abordou cuidados semelhantes ao analisar esquemas digitais que exploram identidades falsas e interações automatizadas.
O que acontece agora com a Binance?
A Binance enfrenta três desafios: concluir a normalização dos serviços, demonstrar que consegue proteger integralmente os saldos dos clientes e esclarecer como os invasores comprometeram sua infraestrutura.
A empresa prometeu publicar um relatório técnico sobre o incidente. O documento deverá ajudar a explicar a sequência de falhas e os mecanismos de segurança implementados depois da invasão.
A recuperação de parte dos recursos desviados também permanece sob investigação internacional. Mesmo com ativos congelados, ainda existe uma diferença entre impedir que os hackers movimentem criptomoedas e conseguir devolvê-las efetivamente à plataforma.
Para os usuários, os próximos indicadores relevantes são a disponibilidade dos saques, os demonstrativos atualizados de reservas e a evolução das medidas de segurança.
Até 2 de novembro, os dados mostram uma saída bilionária de clientes, mas não comprovam uma retirada generalizada dos recursos mantidos na Binance. A reação inicial colocou a confiança na corretora à prova, e a recuperação dessa confiança dependerá de resultados verificáveis.
Atualizado em 2 de novembro de 2026. Os dados financeiros estão expressos em dólares norte-americanos, conforme as fontes originais. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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